🌱 Introdução sobre: Remédio natural para ansiedade
Eu sou a Thais Barbi, psicóloga clínica, e uma das frases que eu mais escuto no consultório é: “Eu só queria um remédio natural para ansiedade, porque não quero virar refém de comprimido”. Eu entendo esse desejo — e, ao mesmo tempo, sempre volto para a mesma ideia: o que a gente chama de “natural” pode ajudar, sim, mas costuma funcionar melhor quando vira parte de um plano maior, e não uma tentativa solitária de silenciar o corpo.
Quando alguém digita “remédio natural ansiedade” no Google, normalmente está buscando duas coisas ao mesmo tempo: alívio rápido (para o peito apertado, o coração acelerado, a mente que não desliga) e segurança (a sensação de que existe um caminho com menos efeitos indesejados). Neste texto, eu vou te mostrar quais abordagens naturais fazem mais sentido, como usar com responsabilidade, quando evitar e — o mais importante — como construir um repertório que te devolva autonomia.
Atenção: este texto é informativo e não substitui consulta. Fitoterápicos e suplementos podem ter contraindicações e interações. Se houver crise intensa, ideias de autoagressão ou incapacidade de funcionar, procure ajuda profissional.
🧠 Ansiedade: por que o corpo reage antes da mente
Na psicoterapia individual, eu costumo explicar a ansiedade como um sistema de alarme que ficou sensível demais. Ele toca com vento, com barulho de porta, com uma notificação no celular. A ansiedade não é “frescura”: é um conjunto de respostas do corpo (respiração, tensão muscular, aceleração cardíaca, vigilância) que prepara você para lidar com ameaça — mesmo quando a ameaça é só uma possibilidade, um pensamento ou uma lembrança.
Isso ajuda a entender por que, às vezes, você até “sabe” racionalmente que está tudo bem, mas o corpo não acompanha. O caminho natural mais eficiente costuma envolver três frentes:
- Regular o corpo (respiração, relaxamento, sono, movimento).
- Organizar a mente (pensamentos catastróficos, ruminação, preocupação antecipatória).
- Mudar comportamento (evitação, hábitos, limites, exposição gradual ao que assusta).
Quando a pessoa só busca um “remédio natural para ansiedade” como se fosse um botão de desligar, ela costuma se frustrar. Quando ela usa recursos naturais para recalibrar o alarme, aí sim a melhora aparece com mais consistência.
🌿 Como escolher o melhor remédio natural para ansiedade com segurança
Vou ser bem direta: o melhor remédio natural para ansiedade não é o “mais forte” nem o “mais famoso”. É aquele que você consegue usar com segurança, constância e sentido para o seu caso. Para decidir, eu sugiro observar cinco pontos:
- Seu objetivo: reduzir tensão no fim do dia? Dormir melhor? Diminuir preocupação? Acalmar sintomas físicos?
- Seu perfil: pressão baixa, gastrite, enxaqueca, alergias, histórico de mania/hipomania, epilepsia, doenças hepáticas/renais.
- Seu uso de medicamentos: antidepressivos, ansiolíticos, anticoncepcional, anticoagulantes, remédios para tireoide, anti-hipertensivos.
- Seu momento: ansiedade leve/ocasional ou crises frequentes com prejuízo real na vida?
- Sua rotina: o que é realista manter por semanas (e não só por dois dias)?
Uma coisa que eu repito bastante é: “natural” não é sinônimo de “sem risco”. Fitoterápicos e suplementos podem interagir com medicamentos, alterar pressão, dar sonolência, piorar o sono ou simplesmente não ser adequados para você. O ideal é conversar com médico e/ou farmacêutico quando você tem uso contínuo de remédios, gestação/amamentação ou doenças pré-existentes.
🍵 Chás calmantes e plantas: o que costuma ajudar e o que exige cautela
Chás podem ser um calmante natural para ansiedade muito útil, especialmente quando você transforma o “tomar chá” em um ritual de desaceleração (e não só em uma bebida). Eu gosto de pensar em dois efeitos combinados: o componente biológico da planta e o componente comportamental (pausar, aquecer as mãos, diminuir estímulos, respirar mais devagar).
🌼 Camomila, melissa e tília: suavidade com constância
Camomila, melissa (erva-cidreira) e tília são escolhas comuns para ansiedade leve, irritabilidade e dificuldade de “desligar” à noite. Eu vejo bons resultados quando a pessoa usa com regularidade e, principalmente, quando ela para de “brigar” com o sono e começa a criar contexto para dormir: luz mais baixa, tela longe, respiração lenta, horário minimamente previsível.
Eu me lembro de uma paciente (vou chamá-la de Marina) que tomava camomila toda noite e ainda assim deitava com o celular na mão até pegar no sono. Ela dizia: “Thais, o chá não faz efeito em mim”. Quando ajustamos o ritual noturno — luz mais baixa, telas fora do quarto, respiração lenta e o chá como parte do processo — a mesma camomila passou a fazer diferença. O “ingrediente secreto” não era um novo chá: era o contexto.
🥀 Passiflora e valeriana: sedação leve não é solução para tudo
Passiflora (flor do maracujá) e valeriana aparecem muito quando o assunto é “remédio natural para acalmar”. Elas podem ajudar algumas pessoas, especialmente em agitação e dificuldade de iniciar o sono, mas atenção: sonolência, tontura e efeito somado com álcool ou sedativos são possíveis. Se você precisa dirigir, operar máquinas ou já usa medicação que dá sono, converse com um profissional de saúde antes de testar.
Outra observação clínica: se você usa algo “para dormir” e, no dia seguinte, acorda grogue, com ressaca de sono, a ansiedade pode até reduzir por algumas horas, mas você paga um preço cognitivo — e isso alimenta a autocrítica (“eu não rendo”, “eu sou um problema”). O objetivo não é apagar: é regular.
🪻 Lavanda e aromaterapia: quando o corpo entende antes da mente
Aromaterapia e lavanda podem ser úteis como âncoras sensoriais. Eu vejo pessoas que conseguem “ensinar” o corpo a relaxar quando associam um cheiro a respiração lenta e a um ambiente previsível. Aqui vale uma regra prática: óleo essencial não é perfume inofensivo. Use diluição adequada, evite ingestão por conta própria e prefira orientação especializada se você quer usar de forma terapêutica.
Se você tem alergias, asma ou pele sensível, comece com cautela. E, se você percebe dor de cabeça, irritação ou piora do desconforto, respeite: nem todo estímulo sensorial é calmante para todo mundo.
⚠️ Erva-de-são-joão (hipérico): natural, mas com interações importantes
O hipérico aparece como “natural para ansiedade e humor”, mas ele é uma das plantas com mais risco de interação medicamentosa. Se você usa antidepressivos, anticoncepcional, anticoagulantes ou outros remédios contínuos, não use sem orientação. Além de interação, pode haver efeitos como agitação, alterações gastrointestinais e sensibilidade à luz.
💊 Fitoterápicos e suplementos: como pensar sem cair em promessa
Eu vejo dois extremos que atrapalham: 1) esperar que um suplemento resolva um padrão de vida que está insustentável; 2) demonizar tudo e perder recursos que poderiam ajudar. O caminho do meio é: clareza, dose de realidade e acompanhamento.
🧂 Magnésio: tensão muscular, sono e o “custo” do estresse
Algumas pessoas relatam melhora de tensão e qualidade do sono com magnésio, especialmente quando o estresse está alto e o corpo vive contraído. Mas magnésio não é “calmante universal”. Ele pode causar desconforto intestinal, e a escolha do tipo (citrato, glicinato etc.) faz diferença. Se você tem doença renal, redobre o cuidado e não faça uso por conta própria.
🍃 L-teanina e ashwagandha: evidência crescente, mas não mágica
L-teanina (do chá verde) e ashwagandha (uma erva adaptógena) têm aparecido bastante em conteúdos de saúde mental. O que eu observo no consultório é: pode ajudar em estresse e inquietação para algumas pessoas, mas é muito fácil virar “pílula de performance” (“eu preciso tomar para dar conta de tudo”).
Se você tem gestação/amamentação, alterações de tireoide, usa sedativos ou tem histórico de bipolaridade, vale conversar com profissional antes. E um lembrete: suplemento bom é o que cabe em um plano de cuidado, não o que cria dependência psicológica (“se eu não tomar, eu não vivo”).
🧾 Como escolher produto com mais responsabilidade
- Procure padronização: composição clara e dose por porção, sem “mistério”.
- Desconfie de “blend milagroso”: muitos ingredientes em microdoses viram marketing, não intervenção.
- Observe seu corpo: sonolência, taquicardia, irritação, enjoo são sinais de ajuste ou interrupção.
- Evite empilhar: chá + suplemento + fitoterápico + álcool costuma dar ruim.
- Faça teste isolado: mude uma coisa por vez para saber o que ajudou (ou piorou).
🌬️ Técnicas naturais para reduzir ansiedade em minutos
Se tem algo que eu amo ensinar, é isso: habilidades rápidas que você pode usar no meio do dia, no ônibus, antes de uma reunião. Elas não “resolvem” a causa, mas reduzem o pico e devolvem escolha. Eu gosto de pensar assim: você não discute com o alarme tocando; você primeiro abaixa o volume, depois investiga por que ele disparou.
😮💨 Respiração 4-6 (ou 3-6): alongue a expiração
Inspire pelo nariz contando 4 (ou 3) e expire contando 6. Repita por 3 a 5 minutos. A lógica é simples: expiração mais longa sinaliza segurança para o sistema nervoso. Se você sente tontura, diminua a contagem e faça mais suave. Se estiver em crise, comece com 2 minutos: o importante é começar.
🫧 “Suspiro fisiológico”: dois goles de ar e uma expiração longa
Faça uma inspiração curta pelo nariz, mais uma pequena inspiração por cima (como “completar o pulmão”) e solte o ar devagar pela boca. Repita 2 a 5 vezes. Eu uso muito isso com pacientes que sentem que “falta ar”, porque dá uma sensação rápida de descompressão.
🧊 Aterramento (5-4-3-2-1): quando a mente dispara
Nomeie: 5 coisas que você vê, 4 que você sente com o toque, 3 que você ouve, 2 cheiros, 1 gosto. Parece simples, mas ajuda a puxar o cérebro do “futuro catastrófico” para o agora. E, quando o agora está mais estável, fica mais fácil escolher o próximo passo.
🧘♀️ Relaxamento muscular progressivo: o corpo aprende por contraste
Contraia um grupo muscular por 5 segundos e solte por 10. Faça pés, pernas, mãos, ombros, mandíbula. Para muitas pessoas, é a primeira vez que elas percebem que vivem tensionadas o dia inteiro. Quando você aprende a soltar, você também aprende a perceber mais cedo quando começou a apertar.
🛌 Sono e ansiedade: o remédio natural mais subestimado
Ansiedade e sono ruim formam um ciclo: você dorme mal, fica mais reativo; fica mais reativo, dorme pior. Intervenções simples aqui podem ter impacto enorme — e eu digo simples, não fáceis. Porque, quando a ansiedade está alta, a tendência é compensar com tela, comida, trabalho, rolagem infinita.
- Horário consistente (o máximo possível): cérebro gosta de previsibilidade.
- Luz de manhã: 10 a 20 minutos de luz natural ajudam seu ritmo circadiano.
- Reduza estimulantes: cafeína após o meio da tarde costuma ser gasolina para ansiedade.
- Ritual de desaceleração: chá, banho morno, leitura leve, respiração, luz baixa.
- Insônia não se vence na força: ficar na cama brigando com o sono tende a piorar.
Eu costumo dizer: se você quer um remédio natural para ansiedade, comece avaliando o seu sono com honestidade. Às vezes, a “falta de remédio” é, na verdade, falta de pausa.
🏃♀️ Movimento e rotina: ansiedade precisa de descarga
Corpo ansioso acumula energia. Movimento (caminhada, musculação, dança, alongamento, yoga) é uma forma de dizer para o sistema nervoso: “eu consigo atravessar isso”. Não precisa ser heroico. Precisa ser frequente. E, se você tem vergonha ou se sente julgado, comece do jeito mais discreto possível. A meta inicial é vencer a inércia, não “virar atleta”.
Eu já atendi pessoas que mudaram muito com três movimentos: reduzir cafeína, caminhar quase todos os dias e aprender duas técnicas de respiração para usar no pico. Uma paciente (vou chamá-la de Luana) dizia que a ansiedade dela era “um motor ligado”. Ela topou experimentar uma rotina mínima: 10 minutos de caminhada ao sol, respiração lenta quando o peito apertava e um diário curto de preocupações. Em poucas semanas, ela relatou: “O motor ainda liga, mas eu não viro refém dele”.
Quando o corpo descarrega energia, a mente tem mais espaço para o que realmente importa: decisões, relações, foco. Movimento não é castigo; é regulação.
🥗 Alimentação, cafeína e álcool: o “natural” que pode piorar
Algumas pessoas fazem tudo “certo”, mas mantêm três gatilhos invisíveis:
- Cafeína em excesso (ou tarde demais): acelera corpo e pensamentos.
- Álcool para relaxar: pode até “apagar” no começo, mas fragmenta o sono e aumenta ansiedade no dia seguinte.
- Intervalos longos sem comer: queda de energia e glicose podem parecer “crise” no corpo.
Eu não sou a favor de terrorismo alimentar. Eu sou a favor de experimentar com método. Se você acha que café te acelera, teste reduzir por 10 dias e observe: como fica seu sono? E sua irritabilidade? E seu nível de preocupação? Se você usa álcool para “desligar”, pergunte com honestidade: isso está me ajudando ou está me cobrando depois?
📱 Ansiedade digital: estímulo demais vira alerta demais
Hoje, um “remédio natural para ansiedade” pode ser simplesmente diminuir estímulos. O cérebro ansioso é sensível a excesso de informação. Notificações, notícias, comparações, discussões… tudo isso é combustível para o alarme. Uma estratégia que funciona muito bem é criar “zonas sem celular”:
- Primeira hora do dia: sem rede social; comece pelo corpo (banho, luz, café da manhã, respiração).
- Última hora do dia: sem tela na cama; crie um ritual consistente.
- Micro-pausas: 2 minutos de silêncio entre tarefas, para o sistema nervoso não ficar em modo “corrida”.
Eu vejo pessoas que melhoram só de perceber que estavam vivendo em alerta contínuo, sem intervalos. Ansiedade também é falta de espaço.
🧩 Avaliação neuropsicológica: quando investigar atenção, memória e autocontrole
A avaliação neuropsicológica entra com força quando a ansiedade está misturada com queixas de atenção, memória e organização. Eu já acompanhei pacientes que chegaram convencidos de que tinham TDAH, porque “não conseguem focar”, “esquecem tudo” e “procrastinam”. Em alguns casos, havia mesmo TDAH; em outros, a ansiedade estava ocupando o espaço mental inteiro, como se o cérebro ficasse com dezenas de abas abertas ao mesmo tempo.
Uma avaliação bem feita ajuda a diferenciar: o que é ansiedade, o que é depressão, o que é burnout, o que é TDAH, o que é transtorno do sono — e como isso aparece nas funções executivas, na velocidade de processamento e na memória de trabalho. Isso muda o plano de tratamento: às vezes, o “natural” mais poderoso é dar nome certo ao que está acontecendo e ajustar expectativas.
Também é comum a ansiedade gerar um “efeito dominó” na autoestima: a pessoa falha por estar ansiosa, conclui que é incapaz, fica mais ansiosa, falha mais. Quando a gente mede habilidades, identifica pontos fortes e cria estratégias compensatórias, a pessoa volta a confiar em si — e isso, por si só, diminui ansiedade.
🗣️ Psicoterapia individual e em grupo: o tratamento natural mais duradouro
Tem um ponto que eu considero essencial: você pode usar chá, suplemento e aromaterapia, mas se o seu cérebro aprendeu a viver em ameaça, ele precisa de treino. Na terapia, a gente pratica exatamente isso: identificar gatilhos, reduzir evitação, revisar previsões catastróficas, aprender autorregulação e construir uma vida que caiba dentro do corpo.
Eu vejo muita gente buscando um calmante natural para ansiedade e, sem perceber, mantendo a vida do mesmo jeito: sem limites, sem descanso, sem dizer “não”, carregando tudo sozinho. Terapia é onde isso vira conversa concreta: o que eu preciso negociar com a vida? rotina, trabalho, relações, perfeccionismo, autocobrança, luto.
No trabalho em grupo, vejo algo muito bonito acontecer: a pessoa percebe que não está “quebrada”. Em grupos de habilidades, a troca diminui a vergonha e aumenta o repertório. Já vi participantes testarem exercícios de respiração durante a semana e voltarem dizendo: “Eu achei bobo, mas na terceira vez o corpo respondeu”. O grupo dá o que a ansiedade rouba: pertencimento, humor, esperança e prática guiada.
E também existe um cuidado importante: algumas pessoas usam o “natural” como forma de evitar encarar o que está por trás — limites, relações adoecidas, luto, sobrecarga. Quando isso acontece, o corpo continua pedindo socorro, só que mais alto. Terapia ajuda a tirar o “peso moral” da ansiedade e transformar isso em plano.
🚨 Quando remédio natural não é suficiente
Procure avaliação profissional se você percebe:
- Crises frequentes ou picos intensos (pânico, falta de ar, sensação de desmaio).
- Evitação que encolhe sua vida (parar de sair, dirigir, trabalhar, estudar).
- Insônia persistente por semanas.
- Uso de álcool/drogas para “aguentar” ou “apagar”.
- Pensamentos de autoagressão ou desesperança profunda.
Eu acompanhei um rapaz (vou chamá-lo de André) que tentou “dar conta” sozinho com suplementos e meditação no YouTube. Quando ele chegou, a ansiedade já tinha virado um transtorno que estava encolhendo a vida dele. O que ajudou foi combinar psicoterapia, orientação médica e hábitos, com metas pequenas e consistentes. Isso também é cuidado natural: reconhecer a hora de somar recursos.
✅ Plano prático de 7 dias: testando com segurança
Se você quer sair do “tentar de tudo” e começar de forma organizada, experimente:
- Dia 1: escolha uma técnica rápida (respiração 4-6) e pratique 2 vezes, mesmo sem crise.
- Dia 2: faça um ajuste no sono (telas fora da cama) e observe seu corpo.
- Dia 3: caminhe 10 a 20 minutos e registre como ficou sua inquietação.
- Dia 4: reduza cafeína (ou antecipe o último café) e note a diferença no fim do dia.
- Dia 5: crie um ritual noturno com chá + luz baixa + respiração.
- Dia 6: escreva 10 minutos de “lista de preocupações” e finalize com 1 ação possível.
- Dia 7: revise: o que ajudou, o que piorou, o que é sustentável por 3 semanas?
O objetivo é construir evidência no seu próprio corpo, e não depender de promessas. Constância ganha de intensidade quase sempre. E, se você quiser transformar isso em processo, a psicoterapia (individual ou em grupo) ajuda muito: porque ela dá estrutura, acompanhamento e ajuste fino.
🧭 Que tipo de ansiedade você está vivendo?
Nem toda ansiedade é igual, e isso muda o que tende a ajudar. Eu gosto de fazer três perguntas rápidas: quando começa? o que o corpo faz? o que você passa a evitar? A partir daí, dá para escolher “naturais” mais alinhados.
🌀 Preocupação constante: menos combustível, mais aterramento
Se a sua ansiedade é aquela preocupação que fica rodando o dia inteiro (“e se… e se… e se…”), o que costuma funcionar melhor é reduzir combustível: excesso de cafeína, excesso de notícia, excesso de tela, excesso de cobrança. Técnicas de aterramento, escrita de preocupações e mindfulness são muito úteis aqui. Também ajuda separar “preocupação” de “problema”: problema tem ação; preocupação é previsão.
💥 Crises de pânico: o corpo precisa reaprender que está seguro
No pânico, a pessoa teme a própria sensação física. Ela interpreta coração acelerado como infarto, tontura como desmaio, falta de ar como sufoco. Aqui, chás e suplementos podem ajudar como suporte, mas o coração do tratamento é psicoeducação + exposição: aprender a sentir o sintoma sem fugir, até o cérebro entender que não há ameaça real. E, sim, é possível reaprender isso com treino gradual.
👥 Ansiedade social: menos “consertar imagem”, mais construir vínculo
Quando a ansiedade aparece em interação (reunião, apresentação, encontro), é comum buscar um “calmante natural” para “não passar vergonha”. Só que, muitas vezes, a vergonha já está dentro: autocrítica, comparação e leitura mental (“vão achar que eu sou…”). Técnicas de respiração ajudam no pico, mas terapia (individual e grupo) costuma ser o que muda o jogo, porque trabalha crenças e comportamentos de segurança.
🧠 Pensamentos ansiosos: o natural também é aprender a responder
Eu vejo muita gente tentando acalmar o corpo sem olhar para a narrativa interna. Só que o pensamento ansioso costuma ter um jeito muito previsível: catastrofiza, generaliza e exige certeza. Uma pergunta que eu uso muito é: “Qual seria uma explicação alternativa, tão verdadeira quanto essa, só que menos assustadora?”. Outra é: “O que eu faria se eu estivesse 10% mais calmo?”. Essas perguntas não são “positividade tóxica”; são treino de flexibilidade.
- Troque certeza por probabilidade: “vai dar errado” vira “existe chance de dar errado; qual meu plano?”.
- Troque julgamento por dado: “eu sou um desastre” vira “eu estou exausto e meu corpo está em alerta”.
- Troque controle total por próximo passo: “preciso resolver tudo” vira “qual é a menor ação útil agora?”.
🧰 Caixa de ferramentas para crise de ansiedade
Se você sente que a ansiedade “vira tsunami”, eu sugiro montar um roteiro simples, para não depender da cabeça no pior momento:
- Nomeie: “isso é ansiedade no meu corpo”. Dar nome reduz o medo secundário.
- Respire: 4-6 por 2 minutos ou 2 a 5 suspiros fisiológicos.
- Enraíze: pés no chão, pressione as mãos uma na outra, descreva 5 coisas que você vê.
- Reduza estímulos: luz, tela, ruído; se puder, vá para um lugar mais previsível.
- Escolha 1 ação pequena: água, banho morno, mensagem para alguém, caminhar 5 minutos.
Eu já vi pessoas que, só de ter esse roteiro impresso na carteira ou no celular, reduziram o medo de ter crise. E reduzir medo de crise é reduzir a frequência de crise.
🧒 Gestação, adolescência e idosos: cuidado dobrado com “naturais”
Em gestação e amamentação, a regra é ser ainda mais conservador: muitas plantas e suplementos não têm evidência robusta de segurança nesses períodos. Em adolescentes, o cérebro ainda está amadurecendo e a ansiedade frequentemente se mistura com sono irregular, comparação social e pressões acadêmicas; eu priorizo intervenções comportamentais e psicoterapia. Em idosos, é comum haver múltiplos medicamentos e risco maior de interação e sonolência, então “natural” precisa ser visto com o mesmo rigor.
✨ O que funcionou e o que não funcionou: exemplos do consultório
Eu já acompanhei pessoas que melhoraram muito com estratégias simples, porque fizeram do simples um compromisso. E também já acompanhei pessoas que se frustraram, porque estavam tentando usar um “remédio natural” para manter uma vida impossível.
Uma cliente (vou chamar de Carla) comprava todo suplemento que via em vídeo curto. Ela mudava tudo a cada semana, e isso gerava mais ansiedade: “se não funcionou, é porque eu sou o problema”. Quando a gente parou de empilhar e escolheu duas intervenções por 21 dias (caminhada + higiene do sono), a ansiedade caiu e a autoconfiança voltou. O que não funcionou foi a pressa; o que funcionou foi método.
Outro caso (vou chamar de Renato) queria “algo natural” para apresentações. Ele usou chá e lavanda, mas continuava evitando falar em público sempre que podia. No grupo, ele praticou exposição gradual com suporte: começou falando 30 segundos, depois 1 minuto, depois 3. A ansiedade não sumiu de uma vez; ela ficou administrável. O que funcionou foi treino; o que não funcionou foi esperar que um recurso sensorial substituísse prática.
🌟 Fechamento: natural é o que te devolve espaço interno
Se eu pudesse resumir minha experiência, eu diria assim: o melhor remédio natural para ansiedade é aquele que você consegue usar com segurança e consistência — e que vem acompanhado de compreensão, treino e suporte. A ansiedade melhora quando a gente para de negociar com o medo e começa a negociar com a vida: o que eu preciso mudar, fortalecer, pedir ajuda e praticar. E, quando necessário, não há demérito nenhum em somar recursos médicos. O objetivo não é “ser forte”; é voltar a ter espaço interno para viver com mais presença.
📚 Referências e leituras confiáveis
- NCCIH/NIH: Ansiedade e abordagens complementares
- Revisão sobre Passiflora em transtornos neuropsiquiátricos (PubMed)
- Meta-análise de Silexan (lavanda) em transtornos de ansiedade (PubMed)
- NCCIH/NIH: Hipérico (erva-de-são-joão) e interações
- NCCIH/NIH: Kava — utilidade e segurança
- Meta-análise: terapias baseadas em mindfulness e ansiedade (PubMed)
- Revisão: exercício físico como tratamento para ansiedade (PubMed)
- Revisão: atividade física e proteção contra ansiedade (PubMed)

