Terapia em Grupo e Psicologia
Quando eu falo de terapia em grupo, eu não estou falando de uma ideia bonita no papel. Eu estou falando de algo que eu vi acontecer, primeiro “na raça”, ainda na graduação, e depois com intensidade no serviço público, com gente real, sofrimento real — e resultado real.
- 📅 Publicado: 25, dezembro, 2025
- ✏️ Última atualização: 3, janeiro, 2026
Sumário de "Terapia em Grupo"
Thais Barbi
Número de Registro: CRP12-08005
+ 20.000 Pessoas Acolhidas em 15 anos
+ 300 Avaliações Neuropsicológicas realizadas
+ 30.000 Leitores nos acompanham mensalmente
A origem da Terapia Coletiva ou Atendimento em Grupo
A terapia em grupo é uma forma de psicoterapia conduzida por um profissional (ou mais) com várias pessoas ao mesmo tempo. Em geral, a literatura e guias descrevem grupos por volta de 5 a 15 participantes, com encontros semanais ou regulares.
Só que na prática… eu já vivi de tudo. No SUS, eu comecei com “um número pequeno de pessoas, de cinco pessoas” e, com o tempo, eu tinha “grupos enormes… de 20, 30, 40 pacientes”. E mesmo assim, quando o manejo é bom e os combinados são claros, o grupo acontece.
A seguir, eu vou te explicar o que é, como funciona terapia em grupo, quais são os benefícios, tipos e abordagens — e vou costurando com situações que eu realmente vivi, porque é isso que costuma tirar a terapia em grupo do “tenho medo” e colocar no “acho que isso pode me ajudar”.
1. Terapia em grupo, terapia de grupo, psicoterapia em grupo, grupo terapêutico: é tudo a mesma coisa?
No dia a dia, as pessoas usam como sinônimo: terapia em grupo, terapia de grupo, psicoterapia em grupo, grupo de terapia, grupo terapêutico, atendimento em grupo.
Mas eu gosto de fazer uma distinção simples (sem preciosismo): Psicoterapia em grupo / terapia em grupo: tem um foco terapêutico claro, com condução profissional, regras, objetivos e manejo clínico.
Grupo de apoio: pode ser terapêutico também, mas muitas vezes é mais voltado a suporte, pertencimento e troca de estratégias, dependendo do modelo. Inclusive, tem instituição que chama terapia em grupo de “grupo de apoio” no contexto de reabilitação.
E aqui entra uma coisa que eu aprendi cedo: o nome importa menos do que o contrato do grupo. Quando eu era estudante e tive “a primeira experiência como estagiária… num grupo de estudos e apoio à adoção”, o grupo tinha uma função muito clara: acolher, informar, desfazer crenças e mitos, e ajudar candidatos a entenderem o processo, o perfil das crianças, as expectativas. Essa clareza faz o grupo ficar seguro.
2. O que é terapia em grupo e como funciona
Na prática, terapia em grupo é:
um terapeuta (às vezes 2) conduzindo a sessão,
pessoas com temas parecidos (ou objetivos compatíveis),
encontros regulares,
e um ambiente com sigilo e respeito, onde o grupo vira parte do tratamento.
A APA (American Psychological Association) descreve que a terapia em grupo costuma envolver um ou mais psicólogos liderando um grupo, tipicamente com reuniões regulares.
E, do ponto de vista clínico, eu gosto de pensar assim: no individual, o paciente se enxerga no espelho do terapeuta; no grupo, ele se enxerga em vários espelhos ao mesmo tempo — e aprende a se relacionar enquanto se trata.
Como funciona terapia em grupo na prática (um “roteiro realista”)
Em muitos modelos, a sessão tem:
abertura e check-in (como cada um chega),
tema do dia (pode ser trazido pelo grupo ou proposto),
trocas e intervenções (o terapeuta facilita e também interrompe o que for inadequado),
fechamento (o que cada um leva dali).
Quando eu estava no NASF (2014 a 2018), a equipe dizia que “não acreditava que poderia dar certo criar um grupo de psicoterapia”. E eu entendo: se a comunidade não adere, parece que “grupo não funciona”. Só que muitas vezes não é o grupo que falha — é a falta de contrato, de um formato acessível e de um manejo firme de sigilo e respeito.
Eu mesma testei caminhos: “primeiro eu tentava separar ele por temas… depressão… luto… ansiedade… mas na comunidade não dava certo”. A vida real não vem separada em caixinhas, e o território tem dinâmica própria.
Você gostaria de saber como funcionam os meus grupos de terapia?
3. Grupo terapêutico: como funciona o sigilo (e por que isso muda tudo)
Essa é a pergunta que mais trava adesão: “E se alguém contar o que eu falei?”
Confidencialidade é uma regra central em terapia em grupo, e isso aparece com força nos conteúdos que estão ranqueando bem.
Só que eu gosto de ir além do “é regra” e ensinar o grupo a cuidar disso junto.
Na prática do SUS, eu via muito “vergonha, medo de serem expostos, de serem julgados… vizinhos”. E aí eu trabalhava “muito a questão do sigilo”: o grupo aprende que aquilo é um espaço protegido. Eu falava, repetia, combinava, retomava quando necessário. E eu também fazia uma coisa que funciona muito: trazer a responsabilidade pro grupo com empatia — “se você não gostaria que expusessem o seu, então também não exponha o do outro”.
Com o tempo, você vê a virada: “então eles foram aprendendo a ser um pouco de psicólogos também”. Isso cria maturidade coletiva.
4. Terapia em Grupo para Ansiedade
Se tem um tema que aparece com força em terapia em grupo, é a ansiedade — seja aquela preocupação constante (ansiedade generalizada), seja a ansiedade social (medo de falar, de ser julgado), seja a ansiedade que vira sintomas físicos (taquicardia, falta de ar, aperto no peito) e até ataques de pânico. E eu gosto de dizer isso logo de cara: Terapia em Grupo para Ansiedade funciona muito justamente porque a ansiedade costuma isolar — e o grupo quebra esse isolamento com acolhimento, técnica e prática.
Eu vi isso acontecer de forma muito concreta no SUS: no começo, muita gente chegava com vergonha, medo de se expor, medo de “pagar mico” ou de ser julgada por vizinhos. E, com o tempo, a fala que eu mais ouvia era que “eles não se sentiam sozinhos no sofrimento”. Só essa virada já reduz uma parte enorme da ansiedade: a sensação de que “tem algo errado só comigo”.
Por que o grupo ajuda tanto na ansiedade?
A ansiedade não é só um “pensamento acelerado”. Ela é um ciclo (corpo + mente + comportamento):
Corpo: tensão, taquicardia, sudorese, tremor, falta de ar.
Mente: “vai dar ruim”, “eu não vou dar conta”, “vão me julgar”.
Comportamento: evitar situações, adiar, pedir que alguém faça por você, fugir antes do “pior”.
No grupo, a pessoa não aprende só “o que fazer” — ela aprende vendo o outro enfrentando, ouvindo estratégias reais, percebendo que o medo diminui quando ela fica e atravessa. E tem uma coisa muito poderosa: o grupo vira um lugar seguro para treinar exatamente aquilo que a ansiedade costuma bloquear (falar, pedir ajuda, discordar, sustentar limites, respirar e continuar).
O que costuma ser trabalhado em terapia em grupo para ansiedade
Mesmo quando o grupo não é 100% “temático”, dá pra conduzir a ansiedade com intervenções bem práticas. Eu gosto de trabalhar assim:
Psicoeducação sem enrolação: entender o ciclo da ansiedade e por que o corpo reage como se tivesse perigo.
Regulação fisiológica: respiração (ex.: diafragmática), aterramento, relaxamento muscular, estratégias rápidas para reduzir pico de ativação.
Identificação de gatilhos: situações, pensamentos automáticos, horários, padrões (ex.: “sempre piora antes de sair de casa”).
Reestruturação cognitiva (estilo TCC): questionar catastrofizações, “leitura mental”, exigência de perfeição, necessidade de controle total.
Enfrentamento gradual: sair do modo “evitar/fugir” para um plano de exposição progressiva (passo a passo, com segurança).
Treino de habilidades: comunicação, pedir ajuda, dizer não, lidar com críticas — especialmente útil em ansiedade social.
E aqui eu gosto muito do formato comunitário: eu fui pesquisando e descobri a terapia comunitária integrativa, e eu adaptei um pouco com a terapia cognitivo-comportamental. Na prática, isso permite acolher a história de vida e o contexto, sem perder o lado objetivo de construir estratégias e testar mudanças.
“Eu tenho ansiedade social… e morro de medo de falar em grupo”
Essa é clássica — e é justamente por isso que o grupo pode ser tão terapêutico. Eu sempre reforço: você não é obrigado a falar. Você pode começar só observando. Aos poucos, quando o ambiente fica seguro, a fala vai vindo.
Como eu vi muita gente chegar com medo de ser exposta, eu trabalhava muito a questão do sigilo. Eu repetia, combinava, retomava quando necessário: o que é conversado ali permanece ali. E eu fazia o grupo entender que sigilo é responsabilidade de todos. Quando isso entra como cultura, a ansiedade social diminui porque a pessoa sente: “ok, aqui eu não vou ser atacada”.
Exercícios simples que costumam aparecer (e que fazem diferença)
“Nomear para domar”: identificar e nomear o que está acontecendo (“isso é ansiedade subindo”).
Respiração guiada (1–3 min) antes de temas difíceis.
Registro rápido (situação → pensamento → emoção → reação → alternativa possível).
Plano de enfrentamento (um passo pequeno por semana, realista).
Role-play (ensaiar conversa difícil, entrevista, “dizer não”, etc.), sem humilhação e sem pressão.
Para quem costuma ser uma ótima opção?
Pessoas com ansiedade generalizada (preocupação constante, antecipação do pior).
Ansiedade social (medo de falar, de ser observado, de julgamento).
Padrão de evitação (paralisação, adiamento, fuga de situações).
Ansiedade misturada com luto, conflitos familiares, sobrecarga — muito comum na vida real.
Quando eu prefiro estabilizar antes (sem julgamento)
Se a pessoa está em crise muito intensa, com desorganização importante, risco elevado ou sem condições mínimas de se manter no grupo naquele momento, eu geralmente acho mais seguro começar com atendimento individual (e, quando estabiliza, entrar no grupo). Isso não é “fraqueza” — é estratégia clínica.
O que eu considero “virada” na ansiedade dentro do grupo
É quando a pessoa percebe que:
ela pode sentir ansiedade e ainda assim permanecer (sem fugir),
o corpo acalma quando ela para de brigar com os sintomas,
ouvir o outro dá ideias que ela não teria sozinha,
e que vínculo e acolhimento reduzem muito a sensação de ameaça.
E eu volto naquela fala que me marcou: quando alguém diz que ali, finalmente, não se sente sozinho no sofrimento, eu sei que o grupo está cumprindo uma das funções mais potentes para ansiedade: transformar medo em conexão — e conexão em mudança possível.
Observação: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação com profissional de saúde mental. Se você está em sofrimento intenso ou em crise, procure atendimento especializado.
5. Benefícios da Terapia em grupo (os que eu mais vejo na prática)
Os textos que estão no topo insistem em alguns benefícios-chave: melhora das relações interpessoais, chance de ser ouvido, redução de solidão e otimização de resultados quando combinada com outras estratégias.
Eu concordo — e eu acrescento o “porquê” com a cena do cotidiano.
1)
“Eu não me sinto sozinho no sofrimento”
Essa foi uma das falas mais frequentes que eu escutava: “eles não se sentiam sozinhos no sofrimento”.
Isso é muito poderoso porque vergonha e isolamento alimentam sintomas. Quando a pessoa percebe que não é “a única estranha do mundo”, o corpo relaxa. E aí ela começa a pensar melhor, refletir, tentar algo diferente.
2)
Aprendizado por espelhamento (ouvir o outro muda meu jeito de me ver)
Tem gente que quase não fala, mas sai transformada porque ouviu alguém dar nome ao que ela nunca conseguiu dizer. Em grupo, o insight às vezes vem mais rápido porque você recebe várias perspectivas — isso aparece, inclusive, como vantagem do formato grupal em materiais institucionais.
3)
Habilidades sociais “na vida real”
Se a sua dificuldade aparece em relacionamento, comunicação, conflito, timidez… o Grupo de Habilidades Sociais é um laboratório seguro. As fontes no topo falam bastante disso: trabalhar relações interpessoais e timidez/ansiedade social.
Eu vi gente chegar encolhida e, com o tempo, pedir a palavra, discordar com respeito, sustentar limite, respirar antes de reagir. Isso não se ensina só com teoria.
4)
Vínculo e pertencimento (a tal “segunda família”)
Teve paciente que me dizia, literalmente, que “às vezes não adianta ter uma família e você se sentir sozinho dentro de casa”, e que no grupo eles criaram “uma segunda família”.
Isso não é romantização: é rede de apoio. É saúde mental comunitária acontecendo.
5)
Benefícios “eficiência + alcance”
Não é o foco do seu artigo vender custo, mas é uma verdade: terapia em grupo permite que um profissional ajude mais pessoas ao mesmo tempo, e isso é um dos motivos de ser tão usada em contextos públicos e em programas estruturados.
6. Tipos de terapia em grupo e abordagens (com exemplos que fazem sentido no mundo real)
Aqui é onde seu artigo pode passar na frente de muitos: explicando tipos sem virar lista seca.
Grupo aberto x grupo fechado
Aberto: pessoas podem entrar ao longo do tempo.
Fechado: começa e termina com o mesmo grupo (bom para aprofundamento e coesão).
Grupo temático x grupo livre
Alguns serviços descrevem bem essa diferença: em grupo temático, vocês discutem um recorte (trabalho, relações, prevenção de recaída etc.); no livre, o tema emerge do grupo.
Na minha experiência no território, eu percebi rápido que “tema fechado demais” pode reduzir adesão. Eu tentei separar por “depressão”, “luto”, “ansiedade”, e “na comunidade não dava certo”. A vida vinha misturada — e o grupo precisava acolher isso.
Terapia Comunitária Integrativa (TCI) — e a adaptação com TCC
Quando eu fui pesquisando e descobri o Grupo de Terapia Comunitária Integrativa (TCI), eu encontrei um formato que conversa muito bem com comunidade: roda, escuta, acolhimento, valorização do saber do território.
E eu mesma fiz um mix cuidadoso: adaptei também um pouco com o Grupo de Terapia cognitivo-comportamental (TCC), trazendo estratégias mais objetivas (pensamento, comportamento, pequenas metas), sem matar a potência comunitária.
Terapia de grupo breve
Geralmente é mais estruturada, com duração limitada (por exemplo, 8 a 12 encontros), foco em um objetivo claro e intervenções mais diretas.
Terapia de grupo sistêmica
Quando o foco é padrão de relação (família, casal, redes), a visão sistêmica ajuda a enxergar ciclos: quem faz o quê, quando, e como o sistema se mantém.
Técnicas de terapia em grupo que eu uso e vejo funcionar
psicoeducação curta (conceitos simples, sem aula longa),
roda de fala com combinados,
exercícios práticos (respiração, registro de pensamentos, treino de comunicação),
dinâmicas de vínculo (sem exposição forçada),
contrato de sigilo e respeito revisitado sempre que precisar.
E aqui entra um aprendizado lindo: quando você vê adolescentes, adultos e idosos juntos, como eu vi muitas vezes, “essa mistura de gerações… era muito rico”. Você aprende com quem tem 70 e também com quem tem 15.
7. Quando a terapia em grupo é indicada (e quando é melhor segurar)
Os conteúdos no topo citam indicações comuns como luto, ansiedade social/timidez, isolamento/solidão e outros temas de saúde mental.
Em serviços de reabilitação, também aparece muito como recurso importante do cuidado.
Indicações frequentes
luto e perdas
ansiedade social, timidez
depressão (especialmente com isolamento)
relacionamentos e habilidades sociais
dependências e prevenção de recaída
Contraindicações (ou momentos em que eu prefiro estabilizar primeiro)
Em contextos clínicos, é comum não indicar grupo quando a pessoa está muito instável/agitada ou sem condições mínimas de convivência grupal naquele momento.
Nesses casos, eu tendo a fazer: estabiliza no individual / psiquiatria / manejo de crise primeiro, e depois reavaliar entrada no grupo.
8. Como escolher um grupo terapêutico (e aumentar a chance de dar certo)
Os artigos que ranqueiam melhor batem em quatro pontos: objetivo, identificação com o terapeuta, abordagem e tamanho do grupo.
Eu concordo e adiciono duas perguntas que eu sempre faço:
1) O grupo combina com a sua fase de vida hoje?
Tem fase que você precisa de mais estrutura; tem fase que você precisa mais de acolhimento e pertencimento.
2) O contrato é claro?
Quando eu explico direitinho o que é sigilo, como funciona fala/escuta, e deixo combinado que ninguém é obrigado a se expor além do que consegue, a vergonha diminui. E foi assim que eu vi a adesão crescer — de 5 para 20, 30, 40.
Dicas práticas (pra quem tem medo de falar)
Você pode começar ouvindo. Participar não é “performar”.
Leve uma frase pronta: “hoje eu prefiro só escutar”.
Dê tempo pro vínculo. Confiança em grupo é construída.
9. Terapia em grupo funciona mesmo? (minha resposta honesta)
Funciona — mas não por mágica.
Ela funciona quando: o terapeuta sabe facilitar e conter,
o grupo tem combinados claros,
existe um mínimo de continuidade (não dá pra julgar em 1 encontro),
e o formato respeita o território e o público.
Eu já vi equipe desacreditar e depois defender com unhas e dentes, porque os resultados “aparecem na rua”: paciente que volta dizendo que “marcou”, que “ajudou muito naquela época”, que criou vínculo, que aprendeu a se regular. E, sinceramente… quando eu encontro alguém anos depois e a pessoa ainda fala disso com brilho no olho, eu só penso: “é lindo esse trabalho”.
10. Terapia em Grupo para Autismo (TEA) — quando o grupo vira “tradução do mundo”
Muita gente pensa que autismo e grupo “não combinam” — e eu entendo o medo. O que eu vejo na prática é: o problema raramente é o grupo em si; é o grupo sem estrutura, sem previsibilidade e sem ajuste sensorial/relacional.
No TEA (Transtorno do Espectro Autista), o sofrimento costuma vir de três frentes ao mesmo tempo:
comunicação e leitura social (subentendidos, ironias, “o que esperam de mim?”);
sobrecarga e camuflagem (“masking” — esforço constante para parecer neurotípico), que pode levar a exaustão e burnout;
sensibilidade sensorial (ruído, luz, toque, cheiros) e dificuldade de regulação.
Por que o grupo pode ajudar muito no TEA?
Porque ele oferece algo que a vida real quase nunca oferece: um laboratório com regras claras.
No grupo bem conduzido, a pessoa:
aprende roteiros sociais (como começar/encerrar conversa, pedir espaço, recusar convites sem culpa);
treina habilidades sociais sem humilhação (com role-play, feedback respeitoso e repetição);
trabalha crenças de rejeição do tipo “eu sou errado” com estratégias da TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental);
encontra pertencimento (reduz a solidão e a sensação de ser “de outro planeta”).
O que costuma ser trabalhado em grupo de autismo
Psicoeducação: entender TEA, camuflagem, fadiga social e regulação.
Comunicação direta: pedir clareza, fazer perguntas, checar entendimento (“você quis dizer X?”).
Limites: dizer não, negociar combinados, proteger energia social sem culpa.
Regulação: sinais de sobrecarga, pausas, estratégias sensoriais e de recuperação.
Vida prática: trabalho, reuniões, entrevistas, conflitos e rotina (com plano passo a passo).
Ajustes que fazem o grupo funcionar (principalmente com adultos)
Eu gosto de deixar isso explícito, porque muda adesão:
Previsibilidade: agenda do encontro clara (começo/meio/fim) e combinados visíveis.
Cuidado sensorial: regras de ruído, pausas, possibilidade de sair e voltar sem exposição.
Comunicação sem “entrelinhas”: linguagem direta, checagem de entendimento e turnos de fala.
Sigilo + respeito: reforço constante de que ninguém ridiculariza, expõe ou “corrige” com agressividade.
Quando eu prefiro outro caminho primeiro
Se a pessoa está em crise muito intensa, com sofrimento agudo, uso importante de substâncias, risco elevado, ou com grande instabilidade, eu geralmente prefiro estabilizar no individual antes — e depois entrar no grupo com mais segurança. Isso não é exclusão: é cuidado.
Perguntas rápidas que sempre me fazem
Terapia em grupo é mais “fraca” do que individual?
Não. É diferente. E, em muitos casos, ela é justamente o que destrava vergonha, isolamento e dificuldade de relacionamento (porque o material de trabalho está ali, vivo).
E se eu encontrar alguém conhecido?
Acontece, principalmente em cidade pequena e território de UBS. A regra do sigilo fica ainda mais importante — e é por isso que eu não trato sigilo como “texto de contrato”, eu trato como cultura do grupo.
Dá pra fazer online?
Dá, e tem gente que prefere por praticidade e por se sentir mais seguro no começo. Só exige combinados extras (ambiente privado, fone, não gravar, etc.). Se quiser você pode dar uma olhada no meu Grupo de Terapia Online!
Referências e bibliografia (links)
American Psychological Association (APA) — “Psychotherapy: Understanding group therapy”
APA Monitor on Psychology (2023) — “Group therapy is as effective as individual …”
NCBI Bookshelf (StatPearls) — “Group Therapy”
SciELO (Revista Latino-Americana de Enfermagem) — “O terapeuta na psicoterapia de grupo” (Bechelli & Santos)
PubMed — “Effectiveness of group cognitive behavioral therapy … depression (systematic review)”
Meta-análise (PDF) — “Are individual and group treatments equally effective …” (Cuijpers et al., 2008)
Meta-análise (PDF) — “Comparative Efficacy of Individual and Group Psychotherapy” (McRoberts et al., 1998)
Ministério da Saúde (Brasil) — “Terapia Comunitária Integrativa” (PICS)

Terapia em Grupo para Ansiedade
A Grupo Terapêutico para ansiedade combina psicoeducação e treino de habilidades para reduzir ruminação, medo do medo e evitação. Explico como são as sessões, para quem é indicada, o que esperar de resultados e como escolher um grupo de terapia.

Terapia em Grupo – Autismo
Um Grupo Terapêutico para autistas é um espaço seguro e estruturado para desenvolver habilidades sociais, comunicação, autorregulação emocional e estratégias práticas para o dia a dia — sem pressão para “se encaixar”. Com condução profissional e atividades baseadas em evidências científicas, o grupo ajuda a reduzir ansiedade social, aumentar autonomia e fortalecer vínculos com pessoas que vivem desafios parecidos.

Terapia Comunitária Integrativa (TCI)
Como funciona a roda da TCI?: acolhimento, escolha do tema, partilha e fechamento. Entenda por que você pode amar ela se conhecer de perto

TCC em Grupo – Terapia Cognitivo Comportamental
A Dinâmica da Terapia Cognitivo Comportamental em grupo e Grupo de Terapia Comunitária são consideradas por muitos como algumas das psicoterapias mais eficazes. Em este artigo te mostro uma guia completa para saber como escolher o seu grupo perfeito

Terapia em Grupo Online
Você sabia dos benefícios da psicoterapia em grupo online? Quando você souber, vai querer começar já, já!