Grupo de Apoio para Viciados em Jogos

Olá, querido(a). Eu sou a Thais Barbi, psicóloga há mais de 15 anos.
Se o jogo (apostas, bets, cassino online) virou um ciclo que você não consegue mais controlar — “só mais uma”, tentando recuperar o prejuízo, escondendo de alguém, vivendo com ansiedade, culpa, vergonha e medo das consequências… este grupo é para você. Aqui você encontra um espaço para respirar, ser acolhido(a) sem julgamento e construir, com acompanhamento profissional, um caminho realista para retomar o controle — com técnicas baseadas em evidências (como TCC e Mindfulness) e condução humana e respeitosa.

Instituições e empresas que confiam na Thais Barbi

O que é e como funcionam os Grupos de Apoio Online

Na internet, muitos grupos de apoio para pessoas com compulsão por jogos/apostas são conduzidos por voluntários ou por pessoas com vivência e boa escuta. Isso pode ajudar — principalmente a quebrar o isolamento.

Mas quando o jogo vira um ciclo de impulso → aposta → culpa → tentativa de “recuperar o prejuízo” (e, junto, vêm segredos, dívidas, brigas, ansiedade e a sensação de “eu devia conseguir parar, mas não consigo”), faz diferença ter um espaço profissional, com acolhimento e técnica ao mesmo tempo. O recomendado neste caso seria o Grupo de Psicoterapia (2º grupo) ou Psicoducação (3º grupo). Aqui, você encontra suporte, clareza e ferramentas práticas para lidar com gatilhos, impulsos e recaídas — com condução humana e respeitosa.

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Desenho de um contrato de um grupo de apoio aos viciados em jogo de azar

Inscrição + alinhamento

Você entra na lista de espera e recebe as orientações do grupo (regras, formato e próximos passos).

Desenho de uma videoligacao no grupo de apoio para vicio em jogo

Encontros semanais guiados

Encontros em grupo com condução profissional e foco em estratégias aplicáveis: rotina e sobrecarga, comunicação, emoções, limites, relações e autocuidado.

Desenho das tarefas do grupo de apoio para viciados no jogo de azar

Plano de ação + apoio

Você sai com um plano simples para a semana e com apoio de comunidade para manter consistência (sem pressão para se expor além do que é confortável).

⚠️ Nota importante:

Nossos grupos não são separados por transtornos. Acreditamos na inclusão de pessoas com diferentes características, com aceitação, respeito e acolhimento — para que todos possam se preparar para a vida real em sociedade.

Benefícios do Grupo de Apoio para Pessoas Viciadas em Jogos (ou outro transtorno)

Para quem quer realmente mudar o estilo de vida

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Desenho-das-tarefas-de-casa-no-grupo-de-apoio-para-vicio-em-jogo

Quando o jogo “puxa” você de volta

O vício em jogos/apostas não é “falta de caráter”. Às vezes você decide parar, mas o impulso vem forte, aparece o “só mais uma” e, quando vê, você já está de novo tentando recuperar o prejuízo. No grupo, você encontra acolhimento e estratégias práticas para lidar com fissura, gatilhos e decisões no automático, sem ser cobrado(a) a “ter força de vontade”.

Desenho de duas pessoas se encontrando no grupo de apoio ao vicio em jogo

Culpa, vergonha e promessas quebradas

Muita gente vive um ciclo de prometer que vai parar, esconder, apagar rastros, mentir por medo de julgamento — e depois sentir culpa, vergonha e a sensação de “eu estraguei tudo”. Aqui, você aprende a nomear esse padrão, reduzir a autocrítica e construir passos reais para retomar o controle, com apoio de pessoas que entendem de verdade.

Desenho das tarefas do grupo de apoio para viciados no jogo de azar

Isolamento, ansiedade e pensamento repetitivo

O jogo costuma isolar: você se afasta, perde o ritmo do dia, e a cabeça fica presa em prejuízo, dívidas, medo de ser descoberto(a) e na “necessidade” de resolver tudo apostando. No grupo, você tem pertencimento sem exposição e ferramentas para atravessar ansiedade, urgência e recaídas — com um plano simples, possível e no seu tempo.

 

Confira quem me da carinho
Nos depoimentos do meu trabalho

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Valor da Terapia Grupal Online

O que você Paga e o que você Recebe

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PARA QUEM É (E PARA QUEM NÃO É)

✅ É para você se…

  • quer aprender estratégias práticas para o dia a dia

  • busca um espaço acolhedor e sem julgamento

  • quer evoluir no seu ritmo 

❌ Talvez não seja para você se…

  • precisa de atendimento individual imediato/crise aguda

  • procura “cura” ou soluções milagrosas

  • não pode manter uma frequência mínima

(Se você estiver em crise, priorize atendimento individual/urgência.)

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O QUE ESTÁ INCLUÍDO NA ASSINATURA

✅ Questionário VIP (97 perguntas) para entender melhor seus desafios e suas fortalezas

✅ Encontro em grupo (online) 1x/semana (1 hora e meia para grupos reduzidos ou 2 horas para grupos grandes)

✅ Temas guiados + exercícios práticos

✅ Plano de ação da semana (simples e aplicável)

✅ Materiais de apoio (infografias/resumos)

✅ Acompanhamento da lista de espera e comunicação por e-mail

✅ Participação ativa 

✅ Grupo de Whatsapp

🤏

POR QUE ESTE GRUPO É DIFERENTE

✅ CONDUÇÃO PROFISSIONAL E ESTRUTURA CLARA
Encontros guiados com temas e objetivos. Você sabe o que esperar (sem improviso, sem pressão).

✅ AMBIENTE SEGURO E RESPEITOSO
Regras de convivência e confidencialidade para reduzir ansiedade social e aumentar conforto.

✅ GRUPO PRIVADO NO WHATSAPP (COM MODERAÇÃO)
Um espaço para avisos, materiais e apoio entre encontros — com regras claras.

✅ ADAPTADO PARA TODO TIPO DE ADDULTOS(NO SEU RITMO)
Nada de exposição forçada.

✅ FOCO EM ESTRATÉGIAS PRÁTICAS
Menos teoria solta, mais ferramentas aplicáveis: rotina, sobrecarga, comunicação, limites e autocuidado.

✅ ACOMPANHAMENTO COM MATERIAIS
Resumos e exercícios simples para você levar para a semana.

🚀

O QUE VOCÊ VAI GANHAR NA PRÁTICA

✅ MENOS SOBRECARGA NO DIA A DIA
Você aprende a reconhecer gatilhos e criar ajustes realistas na rotina.

✅ MAIS CLAREZA E AUTOCONHECIMENTO
Entender padrões, necessidades e limites sem culpa.

✅ MELHOR AUTO-CONTROLE EMOCIONAL
Estratégias para lidar com ansiedade, frustração e cansaço.

✅ RELACIONAMENTOS MAIS SAUDÁVEIS
Comunicação mais direta, limites mais claros e menos conflitos.

✅ PERTENCIMENTO (SEM SE SENTIR “ESTRANHO”)
Contato com pessoas parecidas com você — e a sensação de não estar sozinho(a).

✅ SUPORTE ENTRE ENCONTROS (SEM FICAR SOZINHO[A])
No WhatsApp, você troca experiências, recebe lembretes e mantém constância com o grupo.

 

 

ASSINATURA ATIVA

R$ 350/mês Equivale à R$ 43,75/hora
  • ✅ 1 Sessão semanal
  • ✅ Max. 20 pessoas ativas
  • ✅ 120 Minutos (conforme tamanho do grupo)
  • ✅ Tarefinhas de Casa + Recursos cada semana (na área interna)
  • ✅ Grupo de Whatsapp para trocar ajuda e experiências
  • ✅ Atendimento prioritário por Whatsapp
  • ✅ 1 Terapia por mês personalizada em você dentro do grupo
  • ✅ Questionário VIP de 97 Perguntas

ASSINATURA OUVINTE

R$ 175/mês Equivale à R$ 21,88/hora
  • ✅ 1 Sessão semanal
  • ✅ Max. 50 pessoas ativas
  • ✅ 120 Minutos (conforme tamanho do grupo)
  • ✅Tarefinhas de casa + Recursos cada semana (na área interna
  • ❌ Grupo de Whatsapp para trocar ajuda e experiências
  • ❌ Atendimento prioritário por Whatsapp
  • ❌ Terapia por mês personalizada em você dentro do grupo
  • ❌ Questionário VIP de 97 Perguntas​

Bem-vind@ ao seu grupo Acolhedor Assertivo Confidencial Seguro

A Terapia em Grupo de Terapia Online quer que você aprenda, se descubra, se foque na sua qualidade de vida, faça amizades e muito mais!

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Acessando ao Grupo de Terapia Online você...

Perguntas sobre o grupo de Apoio para viciados em jogos?

No Brasil, “internar” por vício em jogos (ludopatia) costuma ser exceção. A primeira porta normalmente é a rede do SUS (Sistema Único de Saúde), e a internação fica para quando há risco ou falha do cuidado ambulatorial.

Opções práticas:

  1. SUS (o caminho mais comum)

  • Procure uma UBS (Unidade Básica de Saúde) ou direto um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) da sua cidade e peça avaliação para “transtorno do jogo / dependência de jogos/apostas”.

  • O CAPS pode organizar tratamento (psiquiatria, psicologia, grupo) e, se necessário, encaminhar para internação em hospital geral/psiquiatria.

  1. Internação (quando costuma ser indicada)

  • Em geral só quando existe risco importante (ideação suicida, surto, agressividade, incapacidade de autocuidado) ou quando o quadro está tão grave que não dá para manejar fora do hospital.

  • A internação voluntária/involuntária precisa de avaliação médica e segue regras específicas (não é decisão “administrativa” de clínica).

  1. Serviços especializados (sem internação)

  • Algumas cidades têm ambulatório/programa de transtorno do jogo em hospitais universitários (tratamento especializado sem precisar internar).

Para ajudar uma pessoa viciada em jogos (ludopatia), foque em apoio firme + limites + encaminhamento adequado:

  • Converse sem acusar: fale do impacto que você observa (“estou preocupado com…”) e evite rótulos ou ameaças.

  • Estimule ajuda profissional: psicoterapia (especialmente TCC) e avaliação psiquiátrica quando necessário.

  • Defina limites claros: não cubra dívidas, não empreste dinheiro para jogar, não minta para protegê-la.

  • Reduza gatilhos: bloquear apps/sites, excluir contas, limitar acesso a dinheiro/cartões, usar controles parentais/financeiros.

  • Ofereça alternativas concretas: atividades que ocupem tempo e reduzam impulsos (rotina, exercício, hobbies).

  • Apoie a rede: grupos de apoio e acompanhamento contínuo ajudam a manter a abstinência.

  • Fique atento a riscos: ideias suicidas, agressividade ou colapso financeiro exigem ajuda imediata.

  • Cuide de você: apoiar não é “salvar”; preserve sua saúde emocional e busque orientação se preciso.

A terapia mais indicada para vício em apostas (ludopatia) é a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental).

Em resumo:

  • TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental)
    É a principal abordagem. Trabalha pensamentos distorcidos (“vou recuperar”, “agora vai”), controle de impulsos, prevenção de recaídas e criação de estratégias para lidar com gatilhos.

Outros apoios que costumam ser combinados:

  • Psicoeducação
    Ajuda a entender o funcionamento do vício e reconhecer sinais de risco.

  • Terapia familiar ou de casal
    Útil quando há impacto financeiro e relacional importante.

  • Grupos de apoio (ex.: Jogadores Anônimos)
    Não substituem a terapia, mas ajudam muito na manutenção.

  • Psiquiatria
    Em alguns casos, para tratar comorbidades como depressão, ansiedade ou impulsividade.

Resumo direto: TCC é o tratamento de primeira linha, e os melhores resultados vêm da combinação com suporte familiar, controle de acesso ao dinheiro e acompanhamento contínuo.

  1. O vício em jogos/apostas (ludopatia) é tratado principalmente por uma equipe multiprofissional. Os profissionais centrais são:

    • Psicólogo(a)
      Profissional principal do tratamento. A abordagem mais indicada é a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), que trabalha impulsos, pensamentos distorcidos e prevenção de recaídas.

    • Psiquiatra
      Atua quando há necessidade de medicação, especialmente se existirem comorbidades como depressão, ansiedade, bipolaridade ou impulsividade intensa.

    Apoios importantes, conforme o caso:

    • Terapeuta familiar ou de casal – quando o vício afeta fortemente a família/finanças.

    • Assistente social – ajuda com organização prática, dívidas e acesso a serviços públicos.

    • Grupos de apoio (ex.: Jogadores Anônimos) – complemento, não substituem a terapia.

    Resumo direto: psicólogo + (se necessário) psiquiatra é o núcleo do tratamento.

Você não “tira” alguém do vício sozinho. Você aumenta muito a chance de a pessoa aceitar tratamento e reduz o dano enquanto isso.

  1. Abordagem

  • Fale em momento calmo, com fatos: “eu vi X, isso está causando Y, estou preocupado”.

  • Evite humilhar, ameaçar ou discutir “lógica” do jogo.

  1. Limites que funcionam

  • Não pagar dívidas, não emprestar dinheiro, não mentir para encobrir.

  • Combine consequências claras: “se você apostar, eu não transfiro dinheiro / não assumo contas / não encubro”.

  1. Bloquear acesso ao jogo

  • Bloquear apps e sites (no celular e no computador).

  • Remover cartões salvos, limitar PIX/cartão, reduzir limite, deixar alguém de confiança com controle temporário.

  • Cancelar notificações e seguir “0 gatilhos” (canais, grupos, influenciadores).

  1. Tratamento

  • Psicólogo com TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental).

  • Psiquiatra se houver depressão, ansiedade, bipolaridade, impulsividade, uso de álcool/drogas.

  • Grupo de apoio (ex.: Jogadores Anônimos) como complemento.

  1. Plano de crise

  • Se houver risco de suicídio, agressividade ou colapso (perdeu tudo, descontrole total), procurar atendimento urgente (UPA/pronto-socorro) e acionar a rede de apoio.

A compulsão pelo jogo está associada principalmente ao Transtorno do Jogo (ludopatia), que é classificado como um transtorno do controle de impulsos / comportamento aditivo.

Em termos emocionais, ela costuma gerar ou vir acompanhada de:

  • Ansiedade (tensão constante, urgência de apostar, inquietação).

  • Depressão (culpa, vergonha, desesperança após perdas).

  • Culpa e vergonha intensas, que alimentam o ciclo do vício.

  • Irritabilidade e instabilidade emocional, especialmente quando impedido de jogar.

  • Baixa autoestima e sensação de fracasso.

  • Impulsividade e dificuldade de regular emoções.

Resumo direto:
👉 o transtorno central é o Transtorno do Jogo (ludopatia), e o sofrimento emocional mais comum envolve ansiedade, depressão e desregulação emocional, que mantêm o ciclo da compulsão.

A mente de uma pessoa viciada em apostas funciona num ciclo de recompensa, distorções cognitivas e perda de controle emocional. Em termos simples:

  • Busca de dopamina: o cérebro passa a buscar a excitação da aposta (não o dinheiro). Ganhos, quase-ganhos e a expectativa ativam o sistema de recompensa.

  • Ilusões cognitivas: surgem pensamentos como “agora vai”, “posso recuperar”, “tenho estratégia”, mesmo sem base real.

  • Perda de controle: a urgência de apostar domina; parar gera ansiedade, irritação e vazio.

  • Ciclo ganhar–perder: pequenas vitórias reforçam o comportamento; perdas aumentam a aposta para “recuperar”.

  • Emoções como gatilho: estresse, tristeza, tédio ou raiva levam a apostar para aliviar sentimentos.

  • Culpa e vergonha: após apostar, aparecem culpa e vergonha, que paradoxalmente levam a apostar de novo para anestesiar a dor.

Resumo: o cérebro aprende a associar apostar com alívio e excitação, enquanto o controle racional fica enfraquecido. Por isso não é “falta de força de vontade”, e sim um transtorno aditivo que exige tratamento.

Mais informações sobre o Grupo de Apoio para Viciados em Jogos (ou outros transtornos)

Durante muitos anos, eu escutei a mesma frase, dita de jeitos diferentes: “Eu não queria apostar… eu só queria parar de sentir isso.” Quem olha de fora costuma enxergar o vício em jogo como falta de caráter, irresponsabilidade, “fraqueza”. Mas quem senta na minha frente, no consultório, quase sempre está travando uma batalha bem mais complexa: uma mistura de impulso, alívio imediato, vergonha, tentativas desesperadas de consertar o prejuízo e um medo profundo de ser descoberto. 😔

E é aqui que muita gente se perde: tenta vencer um problema que isola… usando mais isolamento como estratégia. O vício se alimenta do segredo. E eu aprendi, na prática, que existe um ponto em que o consultório, sozinho, não dá conta do que o vício faz: ele isola. E isolamento é combustível. Por isso eu valorizo tanto o trabalho em Grupo de Apoio — seja em grupos terapêuticos conduzidos por profissionais, seja em grupos de apoio. 🤝

Se você chegou até aqui, eu quero te dizer algo bem direto: você não precisa resolver tudo sozinho(a). E você também não precisa “estar perfeito(a)” para começar. Tem gente que chega no grupo ainda apostando, ainda mentindo, ainda em negação. E, paradoxalmente, esse pode ser um começo valioso — porque a mudança raramente acontece na base da humilhação; ela acontece quando a pessoa se sente segura o suficiente para olhar para o próprio comportamento sem ser esmagada por ele.

Grupo de apoio para viciados em jogos de azar

No atendimento individual, eu aprendi cedo que raramente o problema é “o jogo” em si. O jogo é o mecanismo — o que vem antes, por baixo e por trás, geralmente é uma dor antiga ou uma tensão atual que a pessoa não consegue regular. Em muitos casos, o jogo aparece como uma anestesia: a mente acelera, o corpo liga, a preocupação some por alguns minutos, e o mundo fica pequeno o suficiente para caber numa tela. O cérebro registra isso como “funcionou”. E quando algo “funciona” para aliviar, mesmo que destrua por fora, vira uma armadilha poderosa. 🧠

Quando falamos de jogos de azar e apostas (bets, cassino, roleta, slots, crash), eu costumo ver um padrão que se repete com uma força assustadora: o “recuperar o prejuízo”. É impressionante como a mente cria a ilusão matemática de que “agora vai”, como se a próxima aposta tivesse a missão de apagar toda a história. E é aí que o vício fica mais perigoso: porque não é só sobre ganhar dinheiro — é sobre reparar a vergonha, recuperar a autoestima, provar para si mesmo que “eu consigo”. O problema é que o jogo não devolve dignidade; ele cobra com juros. 💸

Como eu explico o papel do grupo (sem romantizar)

Um bom grupo de apoio não é “milagre”, nem palestra motivacional. Ele é estrutura. E estrutura, para quem vive no automático do impulso, é uma forma concreta de liberdade.

  • Você sai do segredo: quando alguém diz “eu também” — sem choque, sem sermão — algo destrava por dentro. Porque a vergonha vive no silêncio. E o grupo, quando bem conduzido, é um antídoto. 🔓
  • Você ganha ritmo: semana após semana, volta, conta como foi, aprende com o outro, se compromete de novo. Isso cria estrutura onde antes havia caos.
  • Você aprende pelo espelho: ouvir a história do outro te devolve percepção: “eu não sou um monstro; eu estou num ciclo”.

O que esperar de uma reunião (na vida real)

Eu gosto de preparar a pessoa para o que é mais comum acontecer no começo:

  • Medo de ser julgado(a): quase todo mundo chega pensando “se souberem, vão me desprezar”.
  • Vontade de ir embora: o vício odeia luz. O impulso é voltar para o conhecido.
  • Alívio inesperado: ouvir histórias parecidas costuma reduzir a sensação de “eu sou o único”.
  • Resistência em falar: e tudo bem. Em muitos grupos, você pode só ouvir no início.

Se eu pudesse te dar um “norte” simples: vá como você está. Não espere virar outra pessoa para procurar apoio. O apoio é parte do caminho para virar outra pessoa.

Grupo de apoio vicio jogos

Uma das partes mais delicadas do meu trabalho é ajudar a pessoa a sair da lógica do “ou eu paro perfeito ou eu sou um fracasso”. Porque o vício adora extremos: “Já perdi, então tanto faz”; “Já menti, então não tem mais volta”; “Já fiz de novo, então sou lixo”. No consultório, eu devolvo uma verdade que costuma ser libertadora: recaída não é identidade. Recaída é um dado clínico. Ela mostra gatilhos, buracos na estratégia, emoções que ficaram sem saída. Quando a pessoa entende isso, a culpa para de ser um chicote e vira um sinal: “Aqui eu preciso de suporte.” 📌

E é por isso que o grupo funciona tão bem quando vira rotina: porque ele mantém você em contato com a realidade, não com a narrativa do vício. Minha experiência em grupos me ensinou que existe uma cura que não é “mística”, mas é profundamente humana: pertencimento.

Por que pertencimento é intervenção clínica (sim, clínica)

Para quem vive com vício, é comum ouvir a própria mente dizendo: “Ninguém entenderia”; “Eu estraguei minha família”; “Eu não presto”. O grupo coloca essa história em contraste com outra realidade: pessoas diferentes, histórias diferentes, e um ponto comum — a vontade de retomar a vida.

Quando isso acontece, eu vejo a pessoa parar de “negociar” com o impulso e começar a construir uma identidade nova: alguém em recuperação. Não alguém “curado(a) para sempre”, mas alguém que se compromete com passos reais.

O que um bom grupo reforça toda semana

  • Honestidade sem humilhação (responsabilidade sem auto-ódio).
  • Planejamento possível (não fantasioso, não punitivo).
  • Prevenção de recaída como prática, não como promessa.
  • Rede: ter para quem mandar mensagem antes do “só mais uma”.

Se eu tivesse que resumir o que eu vi funcionar, eu diria assim: pessoas saem do vício quando elas juntam clareza, barreiras práticas, suporte humano e um plano possível. Não é sobre virar outra pessoa da noite para o dia. É sobre retomar pequenas escolhas que o jogo sequestrou: dormir melhor, voltar a falar a verdade, encarar uma conta de cada vez, aguentar a ansiedade sem correr para a aposta, pedir ajuda antes de cair.

Grupo de apoio a viciados em jogo

Eu sempre reforço uma coisa: compreender é importante, mas construir proteção é essencial. O cérebro que aprendeu “alívio imediato” vai tentar te levar de volta para o caminho mais rápido — principalmente quando você está cansado(a), estressado(a), com medo, com vergonha ou com sensação de “já estraguei tudo”.

Por isso, uma parte do atendimento individual é muito prática e muito humana. A gente trabalha com identificação de gatilhos (horários, solidão, álcool, brigas, estresse, tédio, dinheiro disponível, notificações), com estratégias de regulação emocional (respiração, mindfulness aplicado ao impulso, tolerância ao desconforto), e com ferramentas cognitivas para desmontar crenenças típicas do jogo (ilusão de controle, “quase ganho”, superstição, “eu mereço uma sorte hoje”).

Meu checklist de proteção (sem drama, sem moralismo)

Em muitos casos, eu incentivo medidas de segurança concretas: bloqueios de aplicativos e sites, limitar acesso a cartões, combinar com alguém de confiança um “plano de proteção”, e criar barreiras para reduzir o ato automático. Isso não é punição. É cuidado. 🛡️

  • Barreiras digitais: bloqueadores, senhas com alguém de confiança, remover apps, silenciar gatilhos.
  • Barreiras financeiras: reduzir limites, separar dinheiro do mês, acordos de transparência gradual.
  • Barreiras sociais: ter “pessoas-ponte” (alguém para avisar quando o impulso vier).
  • Barreiras emocionais: estratégias rápidas para atravessar o pico do impulso sem agir.

Recaída: como eu trabalho isso sem te destruir

Quando acontece recaída, eu não trato como sentença. Eu volto para a pergunta clínica: o que veio antes? Qual foi o gatilho? Qual foi a emoção? Qual foi o pensamento automático? Qual barreira falhou? Onde você ficou sozinho(a) demais? Onde você se cobrou “perfeição” e caiu no tudo-ou-nada?

Essa mudança de postura é decisiva: a pessoa para de dizer “eu sou lixo” e começa a dizer “eu preciso de suporte aqui”.

Reconstrução de confiança (com família, parceiro(a), amigos)

Um tema recorrente nos grupos é a reconstrução de confiança. O vício em jogo frequentemente gera dívidas, promessas quebradas, brigas, afastamento. E eu costumo ser bem direto: confiança volta com tempo e consistência, não com discurso bonito.

  • Passos pequenos: rotina simples, acordos claros, prestação de contas possível.
  • Transparência gradual: sem exposição humilhante, mas com verdade.
  • Responsabilidade sem auto-ódio: assumir o que fez, sem virar refém do pior capítulo.

A pessoa precisa assumir o que fez — mas também precisa acreditar que pode ser mais do que o pior capítulo da sua história.

Quando eu recomendo combinar grupo + terapia + psiquiatria

Outra coisa que eu nunca subestimo é o que está junto do vício. Ansiedade, depressão, TDAH, uso de álcool, traumas, solidão, crises familiares — são camadas que, se ignoradas, mantêm o ciclo. E, quando a depressão também entra nessa história (desânimo, isolamento, culpa, sensação de “não tem saída”), um espaço de rede como o Grupo de Apoio para Depressão pode ser um apoio importante junto do tratamento.

Em alguns casos, é necessário acompanhamento psiquiátrico, especialmente quando há sofrimento intenso, risco ou comorbidades importantes. Isso não é “fraqueza”; é tratamento adequado para um problema real.

Grupo de apoio para viciados em jogos online

O “online” muda o jogo por um motivo bem simples: acesso + velocidade + gatilho constante. Apostas e jogos “cabem” no bolso, aparecem em notificação, oferecem bônus, criam urgência (“última chance”), e empurram o cérebro para o modo automático. E quando você está vulnerável, o automático ganha.

Eu vejo muita gente tentando “ganhar na força de vontade”. Mas força de vontade, sem barreira, vira um teste diário — e teste diário cansa. O que funciona melhor é estratégia: reduzir oportunidade, diminuir estímulo e aumentar suporte.

Gatilhos digitais que eu mais escuto (e como eu trabalho)

  • Notificações e promos: cortar estímulo é tratamento, não frescura.
  • Solidão + tela: a combinação mais comum para recaída silenciosa.
  • “Só 10 minutos”: o vício sempre promete pouco para cobrar muito.
  • Alívio do estresse: o jogo vira “anestesia” — e isso precisa de alternativa real.

Alternativas ao ato (porque “só parar” não preenche o buraco)

Quando eu digo que “o jogo é o mecanismo”, eu estou dizendo que ele ocupa uma função: aliviar, anestesiar, regular emoção, dar sensação de controle. Então, sim: é necessário construir substitutos.

  • Regulação rápida: respiração, caminhada curta, banho, música, grounding.
  • Contato humano: mandar mensagem antes do pico (não depois).
  • Organização do ambiente: tirar o fácil de vista, deixar o saudável acessível.
  • Rotina mínima: sono, alimentação e horários — porque impulsividade piora no caos.

E existe um momento que, para mim, é sempre emocionante. É quando alguém diz: “Hoje eu senti vontade… e não fui.” Às vezes parece pouco para quem nunca viveu isso. Mas, para quem estava preso no automático, isso é enorme. É liberdade nascendo em forma de um “não” silencioso. 🌱

Se você está lendo isso e se reconhecendo

Se você está lendo isso e se reconhecendo, eu quero deixar uma mensagem muito concreta: você não precisa resolver tudo sozinho(a). O vício em jogo é tratável. Há caminhos. Há grupos. Há técnicas. Há gente que entende. E há vida depois do ciclo. Um passo de cada vez — mas um passo real. ✅

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Se em algum momento você estiver em risco imediato (pensamentos de autoagressão), procure uma emergência ou ligue 188 (CVV). Você não precisa passar por isso sozinho(a).

Referências e leituras recomendadas (bibliografia)