Ansiedade dá enjoo

Ansiedade dá enjoo e parece que o estômago “vira” justo na hora errada. Aqui eu explico por que ansiedade dá enjoo, o que fazer na crise, como melhorar com rotina e psicoterapia, e quando investigar outras causas de náusea ansiedade.

Sumário de "Ansiedade dá enjoo"

Ansiedade-da-vontade-de-vomitar-Capa-do-Artigo
Foto da Psicologa em Florianopolis Thais Barbi

Thais Barbi

Número de Registro: CRP12-08005

+ 20.000 Pessoas Acolhidas em 15 anos
+ 300 Avaliações Neuropsicológicas realizadas
+ 30.000 Leitores nos acompanham mensalmente

Instituçoes e empresas que confiam na neuropsicologa Thais Barbi 3
Empresas e instituicoes que confiam na neuropsicologa Thais Barbi

🤢 Introdução sobre: Ansiedade dá enjoo

Se você está lendo isso porque sentiu um embrulho no estômago e pensou “pronto, vou passar mal”, eu te entendo. Na prática clínica, eu vejo esse combo aparecer muito: preocupação + corpo em alerta = náusea, enjoo, ânsia, às vezes um refluxo que parece “do nada”. E o mais confuso é que, quando bate, dá a sensação de que o estômago “mandou em você”.

Eu gosto de começar com um alívio: enjoo por ansiedade crônica existe e é mais comum do que parece. O corpo e a mente estão conectados. Quando a cabeça acelera, o sistema nervoso muda a respiração, a circulação e a digestão. Não é dramatização, não é fraqueza, não é invenção.

Eu também vou ser bem honesta: nem toda náusea é ansiedade. Então a gente vai falar de sinais de alerta, de quando investigar outras causas, e de como fazer um plano que une alívio imediato + tratamento de base.

Ao longo dos anos, trabalhando no SUS e na clínica, aprendi a traduzir esse sintoma em linguagem simples: o corpo não está inventando. A ansiedade muda a respiração, a química do estresse e o jeito que o intestino se movimenta. É como se o organismo dissesse “tem algo perigoso aqui”, mesmo quando o “perigo” é uma reunião, uma prova, uma mensagem no celular.

Neste texto eu vou te mostrar, com um olhar bem humano, por que a ansiedade dá enjoo, o que fazer na hora e como tratar a raiz. E também vou falar do que eu observo na avaliação neuropsicológica quando o corpo entra nesse modo alerta. Vamos juntos.

🤢 Quando a busca é “ansiedade da enjoo”: o que esse sintoma costuma dizer

Tem gente que descreve como “mareio”, outros como “um nó na boca do estômago”, outros como “fome e enjoo ao mesmo tempo”. Quando a pessoa digita “ansiedade da enjoo” no Google, normalmente ela está tentando entender uma coisa: por que o corpo parece descompassar justamente quando a mente está preocupada.

Nos quase cinco anos em que trabalhei no SUS, vi o enjoo aparecer em gente de todo tipo: adolescente antes da prova, cuidador exausto, homem que tinha vergonha de chorar e só dizia que estava “passando mal”, mulher com três jornadas e um corpo que já não aguentava mais. O que mudava era a história, mas o corpo contava sempre a mesma mensagem: alerta demais, descanso de menos.

Na minha experiência, o enjoo aparece em três cenários bem comuns: (1) antes de eventos avaliativos (apresentações, entrevistas, provas), (2) em situações sociais que geram vergonha ou medo de julgamento, e (3) depois de períodos longos de estresse “segurando as pontas”, quando o corpo finalmente cobra a conta.

Eu me lembro direitinho de uma tarde no SUS em que uma paciente entrou na sala com uma sacolinha na mão. Ela disse: “Thais, eu trouxe o que eu como quando dá o enjoo”. Era uma bolacha água e sal e uma garrafinha de água. Ela não estava “fazendo charme”: ela estava tentando sobreviver ao dia, porque toda vez que precisava sair de casa, o estômago virava.

🧭 Como saber se o enjoo está “colado” na ansiedade

  • Ele aparece em momentos de antecipação: véspera, manhã de compromisso, fila, sala de espera.
  • Ele melhora quando você se acalma: depois de respirar, conversar com alguém, sair do gatilho.
  • Ele vem com outros sinais de alerta: coração acelerado, suor frio, tremor, urgência para ir ao banheiro, pensamento acelerado.
  • Ele repete um padrão: sempre em lugares/situações parecidas (ônibus, reunião, apresentação).

Quando esse padrão está claro, a pergunta deixa de ser “como eu faço o enjoo sumir?” e vira: “como eu regulo meu sistema nervoso para ele parar de disparar?” Se você quiser mapear melhor o quadro completo, vale ver também sintomas da ansiedade.

🧠 O ciclo “medo do enjoo” que mantém o problema

Um detalhe importante: muita gente não tem só ansiedade — tem ansiedade da própria sensação. A pessoa começa a enjoar, pensa “vou vomitar”, o coração acelera, a respiração muda, e aí o enjoo aumenta. Isso vira um ciclo: enjoo → medo → mais ansiedade → mais enjoo.

Eu também vi gente melhorar quando parou de lutar contra o sintoma e passou a dizer: “ok, eu estou enjoada e ainda assim posso caminhar até a padaria”. Parece pouco, mas isso é exposição gentil. O corpo aprende por experiência, não por discurso.

  • Sinal de alerta emocional: quando você evita lugares, comidas ou compromissos “porque vai dar enjoo”, a ansiedade vai ganhando território.
  • Boa notícia: esse ciclo é treinável. Com técnica e repetição, o corpo reaprende que sensação não é perigo.

😣 Quando vira fobia de vomitar (emetofobia)

Em alguns casos, o foco principal vira o medo de vomitar em público. A pessoa passa a escanear o estômago o tempo inteiro, evita transporte, restaurantes, consultas, viagens. E isso dá muito sofrimento. A boa notícia é que, com psicoterapia (principalmente exposição gradual e trabalho com pensamentos), dá para recuperar a vida.

🧩 “porque a ansiedade causa enjoo”: o que acontece no corpo

Vamos abrir essa “caixa-preta” do organismo. Quando você se sente ameaçado (mesmo por uma ameaça simbólica, tipo ser criticado), o corpo ativa a resposta de luta, fuga ou congelamento. Isso mexe com adrenalina, cortisol, tensão muscular e principalmente com a respiração.

🧠 “Modo emergência” e digestão em segundo plano

Do ponto de vista biológico, faz sentido: se o corpo acha que precisa correr ou se defender, ele não quer gastar energia digerindo. Então ele muda secreções, motilidade intestinal e sensibilidade visceral. Algumas pessoas têm diarreia; outras sentem estômago travado; outras ficam com refluxo e náusea sem vômito.

🌬️ Respiração curta = mais tontura e mais náusea

Na ansiedade, é comum a respiração ficar alta e rápida. Às vezes você nem percebe. Só que isso muda o equilíbrio de gases no sangue, aumenta tontura, dá sensação de “fraqueza” e pode piorar enjoo. É por isso que respirar é “básico”, mas é básico porque funciona.

Uma coisa que eu aprendi atendendo no SUS é que orientar só “respira fundo” pode soar vazio, porque a pessoa está no modo sobrevivência. Então eu gosto de ensinar respiração com função: inspirar mais curto, soltar mais longo, como se você estivesse apagando uma vela devagar. Em poucos minutos, a náusea costuma reduzir um ponto ou dois, e isso já devolve controle.

🧠↔️🦠 Eixo intestino-cérebro: o “segundo cérebro” reagindo

O intestino tem um sistema nervoso próprio e conversa com o cérebro o tempo todo. Em estado de alerta, o corpo tende a despriorizar a digestão. Pode acelerar o intestino (diarreia), aumentar ácido (queimação), ou dar aquela sensação de estagnação (enjoo sem vomitar).

  • Se você tem gastrite, refluxo ou intestino irritável, a ansiedade costuma “acender” esses sintomas com mais facilidade.
  • Cheiros, lugares e pensamentos entram na conta: o cérebro aprende associações (“sala de aula = enjoo”), e o corpo responde antes mesmo de você querer.
  • Jejum prolongado pode piorar: estômago vazio + ansiedade = mais acidez, mais tremor, mais mal-estar.

Nos grupos, eu também gosto de trabalhar a vergonha: aquela sensação de “se eu enjoar, vão perceber, vão me julgar”. A gente faz ensaio de frases simples (“posso respirar um pouco aqui?”, “vou tomar uma água e já volto”), porque ter um plano reduz o pânico. É impressionante como o corpo se acalma quando a mente tem um roteiro, mesmo que o enjoo apareça.

🧪 O que eu observo na avaliação neuropsicológica

Em avaliação neuropsicológica, eu já vi um padrão bem frequente em quem tem enjoo com ansiedade: atenção muito colada no corpo e uma dificuldade de desligar o “monitoramento interno”. A pessoa percebe qualquer mudança mínima — um ruído no estômago, uma saliva diferente, um calor na pele — e interpreta como ameaça. Quando a gente treina flexibilidade atencional (sem violência, no ritmo da pessoa), os sintomas físicos costumam cair.

Na prática, eu vejo muito “túnel atencional”: a pessoa perde a noção do todo e fica só no sintoma. E aqui uma mudança pequena é enorme: aprender a alternar foco (corpo ↔ ambiente) sem brigar consigo.

  • Exemplo simples: em vez de “será que vou vomitar?”, mudar para “o que eu vejo aqui? quantos sons eu escuto agora?”.
  • Outro exemplo: usar uma frase âncora (“meu corpo está em alerta, isso passa”) e repetir como quem volta para casa.

Uma parte importante da avaliação neuropsicológica é diferenciar ansiedade de outras questões que também mexem com o corpo, como TDAH, transtornos do sono e uso excessivo de estimulantes. Às vezes a pessoa vive cansada, desorganizada, se culpa, e a ansiedade vem depois — como consequência. Quando a gente organiza rotina, ajusta expectativas e trata a base, a náusea diminui quase como efeito colateral positivo.

🌿 “por que ansiedade da enjoo”: diferenças entre ansiedade, pânico e estresse

A pergunta “por que ansiedade da enjoo” aparece muito quando a pessoa tenta comparar experiências: “eu fico ansiosa e enjoada, mas minha amiga tem ansiedade e não sente isso”. E faz sentido: cada corpo expressa o alerta de um jeito.

Ansiedade antecipatória

É aquela que começa antes do evento: você imagina cenários, ensaia conversa, pensa no “e se der errado”. O enjoo aqui costuma ser gradual: vai crescendo conforme o pensamento se repete.

🚨 Ataque de pânico

No pânico, o pico é rápido. A pessoa pode sentir náusea, vontade de ir ao banheiro, tremor, falta de ar, formigamento, sudorese fria. Muitas vezes ela acha que é algo grave, e isso intensifica. O enjoo vira parte desse “alarme falso”.

🧱 Estresse prolongado

No estresse de longa duração, o enjoo pode virar um “companheiro” diário, principalmente pela manhã ou antes de comer. Aqui eu olho muito para rotina, sono, cafeína, e para o quanto a pessoa está sustentando a vida no modo “no limite”.

Teve uma mãe solo que sempre enjoava na semana do aluguel. Ela dizia: “meu estômago sabe a data”. A gente trabalhou planejamento financeiro possível, rede de apoio e, principalmente, autocompaixão — porque ela se cobrava como se estivesse sozinha por escolha. Conforme ela parou de se atacar, o corpo parou de atacar também.

🧯 Guia prático: “enjoo por ansiedade o que fazer” sem piorar a crise

Se você está no meio do aperto, o objetivo é simples: reduzir o alarme do sistema nervoso. Não é “controlar o estômago na marra”. É acalmar o corpo para o estômago parar de receber sinal de perigo.

⏱️ Roteiro de 5 minutos (para a hora H)

  1. Nomeie: “isso é ansiedade no meu corpo”. Só de nomear, o alarme perde força.
  2. Postura: pés no chão, ombros soltos, mandíbula destravada, barriga sem apertar.
  3. Respiração 4–6: puxe o ar pelo nariz contando 4, solte pela boca contando 6. Repita por 2–3 minutos.
  4. Âncora sensorial: escolha 1 coisa para ver, 1 para tocar, 1 para ouvir. (Tira as “antenas” do estômago.)
  5. Goles pequenos: água ou chá morno; evite engolir grandes volumes de uma vez.
  6. Frase curta: “não gosto, mas eu consigo atravessar”.

Na clínica, eu costumo combinar duas coisas ao mesmo tempo: aliviar o agora (técnicas na crise) e tratar o padrão (psicoterapia, rotina, às vezes psiquiatria). Quando só a técnica entra, a pessoa até melhora, mas volta a cair nos mesmos gatilhos. Quando só a conversa entra, a pessoa entende tudo, mas continua passando mal. Juntas, as duas coisas viram um caminho sólido.

🍞 O que comer (e o que evitar) quando o estômago está sensível

Eu não gosto de lista rígida, porque cada corpo reage de um jeito. Mas existem padrões bem comuns quando o enjoo é de ansiedade:

  • Melhor tolerância: alimentos secos e simples (torrada, bolacha água e sal, arroz, banana), porções pequenas.
  • Hidratação: água em goles, água de coco, chá morno. (Evite muito gelado se isso te dá contração.)
  • Cuidado com: fritura, pimenta, cafeína em jejum, álcool, grandes volumes de comida de uma vez.
  • Se o enjoo é de manhã: experimente algo mínimo antes do café (uma fruta, uma torrada).

E sim: comer pouco e muitas vezes costuma funcionar melhor do que “ficar sem comer para não vomitar”.

Capa-da-Psicoterapia-Geral-TCC-para-todas-as-pessoasCapa-da-Psicoterapia-Geral-TCC-para-todas-as-pessoas

🛠️ “enjoo ansiedade como melhorar”: estratégias que funcionam no dia a dia

Melhorar não é virar uma pessoa “sem ansiedade”. É ficar com uma ansiedade mais proporcional, e com um corpo que não dispara enjoo por qualquer sinal. Quando alguém me pergunta “enjoo ansiedade como melhorar”, eu penso em três camadas: corpo, mente e contexto.

🏃 Corpo: rotina que estabiliza

  • Comer em horários previsíveis (mesmo que porções pequenas) reduz o “vazio com enjoo”.
  • Diminuir cafeína (principalmente em jejum) faz diferença para muita gente.
  • Movimento diário (caminhada, alongamento, dança) regula estresse e melhora digestão.
  • Sono: se você dorme mal, o corpo acorda mais reativo. É como começar o dia já com o alarme ligado.
  • Telas e notícias: se o cérebro acorda com rolagem infinita, ele acorda em alerta. Tente trocar os primeiros 10 minutos do dia por algo mais neutro.

🧠 Mente: treinar pensamentos sem entrar na espiral

Aqui entra um trabalho bem “pé no chão”: perceber o pensamento catastrófico (“vou vomitar, vai ser horrível”) e construir uma resposta mais realista (“eu já senti isso antes, o pico passa, posso pedir ajuda”). Não é positividade tóxica. É realismo gentil.

Na psicoterapia individual, eu costumo perguntar: “em que momento do dia o enjoo começa?” e “o que você está tentando engolir sem dizer?”. Às vezes a resposta é literal (café em jejum, noites mal dormidas), mas muitas vezes é emocional: engolir raiva, engolir medo, engolir um ‘sim’ que era para ser ‘não’.

🗓️ Um exercício que eu gosto: diário do enjoo

Por 7 dias, anote: horário, intensidade (0–10), o que você estava pensando, o que comeu, e o que ajudou. Esse diário revela padrões que a gente não vê no automático. E dá uma sensação boa de “ok, eu consigo mapear isso”.

Na clínica, eu já vi muita gente melhorar quando percebe que o enjoo aparece sempre depois de passar horas sem comer, ou sempre após café forte, ou sempre antes de um contato específico que gera ansiedade. O corpo fala em padrões.

🧩 Contexto: reduzir ameaça real e construir apoio

Tem vezes que o tratamento não é só “trabalhar a mente”. É ajustar o ambiente: limites no trabalho, conversa difícil, reorganizar rotina, pedir ajuda. E sim, isso dá medo. Mas viver tentando “aguentar tudo” custa caro no corpo.

Teve um rapaz que dizia que o enjoo era “um rádio ligado” no estômago. Ele acordava bem, mas bastava olhar o celular e ver mensagens acumuladas do trabalho que a náusea subia. A gente foi percebendo que não era o celular em si: era a sensação de estar atrasado, de falhar, de ser cobrado o tempo inteiro. Quando ele começou a organizar pequenas prioridades e a conversar com o chefe, o estômago foi ficando mais quieto.

E se você sente que está sozinho nessa, eu reforço: apoio social é fator de proteção. Não precisa ser um monte de gente. Pode ser uma pessoa segura.

💊 “como tratar o enjoo da ansiedade”: psicoterapia, hábitos e, às vezes, remédio

A frase “como tratar o enjoo da ansiedade” é, no fundo, uma pergunta sobre raiz: “eu quero parar de viver refém do meu estômago”. E eu acredito muito nesse caminho, porque eu vejo acontecer.

🗣️ Psicoterapia individual

Em terapia, a gente trabalha três frentes: entender gatilhos, reduzir a hipervigilância do corpo e ampliar repertório de enfrentamento. TCC (terapia cognitivo-comportamental) ajuda bastante com reestruturação de pensamentos e exposição gradual; ACT (aceitação e compromisso) ajuda a mudar a relação com o desconforto; e abordagens focadas no corpo (respiração, aterramento, relaxamento) são ótimas para a parte fisiológica.

👥 Psicoterapia em grupo

Também já acompanhei pessoas em psicoterapia em grupo que tinham medo de vomitar em público. E não era frescura. Era um pavor tão grande que elas evitavam ônibus, restaurantes, salas fechadas. No grupo, quando alguém dizia “eu sinto isso também”, dava para ver o corpo relaxar um pouco, como se a vergonha perdesse força.

Nos grupos, eu também gosto de trabalhar a vergonha: aquela sensação de “se eu enjoar, vão perceber, vão me julgar”. A gente faz ensaio de frases simples (“posso respirar um pouco aqui?”, “vou tomar uma água e já volto”), porque ter um plano reduz o pânico. É impressionante como o corpo se acalma quando a mente tem um roteiro, mesmo que o enjoo apareça.

Eu já conduzi grupos de psicoeducação em que a gente ensaiava exatamente isso: nomear o sintoma (“é ansiedade”), ajustar a respiração, ficar no ambiente por mais alguns minutos e perceber: o pico passa. Não é mágica. É treino.

🩺 Quando considerar avaliação médica e medicação

Quando o paciente relata enjoo e ansiedade, eu sempre investigo também se há história de enxaqueca, refluxo, uso de medicamentos, e até mudanças hormonais (TPM, menopausa). Eu não gosto de reduzir tudo a “psicológico”, porque o corpo é um sistema inteiro. Ao mesmo tempo, quando exames estão ok e o padrão é claro, é um desperdício de sofrimento não tratar a ansiedade de frente.

Se o enjoo é frequente, intenso, ou vem com perda de peso, vômitos persistentes, sangue, desmaios, dor forte, febre, vale investigar com clínico e/ou gastro para descartar causas orgânicas. E em alguns casos, a combinação de psicoterapia com acompanhamento psiquiátrico (e medicação) pode ser indicada — especialmente quando há transtorno de ansiedade mais estruturado, pânico ou depressão.

Eu sempre digo: medicação não é “fraqueza”, mas também não é a única saída. Quando ela entra de forma bem acompanhada, pode baixar o volume do alarme para a pessoa conseguir fazer o trabalho terapêutico com mais fôlego.

🧠 Quando a avaliação neuropsicológica ajuda de verdade

Algumas pessoas chegam com enjoo e ansiedade, mas por trás existe uma combinação de desatenção, privação de sono e autocobrança intensa. A avaliação neuropsicológica pode ajudar a entender se há TDAH, dificuldades executivas, ou um padrão de funcionamento que mantém a vida no “apagar incêndio”. Quando a base organiza, o corpo agradece.

Uma última coisa: eu nunca prometo que o sintoma some de um dia para o outro. Mas eu vejo, com muita frequência, a pessoa recuperar autonomia em semanas: ela volta a sair, volta a comer com mais tranquilidade, volta a viajar. E quando a autonomia volta, o enjoo perde o palco.

🤰 “náusea ansiedade”: quando investigar outras causas

Nem toda “náusea ansiedade” é ansiedade, e isso é importante. Às vezes a ansiedade até está presente, mas coexistem outras causas. Eu prefiro uma postura segura: acolher o sintoma, mas não romantizar.

  • Procure avaliação médica se houver vômitos persistentes, sinais de desidratação, sangue no vômito ou nas fezes, febre alta, dor abdominal forte ou perda de peso sem explicação.
  • Considere outras possibilidades quando o enjoo vem com dor de cabeça forte (enxaqueca), tontura giratória (labirintite), queimação intensa (refluxo/gastrite), atraso menstrual (gravidez) ou após iniciar algum medicamento.
  • Se a náusea te impede de viver (trabalho, estudo, social), isso já é motivo suficiente para buscar ajuda profissional, mesmo que exames estejam normais.

Em vários casos, o que não funcionou foi tentar cortar tudo: cortar comida, cortar social, cortar compromissos, cortar emoção. A pessoa fica com a vida pequena, e o enjoo vira o centro de tudo. O que funcionou melhor foi fazer o contrário: ampliar a vida aos poucos, com segurança, e ensinar o corpo que desconforto não é catástrofe.

Ao mesmo tempo, quando exames estão ok e o padrão é “enjoo aparece com preocupação”, vale muito olhar para ansiedade como causa principal. Não porque seja “coisa da sua cabeça”, mas porque é coisa do seu sistema nervoso.

Eu também já vi a náusea virar um sinal de trauma: gente que passou por situações de ameaça real e ficou com o corpo sempre pronto para o pior. Nesses casos, além de técnicas de ansiedade, a gente precisa trabalhar segurança, memória emocional e reconstrução de confiança. Quando isso acontece, a melhora não é só “parar de enjoar”, é voltar a habitar o próprio corpo.

🧒 Crianças e adolescentes

Quando é criança/adolescente, eu olho com carinho para escola, social e família. Enjoo antes de aula pode ser ansiedade de separação, bullying, pressão, ou até rotina desregulada de sono e alimentação. O foco é proteger, nomear emoções e criar estratégias com os adultos responsáveis.

Já atendi adolescente que enjoava antes da escola e a família achava que era “corpo mole”. Na verdade, ele sofria bullying e tinha medo de entrar na sala. Quando a gente trabalhou proteção, comunicação com a escola e habilidades sociais, o enjoo foi desaparecendo. Foi um lembrete forte de que o sintoma não é manipulação: é linguagem do corpo.

🌱 Fechamento: dá para sair desse ciclo

Quando o paciente relata enjoo e ansiedade, eu sempre investigo também se há história de enxaqueca, refluxo, uso de medicamentos, e até mudanças hormonais (TPM, menopausa). Eu não gosto de reduzir tudo a “psicológico”, porque o corpo é um sistema inteiro. Ao mesmo tempo, quando exames estão ok e o padrão é claro, é um desperdício de sofrimento não tratar a ansiedade de frente.

Se eu pudesse resumir em uma frase seria: o enjoo é um mensageiro, não um inimigo. Ele costuma aparecer quando o corpo está tentando te proteger do jeito que aprendeu. Com psicoeducação, técnicas e suporte, dá para o corpo aprender outro caminho.

Por fim, uma frase que eu repito muito, porque muda a relação com o sintoma: o enjoo não é inimigo, ele é um alarme sensível. A gente não precisa quebrar o alarme. A gente precisa regular o sistema que o está disparando.

E se você está cansado de procurar solução sozinho, eu deixo um convite simples: busque acompanhamento. Às vezes o que falta não é “mais força”, é um plano, alguém do lado, e um jeito mais gentil de conduzir o seu próprio corpo.

🧊 Se você está no trabalho, no ônibus ou em um lugar “sem fuga”

Nessas horas, o sofrimento é duplo: o enjoo + o medo de alguém perceber. Eu costumo orientar um plano discreto, sem drama, mas bem eficaz.

  • Micro-movimento: descruze pernas e braços, solte a barriga (sim, a gente contrai sem perceber).
  • Olhar periférico: em vez de “encarar” um ponto, amplie o campo visual. Isso manda ao cérebro o recado de que você não está em perigo iminente.
  • Objeto âncora: segure algo frio ou com textura (chave, elástico, garrafinha). É grounding simples.
  • Frase neutra para usar se precisar: “acho que preciso de um minuto de ar/água, já volto”. Ter permissão reduz pânico.
  • Evite checar o sintoma a cada 5 segundos: cheque a cada 2 minutos, como um experimento. Menos checagem = menos alarme.

Uma coisa que eu aprendi atendendo no SUS é que orientar só “respira fundo” pode soar vazio, porque a pessoa está no modo sobrevivência. Então eu gosto de ensinar respiração com função: inspirar mais curto, soltar mais longo, como se você estivesse apagando uma vela devagar. Em poucos minutos, a náusea costuma reduzir um ponto ou dois, e isso já devolve controle.

🧗 Exposição gradual: o corpo aprende por experiência

Quando o enjoo virou motivo de evitar coisas (ônibus, fila, restaurante, sala de aula), a melhora quase sempre passa por exposição gradual. Não é se jogar no pior cenário. É construir passos pequenos e repetíveis, para o corpo aprender que desconforto não é perigo.

  1. Escolha 1 situação-alvo: por exemplo, “andar de ônibus por 10 minutos”.
  2. Crie uma escala: ponto de ônibus (2/10), entrar e sentar (4/10), dar uma volta curta (6/10), ir até um destino (8/10).
  3. Treine com técnica: respiração 4–6 + âncora sensorial antes e durante.
  4. Fique até o pico cair: o aprendizado acontece quando você percebe “subiu e desceu”.
  5. Repita até estabilizar: o corpo aprende com repetição, não com uma vitória isolada.

Em vários casos, o que não funcionou foi tentar cortar tudo: cortar comida, cortar social, cortar compromissos, cortar emoção. A pessoa fica com a vida pequena, e o enjoo vira o centro de tudo. O que funcionou melhor foi fazer o contrário: ampliar a vida aos poucos, com segurança, e ensinar o corpo que desconforto não é catástrofe.

🗺️ Plano de 30 dias para reduzir o enjoo por ansiedade

Eu gosto de plano porque ele tira a sensação de “estou perdido”. Não precisa ser perfeito. Precisa ser fazível. A ideia aqui é criar um mês de consistência, e não um mês de heroísmo.

📅 Semana 1: estabilizar corpo e mapear gatilhos

  • Diário do enjoo por 7 dias (horário, intensidade, pensamento, comida, sono).
  • Regular refeições (pequenas porções, horários previsíveis).
  • Reduzir cafeína em jejum e observar impacto.
  • Respiração 4–6 2x ao dia, mesmo sem crise (treino fora do fogo).

🧠 Semana 2: treinar mente (sem brigar com ela)

  • Escolha 1 pensamento repetitivo (“vou vomitar”) e escreva uma resposta realista (“o pico passa, eu sei o que fazer”).
  • Pratique âncora sensorial 1x por dia (ver/tocar/ouvir).
  • Redes sociais com limite em horários que te deixam mais reativo.

🧗 Semana 3: exposição gradual em passos pequenos

  • Escolha 1 situação evitada e faça uma escala de passos.
  • Treine 3 vezes na semana e anote como o pico sobe e desce.
  • Comemore o processo (você está treinando o sistema nervoso, não provando valor).

🤝 Semana 4: consolidar apoio e tratar a raiz

  • Marcar/retomar psicoterapia se possível.
  • Conversar com 1 pessoa de confiança sobre o que você sente (reduz vergonha e isolamento).
  • Se sintomas persistirem intensos, avaliar consulta médica/psiquiátrica para um plano integrado.

Uma última coisa: eu nunca prometo que o sintoma some de um dia para o outro. Mas eu vejo, com muita frequência, a pessoa recuperar autonomia em semanas: ela volta a sair, volta a comer com mais tranquilidade, volta a viajar. E quando a autonomia volta, o enjoo perde o palco.

📝 Um roteiro rápido para levar ao médico (se você for investigar)

Se você decidir investigar, leve informação organizada. Isso ajuda muito a consulta e evita que você saia com a sensação de “não me ouviram”.

  • Quando começou: data aproximada, se foi após estresse, virose, mudança de remédio.
  • Frequência: quantas vezes por semana, em quais horários.
  • Associação: com comida, com jejum, com ansiedade, com ciclos hormonais.
  • Sinais de alerta: vômitos, sangue, febre, perda de peso, dor forte.
  • O que já tentou: chás, antiácidos, mudanças alimentares, terapia, etc.

Mesmo quando a causa principal é ansiedade, esse tipo de organização reduz medo e te dá mais clareza do que está acontecendo.

📚 Referências e leituras confiáveis

Referências (para aprofundar, com linguagem acessível e/ou base científica):

Capa-da-Psicoterapia-Geral-TCC-para-todas-as-pessoasCapa-da-Psicoterapia-Geral-TCC-para-todas-as-pessoas

Perguntas Frequentes sobre: Ansiedade dá enjoo

Pode. Quando o corpo fica em alerta por semanas, a náusea pode se repetir, especialmente de manhã, antes de comer ou em situações de pressão. O ideal é investigar sinais de alerta com um médico e, se o padrão for ansiedade, iniciar psicoterapia e ajustar rotina (sono, cafeína, refeições).
Nomeie (“é ansiedade”), solte ombros/mandíbula, faça respiração 4–6 por 2–3 min e use uma âncora sensorial (ver/tocar/ouvir). Hidrate em goles pequenos. Se for seguro, espere o pico cair antes de fugir: o corpo aprende que passa.
A resposta de luta ou fuga libera hormônios do estresse e muda a comunicação cérebro–intestino. A digestão perde prioridade, o intestino pode acelerar (diarreia) ou ficar mais sensível (náusea). Hiperventilação e tensão abdominal também pioram.
Muitas vezes, sim: técnicas na crise + psicoterapia (TCC/ACT), exposição gradual ao que foi evitado, rotina de sono e alimentação regular, menos cafeína/álcool e atividade física. Se o quadro for intenso, combinar com avaliação médica/psiquiátrica pode ser o melhor.
Observe padrão e sinais associados. Se aparece com preocupação e melhora ao acalmar, sugere ansiedade. Se há queimação, dor, relação forte com comidas, atraso menstrual, febre, vômitos persistentes ou perda de peso, investigue com médico. Dá para coexistir.

Você gostaria de agendar uma consulta para tirar dúvidas?

Foto da Psicologa em Florianopolis Thais Barbi

Thais Barbi

Número de Registro: CRP12-08005

+ 20.000 Pessoas Acolhidas em 15 anos
+ 300 Avaliações Neuropsicológicas realizadas
+ 30.000 Leitores nos acompanham mensalmente