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Psicoterapia infantojuvenil

Psicoterapia infantojuvenil é um cuidado que considera desenvolvimento, família e escola. Neste guia, você entende sinais de alerta, como são as primeiras sessões e como apoiar crianças e adolescentes em psicoterapia com ética, vínculo e estratégias práticas para o dia a dia.

Sumário de "Psicoterapia infantojuvenil"

Psicoterapia infantojuvenil_ expressão e apoio
Foto de perfil da neuropsicóloga Thais Barbi

Thais Barbi

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Empresas e instituicoes que confiam na neuropsicologa Thais Barbi

🧠 Introdução sobre: Psicoterapia infantojuvenil

Eu sou a Thais Barbi, psicóloga, e uma das coisas que mais aprendi atendendo crianças e adolescentes é que sofrimento psíquico nem sempre vem em forma de “tristeza”. Às vezes ele aparece como dor de barriga antes da escola, explosões de raiva do nada, isolamento no quarto, queda brusca no rendimento, ou uma “casca grossa” que, por dentro, está pedindo colo.

Se você chegou até aqui buscando entender como funciona o acompanhamento psicológico nessa fase da vida, quero te dar um norte: não existe receita de bolo, mas existe método, ética e um jeito cuidadoso de construir vínculo — com a criança/adolescente e com a família. E, sim, dá para fazer isso com leveza, sem transformar a casa num “tribunal do comportamento”.

Nos meus 5 anos de trabalho no SUS, eu vi de tudo: famílias exaustas, escolas pedindo “laudo para ontem”, adolescentes que diziam “tô de boa” enquanto o corpo gritava, e crianças que só conseguiram falar do que viveram quando tiveram um lápis, um boneco ou um jogo na mão. Essa vivência me ensinou que o cuidado precisa caber na vida real — com ônibus atrasado, avó que ajuda, pai que trabalha demais, e mãe que está no limite.

🧭 Para quem é este conteúdo / Quando procurar ajuda / Limitações

  • Para quem é: responsáveis, educadores e também jovens que querem entender o que acontece em um processo terapêutico e como ele pode ajudar na vida cotidiana.
  • Quando procurar ajuda: quando mudanças emocionais, comportamentais ou físicas passam a causar prejuízo (na escola, em casa, no sono, no apetite, nas relações) ou quando há sofrimento persistente, crises frequentes, situações de violência, luto, separação, bullying, autolesão ou uso de substâncias.
  • Limitações: este texto é educativo e não substitui uma avaliação profissional. Em situações de risco imediato (ameaça à própria vida ou à de outra pessoa), procure atendimento de urgência na sua cidade.

Aviso educativo: ao longo do texto, eu trago exemplos clínicos fictícios (mudando detalhes) para ilustrar situações comuns. Eles não representam uma pessoa real.

🔎 Sinais que merecem atenção no dia a dia

Uma dúvida muito comum é: “isso é fase ou é sinal de que algo está pesado demais?”. Eu gosto de pensar em dois critérios simples: intensidade e prejuízo. Crianças e adolescentes mudam — e isso é parte do desenvolvimento. O alerta acende quando a mudança é intensa, dura semanas, e começa a atrapalhar áreas importantes da vida.

🧩 Mudanças emocionais e comportamentais

  • irritabilidade constante, explosões ou agressividade fora do padrão;
  • medos excessivos, preocupação que “não desliga”, crises de choro;
  • isolamento, perda de interesse por coisas que antes davam prazer;
  • regressões (voltar a fazer xixi na cama, pedir para dormir com responsáveis) quando isso não era mais comum;
  • comportamentos de risco na adolescência (impulsividade, brigas, fugir de casa, direção perigosa, uso de álcool/drogas).

🛌 Corpo, sono e escola também falam

  • dor de barriga, dor de cabeça e outras queixas recorrentes sem causa orgânica clara;
  • insônia, pesadelos, sono muito fragmentado ou sonolência excessiva;
  • queda no rendimento escolar, recusa em ir à escola, conflitos frequentes com colegas/professores;
  • mudanças importantes no apetite e no peso.

Eu me lembro de um menino (exemplo fictício) que chegou com “problema de comportamento” segundo a escola. Em poucas semanas, ficou claro que o “problema” era um pedido de ajuda: ele tinha visto cenas de violência em casa e vivia em estado de alerta. Quando a família entendeu isso, a conversa mudou de “ele é impossível” para “o que ele está tentando me dizer?”. Essa virada costuma ser um ponto de inflexão.

🧩 Quando o “problema” é só a ponta do iceberg

É bem comum a procura começar por uma queixa comportamental: birra, teimosia, “desobediência”, agressividade, queda nas notas, falta de limites. Só que comportamento, muitas vezes, é mensagem. A pergunta clínica não é “como eu faço parar?”, e sim “o que está mantendo isso?” e “o que essa criança ou esse adolescente não está conseguindo dizer de outro jeito?”.

Nos atendimentos que fiz na rede pública, eu vi crianças que eram chamadas de “difíceis” quando, na verdade, estavam vivendo luto, separação, insegurança alimentar, medo de perder o cuidador, ou sobrecarga de responsabilidades em casa. Quando a gente muda a lente, muda o cuidado: sai o castigo como reflexo automático e entra uma combinação de limite, acolhimento e estrutura.

🧠 Três perguntas que ajudam a organizar a leitura do caso

  • Quando começou? Mudanças de escola, nascimento de irmão, separação, mudança de casa, doença na família?
  • Onde aparece mais? Só na escola? Só em casa? Em todos os lugares? Isso muda totalmente a hipótese.
  • O que melhora, mesmo que um pouco? Às vezes a pista está no que funciona (rotina, previsibilidade, um adulto de referência, menos cobrança).

Exemplo fictício: “Rafa”, 8 anos, “não parava quieto” e vivia em conflito. Quando a família contou que morava em um lugar com muita violência e que o menino dormia mal por barulhos à noite, o quadro fez sentido: o corpo estava em modo sobrevivência. O caminho passou por higiene do sono possível, rede de apoio, escola entendendo gatilhos e, na sessão, estratégias de regulação e sensação de segurança.

🧪 Avaliação inicial: o que geralmente é observado

Para muita gente, “avaliação” parece algo frio, como se a criança fosse passar por um teste o tempo todo. Na clínica, avaliação é escuta organizada. Em geral, envolve entrevista com responsáveis, conversa (ou brincadeira) com a criança, e, quando é adolescente, um espaço individual para que ele fale sem filtro.

Nessa fase, eu olho para o desenvolvimento (marcos, linguagem, sono), para a saúde física, para o contexto familiar, para a escola e para a história de vida. Em alguns casos, uso instrumentos padronizados (questionários) para acompanhar sintomas e evolução — sempre explicando o porquê.

🧷 O que costuma virar meta de trabalho

  • Alívio de sintomas: menos crises, menos evitação, menos somatização.
  • Habilidades: regulação emocional, tolerância à frustração, comunicação.
  • Relacionamentos: reduzir escaladas de conflito, aumentar reparação e cooperação.
  • Funcionamento: sono, rotina, participação escolar, autocuidado.

Eu gosto de deixar as metas visíveis e compreensíveis. Com criança, às vezes elas viram “missões” (“aprender a pedir pausa”, “treinar falar o que eu sinto”). Com adolescente, viram objetivos mais diretos (“voltar a ir à escola”, “reduzir brigas”, “entender minhas crises”). Isso dá direção e reduz a sensação de terapia sem fim.

Foto de perfil da neuropsicóloga Thais Barbi

Como psicóloga, recomendo que você siga os seguintes passos:


🧨 Crises, autolesão e risco: o cuidado precisa ser rápido e responsável

Alguns temas pedem atenção imediata: autolesão, ideação suicida, violência em casa, abuso, uso problemático de substâncias, surtos, crises intensas de pânico ou descontrole que colocam alguém em perigo. Nesses casos, o foco inicial é segurança e rede.

  • Segurança: identificar sinais de risco, reduzir acesso a meios letais e combinar estratégias de procura de ajuda.
  • Rede: alinhar responsáveis, escola (quando pertinente) e serviços de saúde para garantir acompanhamento.
  • Plano claro: o que fazer em crise, para quem ligar, onde buscar atendimento, quais sinais indicam urgência.

Eu não ensino “truques” milagrosos para crise, porque isso seria irresponsável. O que eu faço é ajudar a família a construir um plano realista, que caiba na rotina e respeite a complexidade do caso. E, quando necessário, encaminhar para avaliação médica/psiquiátrica infantil e serviços de urgência. Ninguém precisa segurar isso sozinho.

🗺️ Como começa o processo: primeiras sessões e combinado de jogo

As primeiras sessões costumam ter três objetivos: acolher, entender e combinar. Acolher a história (do jeito que ela consegue aparecer), entender o contexto (família, escola, rotina, saúde), e combinar como será o trabalho: frequência, participação da família, formas de contato e limites de sigilo.

Quando o paciente é criança, eu observo muito a comunicação indireta: o jeito de brincar, as repetições, os temas que aparecem, as “missões” que ela cria. Na adolescência, eu presto atenção nas contradições (“tanto faz” pode ser “importa muito”), e no quanto a pessoa se sente segura para não ser julgada.

Nos meus anos no SUS, era comum a família chegar pedindo algo como “arruma ele” ou “faz ela obedecer”. Eu costumava responder com carinho, mas com firmeza: vamos combinar que eu não trabalho para ‘consertar gente’. Eu trabalho para aumentar repertório, aliviar sofrimento e fortalecer relações. Isso tira a pressão da criança e devolve o processo para um lugar mais humano.

🧾 Um exemplo fictício de início de acompanhamento

Exemplo fictício: “Ana”, 9 anos, vinha com queixas de choro e recusa escolar. Na anamnese, apareceu uma mudança recente: separação conflituosa. No início, a família queria “dicas” rápidas. O que ajudou foi um plano em duas frentes: sessões com a criança usando recursos lúdicos para nomear emoções e construir segurança; e encontros periódicos com os responsáveis para ajustar rotina, comunicação e previsibilidade. O que não ajudou: interrogar a criança todo dia (“o que você falou lá?”) e transformar a terapia num instrumento de disputa entre adultos.

🎲 Brincar, desenhar e criar: quando a linguagem é lúdica

Criança nem sempre explica com palavras o que sente — ela mostra. O brincar pode ser “fala”, e o terapeuta precisa ser alfabetizado nessa linguagem. Jogos, desenhos, histórias, caixa de areia, cartas de emoções, fantoches: não são “enfeites”. São ferramentas clínicas para acessar pensamentos, sensações e necessidades com segurança.

Eu já acompanhei, em atendimento individual e também em grupo, crianças que só conseguiram narrar uma experiência difícil quando puderam “colocar para fora” em forma de história. Um detalhe que muitos responsáveis acham curioso: às vezes a criança brinca de um jeito repetitivo por várias sessões. Isso pode ser a mente tentando organizar o que ficou sem sentido.

🧠 O que o terapeuta está fazendo enquanto a criança brinca?

  • mapeando emoções e gatilhos (o que aumenta ou diminui a angústia);
  • identificando padrões de vínculo (aproxima, evita, testa limites);
  • ensinando habilidades (tolerância à frustração, resolução de problemas, comunicação);
  • criando narrativas mais seguras sobre si (“eu consigo”, “não é culpa minha”, “posso pedir ajuda”).

Exemplo fictício rápido: “João”, 7 anos, só queria brincar de “polícia e ladrão” e sempre terminava com alguém “preso”. Quando os responsáveis entenderam que, em casa, as brigas terminavam com ameaças e punições, ficou claro por que o tema se repetia. A mudança veio quando a família passou a usar combinados, previsibilidade e reparação depois de conflitos — e o brincar começou a ter finais diferentes.

🧒 Adolescência: vínculo, privacidade e autonomia na prática

Com adolescentes, um ponto central é o vínculo. Muitos chegam “mandados”, com a sensação de que serão avaliados como em uma prova. Eu costumo abrir espaço para uma conversa franca: o que é sigilo, o que não é, quando eu preciso quebrá-lo por questões de segurança, e como podemos incluir a família sem invadir a privacidade.

Uma frase que eu uso muito é: “a terapia não é interrogatório”. É um lugar para pensar junto, testar possibilidades, construir responsabilidade sem humilhação. Quando isso fica claro, o adolescente costuma relaxar um pouco — e a conversa começa a acontecer.

Exemplo fictício: “Lucas”, 15 anos, chegou com irritação e faltas na escola. O que funcionou foi um contrato claro: ele teria um espaço protegido para falar, e teríamos devolutivas para os responsáveis focadas em metas e segurança (sono, rotina, risco), sem expor detalhes íntimos. O que não funcionou foi o pai exigir acesso ao conteúdo de sessão; isso quase encerrou o processo na segunda semana.

🧭 Temas comuns nessa fase

  • identidade, pertencimento e comparação social;
  • ansiedade de desempenho e pressão acadêmica;
  • conflitos familiares, limites e autonomia;
  • relacionamentos, sexualidade, autoestima e imagem corporal;
  • luto, violência, bullying e experiências traumáticas.

🤝 Como apoiar: crianças e adolescentes em psicoterapia no dia a dia

Se eu pudesse escolher uma mensagem para responsáveis, seria esta: apoio não é controlar. Apoiar é criar condições para que a criança ou o adolescente use, fora da sessão, aquilo que está construindo por dentro.

  • Crie previsibilidade: rotina simples (sono, refeições, horários) dá sensação de segurança.
  • Valide sem “passar pano”: reconhecer emoção é diferente de liberar qualquer comportamento.
  • Evite transformar a terapia em “relatório”: pergunte “como você se sentiu?” em vez de “o que você contou?”.
  • Repare depois do conflito: um pedido de desculpas adulto ensina mais do que um sermão.
  • Alinhe expectativas: progresso costuma ser em ondas; tem semana ótima e semana difícil.

Eu já conduzi grupos com responsáveis no SUS em que a maior mudança foi essa: sair do “modo culpa” e entrar no “modo responsabilidade possível”. Quando o adulto entende que também faz parte do ambiente que muda, a criança para de carregar sozinha o papel de “problema da família”. É libertador — para todos.

🏫 Escola, pediatra e outros profissionais: quando o cuidado é em rede

Na infância e adolescência, muitas queixas aparecem primeiro na escola. O ideal é que a comunicação entre profissionais aconteça com consentimento e foco em objetivos: adaptar demandas, pensar estratégias, reduzir exposição, promover inclusão e evitar rótulos apressados.

Nos casos em que há suspeita de dificuldades específicas (atenção, aprendizagem, linguagem) ou quando há histórico de trauma e estresse crônico, a articulação com pediatria, psiquiatria infantil (quando necessário), fono, TO e equipe escolar pode fazer diferença. “Equipe” não significa “muita gente falando ao mesmo tempo”; significa cada um no seu papel, com informação suficiente para ajudar.

📌 O que costuma ser útil compartilhar com a escola

  • necessidade de previsibilidade e combinados claros;
  • estratégias para crise (um adulto de referência, um lugar de pausa);
  • ajustes razoáveis (tempo extra, instruções por etapas);
  • observações sobre gatilhos (ex.: exposição pública, gritos, ironias).

🧾 Avaliação neuropsicológica: quando faz sentido e como se conecta ao cuidado

A avaliação neuropsicológica é uma ferramenta para entender, com mais precisão, como estão funções como atenção, memória, linguagem, flexibilidade cognitiva e habilidades acadêmicas. Ela não é “carimbo” de diagnóstico; é um mapa que ajuda a planejar intervenções e acomodar demandas.

Eu costumo indicar quando há dúvidas persistentes sobre aprendizagem, quando a escola descreve dificuldades muito específicas, quando há discrepância grande entre potencial e desempenho, ou quando precisamos diferenciar se um sintoma é mais ligado a ansiedade/estresse, a uma condição do neurodesenvolvimento, ou a ambos.

Na prática clínica, integrar avaliação e acompanhamento terapêutico evita dois extremos: achar que “é só emocional” (e ignorar uma dificuldade real) ou achar que “é só neuro” (e ignorar sofrimento e contexto). Vamos combinar? O cérebro mora num corpo, que mora numa família, que mora num mundo.

🧠 Exemplo fictício de integração

Exemplo fictício: “Marina”, 11 anos, era descrita como “desatenta” e “preguiçosa”. A avaliação mostrou um perfil de atenção e funções executivas com pontos de vulnerabilidade, e o acompanhamento terapêutico revelou ansiedade alta e medo de errar. O que funcionou: ajustar expectativas, ensinar estratégias de organização e trabalhar autocompaixão. O que não funcionou: compará-la com o irmão e usar punição como “motivação”.

🧑‍🤝‍🧑 Psicoterapia em grupo: quando o vínculo com pares vira recurso

Grupos terapêuticos com crianças (por faixa etária) podem ser incríveis para treinar habilidades sociais, lidar com frustração, desenvolver empatia e aprender a pedir ajuda. Com adolescentes, grupos bem conduzidos ajudam a reduzir isolamento e a sensação de “só eu sou assim”.

Eu conduzi grupos no SUS em que um adolescente que quase não falava passou a ser o primeiro a acolher o colega novo. Essa mudança não aconteceu porque ele “virou extrovertido”, e sim porque se sentiu seguro e útil. Em grupo, muitas habilidades aparecem de forma natural — e o terapeuta aproveita para nomear, reforçar e generalizar para a vida real.

🧰 Temas comuns em grupos

  • habilidades de comunicação e resolução de conflitos;
  • regulação emocional (identificar, nomear, modular);
  • autoestima, bullying e pertencimento;
  • planejamento, estudo e ansiedade de desempenho;
  • mindfulness e tolerância ao desconforto (quando adequado à idade).

🧰 Abordagens e técnicas: o que costuma entrar na “caixa de ferramentas”

Existem diferentes abordagens psicoterapêuticas. Em vez de “qual é a melhor?”, eu prefiro a pergunta “qual faz sentido para esta pessoa, neste momento, com este contexto?”. O que não muda é a importância de um plano, de vínculo e de acompanhamento responsável.

🧠 Estratégias que aparecem com frequência

  • Psicoeducação: entender emoções e sinais do corpo (“meu corpo está em alerta”).
  • Treino de habilidades: respiração, relaxamento, solução de problemas, comunicação assertiva.
  • Reestruturação de pensamentos: trabalhar interpretações rígidas (“se eu errar, acabou”).
  • Exposição gradual: para medos e evitações, com segurança e passo a passo.
  • Intervenções familiares: combinados, rotinas, limites consistentes e reparação.
  • Trabalho com trauma: estabilização, segurança, narrativa, reconexão com o corpo e com a vida.

Na clínica, eu sempre volto a uma ideia simples: o objetivo é aumentar liberdade — mais escolhas, mais recursos, menos “piloto automático” de medo, raiva ou vergonha.

🛡️ Ética e participação da família: consentimento, assentimento e limites

Quando o paciente é menor de idade, responsáveis assinam consentimentos, mas isso não significa que a criança/adolescente seja “objeto” do processo. Pelo contrário: envolver a pessoa de forma ativa (do jeito que a idade permite) é parte do trabalho. Isso inclui explicar, em linguagem acessível, o que é terapia, para que serve e como funciona.

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Na prática, eu alterno encontros individuais com a criança/adolescente e encontros de orientação com responsáveis. Em alguns casos, inclui-se família em sessão conjunta — especialmente quando o objetivo é melhorar comunicação e reduzir escaladas de conflito.

Uma coisa importante: limites protegem. Limites de sigilo, limites de papel (terapeuta não é juiz da família, nem “aliado” contra alguém), limites de urgência (“não é possível resolver 10 anos de história em 3 sessões”). Eu aprendi isso também no SUS, onde a demanda é grande e a vida chega com pressa. Se a gente não sustenta o enquadre, o cuidado vira improviso — e improviso, com criança, costuma sair caro.

🚧 O que costuma atrapalhar (e como ajustar a rota)

Nem tudo que é bem-intencionado ajuda. Às vezes, a família faz “o melhor que consegue” e, ainda assim, algumas atitudes sabotam o processo sem perceber. Aqui vão situações comuns — e alternativas mais úteis.

  • Usar a terapia como punição: “você vai porque está aprontando”. Alternativa: apresentar como cuidado e espaço de apoio.
  • Exigir resultados imediatos: ansiedade por mudança rápida é humana, mas pressão excessiva aumenta resistência. Alternativa: metas pequenas e acompanhamento de progresso.
  • Interrogatório pós-sessão: aumenta medo de julgamento. Alternativa: perguntar se a sessão foi confortável e oferecer disponibilidade.
  • Desautorizar emoções: “isso é drama”. Alternativa: validar emoção e orientar comportamento.
  • Comparações e rótulos: “ele é assim mesmo”. Alternativa: descrever comportamento e contexto, sem fechar identidade.

Eu já vi adolescente engajar muito quando a família trocou “você tem que…” por “como eu posso te apoiar?”. Parece simples, mas dá trabalho. E dá resultado.

🌱 Como sabemos que está dando certo: alta, manutenção e prevenção

Um bom processo terapêutico não termina “do nada”. Ele vai construindo sinais: crises menos frequentes e menos intensas, melhora no sono, mais diálogo, mais autonomia, mais capacidade de reparar conflitos. A alta costuma ser planejada, com espaçamento de sessões e combinados de retorno se necessário.

Eu gosto de encerrar lembrando que recaídas leves podem acontecer — especialmente em mudanças de ciclo (troca de escola, vestibular, separação, luto). Recaída não é “fracasso”; muitas vezes é o corpo dizendo “ei, use as ferramentas de novo”.

Exemplo fictício: “Pedro”, 13 anos, tinha crises de pânico na escola. Após meses, voltou a frequentar aulas e fazer apresentações com apoio de estratégias. Na semana de provas, a ansiedade subiu e ele pediu uma sessão extra. Para mim, isso é sinal de saúde: ele reconheceu o limite e pediu ajuda antes de desmoronar.

❓ Perguntas que mais aparecem no consultório

🕒 “Quanto tempo vai durar?”

Depende da complexidade do caso, do contexto e da adesão. Algumas demandas se beneficiam de intervenções mais breves; outras pedem um trabalho mais contínuo. O melhor termômetro é acompanhar metas e evolução, sem transformar o processo em corrida.

👥 “A família participa sempre?”

Participação existe, mas formato varia. Às vezes são encontros periódicos de orientação; às vezes sessões conjuntas; às vezes trabalho mais focado no jovem, com devolutivas gerais para responsáveis.

🧩 “E se a criança não quiser falar?”

Tudo bem. Falar é só uma das vias. Em muitos casos, a expressão vem pelo brincar, pela escrita, por metáforas, por silêncio compartilhado. Pressa demais vira obstáculo.

📚 Referências e leituras confiáveis

Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP)

Saúde mental na adolescência (OMS/WHO)

Saúde mental de crianças e adolescentes: guia para cuidadores (UNICEF)

Depressão em crianças e jovens: identificação e manejo (NICE)

Terapia psicológica com crianças e adolescentes: o que esperar (APA)

Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS/MS)

PePSIC: portal de periódicos em Psicologia (BVS)

Perguntas Frequentes sobre: Psicoterapia infantojuvenil

Geralmente começa com escuta do contexto (família, escola, rotina) e construção de vínculo. Depois, definem-se metas e combinados (frequência, participação da família, limites de sigilo). Com crianças, recursos lúdicos ajudam a expressar emoções; com adolescentes, privacidade e autonomia são centrais.
A participação existe, mas o formato varia: entrevistas iniciais, encontros periódicos de orientação, e às vezes sessões conjuntas. A ideia é apoiar mudanças em casa sem transformar a terapia em “relatório” do que foi dito, preservando a confiança e, quando for adolescente, respeitando limites de privacidade.
Depende da demanda, do contexto e da evolução. É comum começar com sessões semanais e, com melhora, espaçar (quinzenal/mensal) até a alta planejada. Alguns casos são mais breves; outros precisam de acompanhamento mais longo, especialmente quando há trauma, comorbidades ou estressores contínuos.
Explique como um espaço de apoio, não como punição. Dê autonomia: convide para escolher profissional/horário quando possível. Combine que o conteúdo é privado, com exceções de segurança. Evite pressão do tipo “você tem que falar”; foque em “quero que você tenha um lugar seguro para pensar e se fortalecer”.
Quando há dúvidas persistentes sobre atenção, aprendizagem, linguagem, memória ou funções executivas; quando há grande discrepância entre potencial e desempenho; ou para diferenciar efeitos de ansiedade/estresse de dificuldades do neurodesenvolvimento. Ela gera um mapa de pontos fortes e vulnerabilidades e pode orientar escola e plano terapêutico.

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