Ansiedade e insônia: por que andam juntas e como melhorar

Quando a madrugada vira alerta, é comum viver insonia por ansiedade. Aqui eu explico por que ansiedade causa insônia em tanta gente e trago um plano de cuidado: higiene do sono possível, técnicas de respiração, terapia, e um olhar responsável para chá, magnésio e auriculoterapia.

Sumário de "Ansiedade e insônia: por que andam juntas e como melhorar"

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Thais Barbi

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Empresas e instituicoes que confiam na neuropsicologa Thais Barbi

😴 Introdução sobre: Ansiedade e insônia

Se você chegou até aqui, provavelmente já viveu aquela noite em que o corpo está exausto, mas a cabeça não para. Eu escrevo este texto em primeira pessoa, como psicóloga, porque eu sei o quanto isso dói na vida real: a madrugada vira um lugar de medo, o dia vira um lugar de cansaço, e o ciclo se repete.

Antes de tudo: não existe diagnóstico pela internet. O que dá para fazer aqui é te ajudar a entender o mecanismo, separar mito de cuidado útil e te dar um caminho prático para conversar com seu médico e/ou iniciar mudanças consistentes.

🌙 Por que ansiedade e sono ruim “andam juntas”

A ansiedade constante aumenta o estado de alerta: pensamentos acelerados, tensão muscular, coração mais rápido, respiração curta. O sono, ao contrário, pede queda de alerta. Quando os dois se encontram, muita gente sente que está tentando dormir com o alarme ligado.

Nos meus 5 anos trabalhando no SUS, isso era quase diário: gente que chegava dizendo “não durmo há semanas” e, quando eu perguntava como andava a cabeça, vinha um caminhão de preocupações junto. Eu vi isso em pessoas muito diferentes entre si — desde a mãe solo que fazia dois ônibus para trabalhar, até o senhor aposentado que, depois de uma perda, passou a deitar cedo só para ficar ruminando pensamentos e lembranças. O ponto em comum era quase sempre o mesmo: um corpo cansado e uma mente em estado de alerta, como se estivesse sempre esperando uma notícia ruim.

Quando a gente trata ansiedade e insônia como coisas totalmente separadas, é comum melhorar um pouco e ainda assim continuar dormindo mal. Na prática clínica, eu costumo olhar para as duas pontas ao mesmo tempo: o que está alimentando a ansiedade, e o que está mantendo a insônia (hábitos, medo, rotina irregular). Se fizer sentido, vale ver também quais os sintomas de ansiedade mais comuns, porque muita gente só percebe o padrão quando organiza tudo num “mapa”.

😵‍💫 Entendendo “insonia por ansiedade”: sinais e o que está por trás

A expressão “insonia por ansiedade” costuma descrever um tipo bem específico de noite: a pessoa deita, e o cérebro começa a fazer reunião. Lista de problemas, cenários futuros, conversas do passado, cobranças, e aquele impulso de resolver tudo ali mesmo, às 2h.

Uma cena que ficou em mim foi de uma paciente (vou chamar de L.) que dizia: “Thais, eu tenho medo da minha cama”. Ela não estava exagerando. Só de encostar a cabeça no travesseiro já vinha taquicardia, aperto no peito e um pensamento repetitivo: “e se eu não dormir hoje de novo?”. Isso é muito típico do ciclo ansiedade–sono: a pessoa não dorme, sofre no dia seguinte, e vai para a noite com mais pressão para “ter que dormir”, o que piora tudo. Com a L., o primeiro passo foi devolver à cama o papel de descanso, e não de campo de batalha.

🔎 Sinais comuns de hiperalerta noturno

  • Pensamentos acelerados (ruminação e “e se…” sem fim)
  • Corpo tenso: mandíbula, ombros, estômago apertado
  • Checagens: relógio, celular, “quantas horas faltam?”
  • Medo de não dormir (ansiedade antecipatória)
  • Compensações: cochilos longos, excesso de café, álcool à noite

Um detalhe importante: às vezes a insônia começa com um período difícil (luto, trabalho, doença na família), mas depois ela se mantém pelo medo de dormir mal. Aí o gatilho inicial até passa, mas o cérebro aprendeu a associar cama com alerta.

🔥 Quando “ansiedade causa insônia”: o ciclo corpo-mente

A pergunta “ansiedade causa insônia?” tem uma resposta que pode ser frustrante e, ao mesmo tempo, libertadora: muitas vezes, sim — e também o contrário. É uma via de mão dupla. Ansiedade aumenta cortisol e adrenalina, o cérebro fica mais vigilante, e isso atrapalha iniciar e manter o sono. E dormir mal, por sua vez, deixa o cérebro mais reativo, mais irritadiço e mais ansioso no dia seguinte.

Se você quiser um começo bem pé no chão, eu sugiro esse roteiro. Ele não substitui tratamento, mas organiza a semana.

  • Noite 1–2: definir horário fixo de acordar + tirar o celular da cama.
  • Noite 3: fazer estacionamento de pensamentos em papel + expiração longa por 3 min.
  • Noite 4: se não dormir em 20–30 min, levantar e fazer algo monótono com pouca luz.
  • Noite 5: observar cafeína e cortar após o início da tarde (teste).
  • Noite 6: caminhar 15–30 min em algum momento do dia + luz da manhã.
  • Noite 7: revisar o que funcionou e escolher 2 hábitos para manter por mais 2 semanas.

Se eu pudesse resumir minha experiência em uma frase, seria: o objetivo não é forçar o sono, é reduzir o estado de ameaça. Quando o corpo entende que está seguro, o sono vem como consequência. E isso é construído aos poucos: com rotina possível, com manejo da ansiedade, com apoio, e, quando necessário, com avaliação e tratamento multiprofissional.

Isso não é papo motivacional: é uma mudança de estratégia. Forçar sono geralmente aumenta a pressão. Regular o corpo costuma funcionar melhor.

⚠️ Quando investigar outras causas

Nem toda insônia vem só de ansiedade. Dor crônica, apneia do sono, uso de estimulantes, hormônios, alguns remédios, e até rotina de turnos podem estar por trás. Se ronco alto, pausas na respiração, sonolência diurna intensa, ou despertares com sufoco aparecem, vale investigar com profissional de saúde.

🧭 “ansiedade insônia o que fazer”: um plano prático para hoje

Aqui vai um plano realista. Não é perfeição; é repetição. E, sim, alguns dias você vai falhar. O segredo é voltar no dia seguinte, sem drama.

📌 1) Três regras que mudam o jogo

  • Horário de acordar mais fixo (mesmo quando dormiu mal). É o que reajusta o relógio biológico.
  • Cama = sono: evite trabalhar, discutir, rolar feed e resolver vida na cama.
  • Se não dormiu em 20–30 min, saia da cama e faça algo monótono, com pouca luz, até o sono voltar.

Eu sei: levantar parece castigo. Mas o objetivo é quebrar a associação “cama = alerta”. Isso é base de estratégias usadas na TCC para insônia (TCC-I).

📝 2) “Estacionamento de pensamentos” (bem simples)

Pegue um papel (não o celular) e escreva: (a) o que está te preocupando; (b) um próximo passo possível; (c) quando você vai lidar com isso. Seu cérebro precisa de sensação de encaminhamento, não de solução às 3h.

🌬️ 3) Um exercício de respiração que costuma ajudar

Sem misticismo: alongue a expiração. Por exemplo, inspire contando 4 e expire contando 6 a 8, por 3 a 5 minutos. A expiração longa sinaliza “segurança” para o corpo. Se você tem falta de ar, asma, ou crise de pânico intensa, ajuste com um profissional.

☀️ 4) O que fazer de dia para dormir melhor à noite

  • Luz da manhã no rosto por alguns minutos (janela já ajuda).
  • Movimento quase todos os dias: caminhada conta.
  • Reduzir cafeína depois do início da tarde (teste seu limite).
  • Evitar álcool como “indutor de sono” (ele fragmenta o sono em muita gente).
  • Micro-pauses de desaceleração: 2 minutos de respiração, alongamento, água.

Nem tudo funciona de primeira, e eu gosto de ser honesta sobre isso. Tem paciente que começa meditação e fica mais ansioso no início, porque o silêncio escancara os pensamentos; aí a gente adapta, usa meditação guiada curtinha, relaxamento muscular progressivo, visualização, ou até caminhada leve antes do banho. Tem gente que tenta “higiene do sono” como uma lista rígida e transforma em mais uma cobrança: “falhei, então pronto, não vou dormir”. Isso não ajuda. O que ajuda é construir um plano flexível, que respeite a vida real, e que possa ser repetido mesmo em semanas difíceis.

🧠 Avaliação neuropsicológica e sono: quando a queixa é memória, mas o vilão é a noite

Muita gente procura avaliação neuropsicológica porque sente que está esquecendo coisas, errando no trabalho, travando em conversa, ou ficando irritadiço demais. E, sim, ansiedade pode afetar atenção e memória. Mas a insônia crônica também faz isso, e às vezes a pessoa nem percebe o tamanho do impacto.

Também teve o R., um rapaz que chegou pedindo “um exame” porque jurava que estava ficando com “memória ruim” e achava que era algo neurológico grave. Na avaliação neuropsicológica, o que aparecia não era um déficit fixo; era um padrão de atenção oscilante, lentificação, irritabilidade e falhas de memória de trabalho muito compatíveis com privação de sono e hiperalerta. Em tarefas longas ele começava bem, mas caía de rendimento rápido, como se a bateria acabasse no meio. Eu explicava que, quando o cérebro fica semanas sem descanso de qualidade, ele até registra as coisas, mas não consegue recuperar na hora certa, e isso assusta.

🧩 O que eu observo com frequência na prática

  • Queda de atenção sustentada (você começa bem e despenca).
  • Piora de memória de trabalho (segurar informação enquanto faz outra coisa).
  • Mais impulsividade e reatividade emocional.
  • Sensação de “cérebro em névoa” e dificuldade de iniciar tarefas.
  • Medo de estar “ficando doente”, que retroalimenta a ansiedade.

Uma devolutiva bem feita não serve só para ‘dar um laudo’. Ela organiza o que está acontecendo e cria direção: sono, ansiedade, rotina, ou investigação médica. Quando o sono estabiliza, é comum ver ganhos rápidos em atenção, humor e até dor.

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💊 “remédio para insônia e ansiedade”: como pensar com segurança

Eu vou falar desse assunto do jeito mais responsável possível: existe remédio para insônia e ansiedade, mas ele precisa ser decidido com avaliação individual. Automedicação aqui costuma ser um atalho que cobra caro depois.

E, quando entra o tema de remédio, eu sempre trago a conversa para o cuidado com segurança. Eu já acompanhei casos em que a pessoa se automedicava e ficava pior, seja por efeito rebote, seja por dependência, seja por misturar com álcool. Também vi medicação bem indicada, por um tempo, ajudar a pessoa a sair do buraco e conseguir fazer terapia, retomar atividade física, organizar o sono. Não é demonizar nem romantizar: é avaliar caso a caso, com médico, e manter o foco no que sustenta a melhora no longo prazo.

🩺 O que costuma entrar na conversa com o médico

  • Tempo de sintomas (há quanto tempo, frequência, impacto no dia).
  • Uso de cafeína, álcool e outras substâncias.
  • Comorbidades: depressão, dor, apneia, TDAH, menopausa, etc.
  • Risco de dependência e histórico familiar.
  • Tratamento combinado: psicoterapia (TCC-I/TCC), rotina e, se indicado, medicação.

Em geral, quando a pessoa tem insônia persistente, vale perguntar sobre TCC-I (terapia cognitivo-comportamental para insônia). Muita gente se surpreende porque ela pode ser tão ou mais efetiva do que remédio no longo prazo, especialmente quando o problema virou um hábito de alerta.

⚠️ Um aviso carinhoso sobre “soluções rápidas”

Se você está pensando em aumentar dose por conta própria, misturar substâncias, ou usar remédio de outra pessoa: pausa. Isso é comum quando o desespero bate, eu entendo, mas é exatamente aí que a gente precisa de segurança e orientação.

🍵 “chá para ansiedade e insonia”: o que ajuda (e o que é mito)

Chá pode ajudar? Pode, principalmente como ritual de desaceleração e como substituto de hábitos que atrapalham (álcool, telas, beliscos). Mas não dá para prometer efeito de medicamento.

🌿 Opções populares e cuidados

  • Camomila: costuma ser bem tolerada, mas pode dar alergia em quem tem sensibilidade a plantas da família Asteraceae.
  • Passiflora (maracujá) e valeriana: algumas pessoas relatam sedação; atenção a sonolência no dia seguinte e interações.
  • Erva-cidreira/melissa: pode ser uma boa opção leve, sobretudo para rotina.
  • O que importa: evitar cafeína escondida (mate, preto, verde) se você é sensível.

Grávidas, lactantes, pessoas com doença hepática, uso de anticoagulantes ou outros psicofármacos devem conversar com profissional de saúde antes de usar fitoterápicos com frequência.

Eu gosto de orientar algo simples: se o chá virar um sinal para o cérebro de que o dia acabou, ele funciona melhor. Iluminação mais baixa, banho morno, e nada de ‘resolver vida’ depois do chá.

🧂 “qual o melhor magnésio para insônia e ansiedade”: critérios reais

Magnésio virou assunto grande na internet. Ele participa de funções neuromusculares e pode ter relação com relaxamento, mas isso não significa que todo mundo precisa suplementar.

🔍 O que eu considero um jeito sensato de pensar

  • Primeiro, avalie hábitos: cafeína alta, sono irregular, sedentarismo e estresse crônico costumam pesar mais do que suplemento.
  • Depois, veja com seu médico/nutricionista se faz sentido checar deficiência e condições clínicas (por exemplo, rim).
  • Sobre formas: muita gente tolera bem magnésio glicinato por ser menos laxativo; citrato pode soltar o intestino; outras formas variam em tolerância.
  • Se der diarreia, cólica, ou palpitação, isso é sinal para parar e reavaliar.

Eu não tenho ‘marca do coração’. O melhor magnésio, na prática, é o que faz sentido para o seu corpo, seu histórico e sua segurança. E, de novo: sem rotina, ele vira aposta.

🌿 “óleo essencial para insônia e ansiedade”: como usar sem se enganar

Aromaterapia pode ser um recurso complementar. O mecanismo mais plausível é associação e relaxamento: cheiro + ritual + respiração mais lenta = sinal de desaceleração.

🕯️ Como usar com bom senso

  • Preferir difusor ou inalação indireta (algumas gotas no ambiente), em vez de passar direto na pele sem orientação.
  • Fazer teste de sensibilidade e evitar em crianças pequenas sem orientação profissional.
  • Se você tem asma, rinite forte ou enxaqueca, observe se o cheiro piora os sintomas.
  • Óleo essencial não substitui terapia nem tratamento médico. Ele pode ser a “trilha sonora” do relaxamento, não o relaxamento em si.

Lavanda costuma ser a mais citada para sono, mas até ela não funciona para todo mundo. O critério é: te acalma ou te irrita? Se irrita, não insista só porque ‘todo mundo usa’.

👂 “auriculoterapia para ansiedade e insonia”: quando pode ser boa ideia

Auriculoterapia é uma prática bastante procurada, inclusive em serviços de saúde, como complemento. Muita gente relata sensação de relaxamento e redução de tensão.

🧩 O que eu vejo funcionar melhor

  • Quando entra como parte de um plano (rotina + terapia + cuidado médico quando necessário).
  • Quando a pessoa usa a sessão como um lembrete de autocuidado, e não como “última esperança”.
  • Quando há continuidade e metas claras: reduzir alerta, melhorar rotina, aprender manejo de ansiedade.

Se você gosta, ótimo. Só não coloque toda a responsabilidade em um único recurso. Insônia e ansiedade geralmente melhoram com combinação de estratégias, não com uma bala de prata.

🚩 Sinais de alerta e quando procurar ajuda

Procure avaliação profissional se a insônia acontece pelo menos 3 noites por semana e já dura meses, ou se está te derrubando durante o dia (sonolência, irritabilidade, erros, risco no trânsito).

  • Pensamentos de autoagressão ou desespero extremo.
  • Crises de pânico frequentes ou falta de ar intensa.
  • Uso crescente de álcool/remédios para ‘apagar’.
  • Ronco alto com pausas respiratórias, ou sonolência perigosa durante o dia.

Pedir ajuda não é exagero. É estratégia.

🧩 O que costuma atrapalhar (e quase ninguém percebe)

  • Compensar no fim de semana dormindo até tarde: dá alívio curto, mas bagunça o relógio.
  • Cochilos longos depois das 16h: para muita gente, é receita de noite ruim.
  • Tela na cama: a luz e o conteúdo mantêm o cérebro ligado.
  • Ficar checando horário: aumenta pressão e ansiedade antecipatória.
  • Exercício muito intenso tarde da noite: pode manter o corpo acelerado.

Eu não gosto de regras rígidas, eu gosto de experimentos. Você testa uma mudança por 7 a 14 dias e observa. Ajusta. Isso é mais humano do que “ou tudo ou nada”.

💬 Como a psicoterapia ajuda: individual e em grupo

A psicoterapia não é só falar da infância (embora às vezes ajude, sim). Ela é treino de habilidades: lidar com pensamento acelerado, tolerar incerteza, regular emoção e criar rotina possível.

Já nos grupos terapêuticos, a força é outra. Eu coordenei grupos em que a insônia era o assunto de entrada, mas rapidamente virava um grupo de regulação emocional. Tinha gente que aprendia que cochilar duas horas no fim da tarde “para compensar” estava roubando o sono da noite; outras pessoas percebiam que estavam usando o celular como anestesia e, sem perceber, se estimulando mais. Uma participante (M.) falava que o chá era o único momento do dia em que ela se tratava com delicadeza. O chá, sozinho, não fazia milagre, mas aquele ritual abria uma fresta de cuidado que depois a gente ampliava.

🧠 Em terapia individual, o foco costuma ser

  • Identificar gatilhos e padrões de preocupação.
  • Trabalhar crenças como “se eu não dormir, vou desmaiar/fracassar” (a cabeça aumenta o perigo).
  • Treinar relaxamento e estratégias de desaceleração que funcionem para você.
  • Organizar rotina e limites, porque ansiedade muitas vezes é vida sem pausa.

🤝 No grupo, além do conteúdo, tem pertencimento

O grupo normaliza, dá troca e cria compromisso leve: você vê o outro tentando e pensa ‘eu posso tentar também’. Para algumas pessoas, isso muda tudo.

📆 Um plano de 7 noites para começar a quebrar o ciclo

Se você quiser um começo bem pé no chão, eu sugiro esse roteiro. Ele não substitui tratamento, mas organiza a semana.

  • Noite 1–2: definir horário fixo de acordar + tirar o celular da cama.
  • Noite 3: fazer estacionamento de pensamentos em papel + expiração longa por 3 min.
  • Noite 4: se não dormir em 20–30 min, levantar e fazer algo monótono com pouca luz.
  • Noite 5: observar cafeína e cortar após o início da tarde (teste).
  • Noite 6: caminhar 15–30 min em algum momento do dia + luz da manhã.
  • Noite 7: revisar o que funcionou e escolher 2 hábitos para manter por mais 2 semanas.

Se eu pudesse resumir minha experiência em uma frase, seria: o objetivo não é forçar o sono, é reduzir o estado de ameaça. Quando o corpo entende que está seguro, o sono vem como consequência. E isso é construído aos poucos: com rotina possível, com manejo da ansiedade, com apoio, e, quando necessário, com avaliação e tratamento multiprofissional.

😴 Tipos de insônia: inicial, intermediária e terminal (e onde a ansiedade entra)

Uma forma bem prática de entender o seu padrão é observar em qual pedaço da noite a dificuldade aparece. Isso muda a estratégia.

  • Insônia inicial: dificuldade para pegar no sono. Aqui a ansiedade costuma aparecer como pensamento acelerado e corpo em alerta.
  • Insônia intermediária: você adormece, mas acorda no meio da noite e demora a voltar. Muitas vezes tem relação com estresse, hábitos (álcool, telas), ou condicionamento do sono.
  • Insônia terminal: acordar muito cedo e não conseguir dormir de novo. Pode estar ligada a ansiedade, humor deprimido, ou rotina desalinhada.

Saber o tipo não é para colocar rótulo, é para direcionar: se você tem insônia intermediária, por exemplo, ‘forçar’ a ficar na cama pode piorar a associação com vigília. Se você tem insônia inicial, talvez o alvo principal seja desacelerar antes de deitar e reduzir o tempo de ruminação.

🛏️ Higiene do sono sem perfeccionismo: o que realmente faz diferença

Higiene do sono virou um termo meio batido, mas tem coisa ali que é ouro. O erro é transformar em lista rígida. Eu prefiro pensar em pilares.

🧱 Pilar 1: relógio biológico

  • Acordar no mesmo horário na maioria dos dias.
  • Luz pela manhã e menos luz forte à noite.
  • Evitar variar mais de 1–2 horas no fim de semana, se possível.

🧱 Pilar 2: associação cama-sono

  • Cama para dormir e intimidade. O resto, fora.
  • Se a mente ‘liga’, levante e volte só quando o sono aparecer.
  • Evite usar a cama como lugar de briga consigo mesmo.

🧱 Pilar 3: desaceleração gradual

  • Criar um “ritual de aterrissagem” de 30 a 60 minutos: banho, luz baixa, alongamento leve.
  • Escolher um conteúdo monótono (livro leve, música calma, podcast sem temas estimulantes).
  • Se a ansiedade é alta, usar respiração, relaxamento muscular ou meditação guiada curta.

Quando eu vejo alguém dizer “fiz higiene do sono e não adiantou”, muitas vezes a pessoa tentou por 3 dias, ou tentou como obrigação. Sono melhora com consistência, e consistência combina mais com gentileza do que com chicote.

🌀 Crise de ansiedade na madrugada: o que fazer em 10 minutos

Tem noite que o plano falha e a ansiedade explode. Nessa hora, o objetivo não é ‘dormir agora’. O objetivo é reduzir pico fisiológico.

⏱️ Um protocolo curto que eu ensino bastante

  • 1 minuto: levantar, beber um pouco de água, ir ao banheiro (sem acender luz forte).
  • 3 minutos: expiração longa (4 para inspirar, 6–8 para expirar), sem prender o ar.
  • 3 minutos: relaxamento muscular progressivo (ombros, mandíbula, mãos), só soltar, não é alongamento forte.
  • 3 minutos: frase âncora: “Meu corpo está em alarme, não em perigo. Isso passa.” Repetir como mantra simples.

Se vier pensamento catastrófico (“vou enlouquecer”, “vou morrer”), trate como pensamento, não como verdade. Ansiedade é boa em contar histórias assustadoras, principalmente de madrugada.

🧩 Quando o problema é a preocupação: como lidar com ruminação

Ruminação é aquele modo ‘liquidificador’: você pensa, pensa, pensa e não resolve. De noite ela fica mais cruel porque o cérebro cansado resolve pior.

📓 Técnica do “tempo de preocupação”

Escolha 15 minutos do seu dia (não à noite) para se preocupar de propósito. Parece estranho, mas funciona por dois motivos: você treina o cérebro a adiar, e você transforma preocupação difusa em tarefa com começo e fim.

  • Durante o dia, quando a preocupação vier, diga: “isso é para o meu horário” e anote em uma lista.
  • No horário, leia a lista e se pergunte: o que está no meu controle? Se estiver, defina um próximo passo. Se não estiver, pratique soltar.
  • À noite, se a cabeça insistir, você lembra: “eu já tenho um lugar para isso amanhã”.

Não é mágica, mas com prática reduz muito aquela sensação de que a noite é o único momento em que você ‘pode pensar’.

🚫 Coisas que parecem ajudar, mas costumam piorar o ciclo

Aqui eu vou ser bem direta, porque eu vejo isso o tempo todo:

  • Álcool para dormir: pode até dar sonolência, mas fragmenta o sono e aumenta despertares em muita gente.
  • Ficar na cama brigando com o sono: a cama vira sinônimo de vigília e ansiedade.
  • Maratonar série “para distrair”: distração vira estímulo e o cérebro continua acordado.
  • Dobrar cafeína no dia seguinte: você cria um sobe-e-desce que alimenta ansiedade e piora a noite seguinte.
  • Compensar com cochilo longo: alivia na hora, mas rouba pressão de sono.

Não é para nunca mais fazer nada disso. É para perceber o custo. Se você escolhe álcool, por exemplo, faça sabendo que pode pagar com uma madrugada picada.

👩‍⚕️ Avaliação médica: quando faz sentido e o que costuma ser investigado

Quando a insônia persiste, é comum o médico investigar causas e comorbidades. Isso ajuda a evitar tratar só o sintoma.

  • História clínica e higiene do sono (rotina, telas, substâncias).
  • Sintomas de apneia (ronco, pausas, sonolência diurna).
  • Questões hormonais (por exemplo, menopausa com ondas de calor).
  • Uso de medicamentos que podem afetar o sono.
  • Em alguns casos, exame de sono (polissonografia) ou encaminhamento para especialista.

O que eu gosto de combinar com a pessoa é: leve um mini diário do sono por 7 a 14 dias. Horário que deitou, que dormiu (estimativa), despertares, café, álcool, cochilos. Isso dá uma clareza absurda na consulta.

🧠 Insônia e transtornos de ansiedade: quando vira diagnóstico

Nem toda ansiedade é transtorno, e nem toda insônia é crônica. Mas quando os sintomas ficam persistentes e te limitam, pode fazer sentido avaliar critérios diagnósticos com profissional.

Na prática, eu presto atenção a três coisas: (1) frequência e duração; (2) prejuízo no dia; (3) estratégias que você está usando para lidar. Quando a estratégia principal vira evitar, controlar e fugir do desconforto, a ansiedade tende a crescer e a insônia tende a se manter.

🧭 Uma pergunta que eu faço bastante

“O que você faz quando sente ansiedade à noite?” Se a resposta é: ficar no celular, checar relógio, beber, procurar ‘dica nova’ sem parar, isso mostra que o cérebro entrou em modo sobrevivência. A gente consegue mudar isso, mas precisa de plano, não de improviso.

🫶 Uma palavra sobre autocobrança: você não está falhando

Eu repito isso porque faz diferença: dormir não é prova de caráter. Quando a insônia aparece, muita gente vira juiz de si mesmo, e isso só aumenta o estado de ameaça.

Se você está lendo isso cansado(a), você não precisa se cobrar por “fazer tudo certo”. Escolha duas mudanças possíveis e comece. O resto vem com o tempo, e com apoio.

📚 Referências e leituras confiáveis

Abaixo estão algumas leituras e diretrizes úteis (não são as páginas que você viu no Google, são referências mais técnicas e científicas):

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Perguntas Frequentes sobre: Ansiedade e insônia: por que andam juntas e como melhorar

Se a piora vem junto de preocupação excessiva, tensão e medo de não dormir, é comum ser ansiedade mantendo a vigília. Mas ronco alto, pausas na respiração, dor, uso de estimulantes e hormônios também podem causar insônia. Se persiste por semanas e prejudica o dia, vale avaliação profissional.
Levante, evite luz forte e faça algo monótono. Use expiração longa (ex.: 4 para inspirar, 6–8 para expirar) por alguns minutos. Se não voltar o sono em 20–30 min, permaneça fora da cama até sentir sonolência. Evite celular e checar relógio.
Pode ajudar como ritual de desaceleração (especialmente se substituir álcool e telas), mas não é “remédio”. Camomila, melissa e passiflora são comuns; atenção a alergias e interações, principalmente se você usa medicamentos ou está grávida/lactando.
Não existe um “melhor” universal. Em geral, o magnésio glicinato costuma ser bem tolerado; o citrato pode soltar o intestino. O ideal é avaliar necessidade e segurança com profissional, sobretudo se houver doença renal, uso de vários remédios, diarreia ou palpitações.
Pode ser um complemento para relaxamento e redução de tensão, principalmente quando faz parte de um plano maior (rotina, terapia, avaliação médica). O resultado varia; observe se melhora o estado de alerta e o padrão de sono ao longo de algumas sessões, sem abandonar cuidados de base.

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