Eu vou direto ao ponto, com muito cuidado e muita humanidade: luto dói — e dói de um jeito que, muitas vezes, a gente não consegue explicar. 
E, ao mesmo tempo, existe uma verdade que eu repito com carinho para quem chega até mim: você não precisa atravessar isso sozinho(a). Um grupo de apoio psicológico ao luto pode ser o espaço que faltava para você respirar, nomear a dor e se reorganizar por dentro, sem julgamento.
Eu falo disso com convicção também por uma história que me atravessa desde cedo.
Eu tinha cinco anos. É… a minha mãe, ela tinha um filho mais velho, eu tinha cinco anos e o meu irmão tinha dezenove anos. E… ele sofreu um acidente de carro, ele era super saudável, né? E ele tava de carona e ele sofreu um acidente de carro e veio a falecer.
Esse tipo de perda muda a casa, muda o corpo, muda a forma como a gente enxerga a vida. E foi ali que eu comecei a entender (mesmo ainda criança) que o luto não é só “tristeza”: ele mexe com identidade, rotina, fé, memória, futuro.
grupo de apoio ao luto online
Quando a gente fala em grupo de apoio ao luto online, a primeira pergunta costuma ser: “funciona mesmo?” 
Funciona — especialmente quando o grupo é bem conduzido, tem regras claras de convivência e oferece acolhimento + escuta qualificada + segurança. E faz ainda mais diferença quando a pessoa está com a rede de apoio “esvaziada”, mora longe, tem dificuldade de deslocamento ou simplesmente não consegue (ainda) estar presencialmente. Se você está buscando um formato remoto para começar com mais conforto e constância, um Grupo de Apoio Online pode ser um primeiro passo possível.
Eu vejo isso na prática: tem gente que chega dizendo “não consigo falar disso com ninguém, porque todo mundo muda de assunto”. E aí, no online, pela primeira vez, encontra um espaço onde falar da perda não assusta e não incomoda.
Porque é real: a sociedade tem um tabu ainda muito grande em cima da morte.
As pessoas não querem falar. É… E… então, muitas vezes, quando alguém perde um ente querido, ouve coisas como: “vamos conversar sobre outra coisa”, “não olha as fotos”, “guarda os objetos”, “se distrai”.
Só que eu aprendi cedo (e a ciência também mostra) que evitar não cura. A gente pode até adiar… mas o luto cobra o caminho de volta.
E eu lembro exatamente da sensação de ver isso acontecer dentro de casa:
Eu participei do sofrimento dela, assim, né? De ver o quanto que ela sofreu… e também de perceber como o mundo julgava.
A minha mãe teve um luto patológico, na verdade. Ela… além do que é esperado socialmente, ela teve alguns comportamentos… que foram julgados, né? E ela começou a frequentar psicólogo, psiquiatra, e eu achava muito bonito… eu ficava na recepção esperando, eu achava muito bonito o trabalho de poderem ajudá-la.
E foi aí que nasceu um desejo muito claro em mim:
“Eu quero ser esse tipo de profissional aí, né, que quando a pessoa tá sofrendo dessa forma, a pessoa vai escutar e vai ajudar.” 

O que é um grupo de apoio ao luto (de verdade)
Um grupo de apoio ao luto é um espaço de encontro (online ou presencial) para que pessoas enlutadas possam:
- falar sobre quem morreu e sobre o que mudou depois disso;
- ser escutadas sem conselhos rápidos, sem “positividade tóxica”, sem pressa;
- entender que certas reações (insônia, culpa, raiva, confusão) podem aparecer;
- aprender recursos para atravessar datas difíceis, gatilhos e mudanças na rotina;
- construir, aos poucos, um caminho possível de continuidade.
Alguns grupos são psicoeducativos (explicam o processo do luto, normalizam reações e ensinam estratégias). Outros são mais focados em troca e acolhimento. E também existe o grupo terapêutico (conduzido por profissional), com técnicas e objetivos clínicos.
Grupo de apoio x terapia em grupo (parece igual, mas não é)
Eu gosto de explicar assim:
- Grupo de apoio: foco em acolhimento, pertencimento, troca, validação emocional. Pode ser conduzido por profissional ou por pares (pessoas enlutadas com organização e regras).
- Terapia em grupo: é psicoterapia. Tem enquadre clínico, sigilo formal, objetivos terapêuticos e manejo de sintomas com técnicas (ex.: TCC, terapia focal, intervenções baseadas em evidência).
Na prática, ambos podem ajudar — desde que sejam conduzidos com responsabilidade e com limites claros.
Por que o grupo costuma ser “mais rico” do que o individual
Eu vou usar aqui uma frase que eu digo muito, e que está no centro do que eu acredito:
“O trabalho em grupo, ele é mais rico do que o individual, porque no grupo são pessoas que também passaram pela perda e você compartilha e é acolhido.”
E tem um motivo humano por trás disso:
o ser humano ele é um ser social. A gente precisa desse olhar do outro e de ser olhado pelo outro, e escutar e ser escutado.
No grupo, algo poderoso acontece: você percebe que não está “quebrado(a)”. Você está enlutado(a). E isso muda tudo. 
O que eu considero um “bom” grupo de apoio ao luto
Se você está escolhendo um grupo (especialmente online), eu recomendo observar estes critérios:
- Regras de sigilo e convivência (o que é dito no grupo não vira assunto fora dele).
- Clareza sobre facilitação: quem conduz? qual formação? qual proposta?
- Limites: o grupo não “invade” sua vida (ex.: mensagens insistentes, exposição pública, pressão para falar).
- Acolhimento sem julgamento (sem comparações do tipo “meu luto é pior/melhor”).
- Espaço para emoção (chorar, silenciar, repetir histórias — tudo isso pode fazer parte).
- Orientação de encaminhamento quando necessário (ex.: crise intensa, risco, sintomas graves).
Uma observação importante, especialmente no Brasil: psicoterapia online é regulamentada e deve seguir diretrizes éticas; desde 31/08/2024, o Cadastro e-Psi deixou de ser exigido, mas a responsabilidade técnica e ética permanece. 
“Mas existe um jeito certo de viver o luto?”
Eu entendo essa pergunta, porque ela aparece muito: “Quanto tempo vai durar?”, “Quando eu volto ao normal?”
Eu costumo dizer: não existe um “normal” universal. Mas existe sofrimento que precisa de mais suporte, porque começa a paralisar a vida.
E aqui entra uma psicoeducação que eu faço com muita calma:
“a gente trabalha a psicoeducação do que que é esperado, o que que é considerado ‘normal’, entre aspas, pra uma pessoa que passa por esse processo.”
Também é importante lembrar uma coisa que você falou com muita precisão:
“Luto, na verdade, não é só a perda de um ente querido.”
O luto também pode aparecer quando a gente recebe um diagnóstico, quando a gente é demitido, quando termina um relacionamento, quando muda de país… a gente está elaborando uma perda e um luto.
Quando o luto vira um alerta (luto prolongado/complicado)
Eu prefiro falar disso com cuidado, sem assustar: a maioria das pessoas vive um luto doloroso e, com o tempo, vai encontrando algum tipo de reorganização. Mas existe um quadro reconhecido por classificações diagnósticas, chamado Transtorno de Luto Prolongado, quando a dor permanece intensa e com prejuízo funcional por um tempo atipicamente longo.
- Em critérios do DSM-5-TR, para adultos, a perda precisa ter ocorrido há pelo menos 12 meses (e 6 meses para crianças/adolescentes), com sintomas persistentes e prejuízo.
- Na perspectiva do ICD-11, o foco é uma resposta de luto persistente, com anseio/saudade intensa ou preocupação com o falecido, por pelo menos 6 meses, excedendo normas culturais e com prejuízo.
Isso não é para você se “auto-diagnosticar”. É para você ter um mapa: se a dor está te impedindo de viver, procure ajuda especializada. E sim, dá para tratar e atravessar com suporte adequado.
Como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ajuda no luto
Você trouxe um ponto muito verdadeiro: enquanto o mundo lá fora julga e foge, a psicoterapia — individual ou em grupo — acolhe essa dor.
Na TCC, a gente costuma trabalhar três frentes que andam juntas:
- Pensamentos: culpa (“e se…”), autocobrança, ideias rígidas (“eu deveria estar bem”), interpretações sobre a perda.
- Comportamentos: evitar lugares, evitar falar do assunto, isolamento, parar a vida (ou ficar “no piloto automático”).
- Emoções e corpo: tristeza intensa, ansiedade, irritabilidade, sensação de vazio, alterações de sono e apetite.
E eu repito a frase que está no coração do trabalho:
“A gente precisa enfrentar o luto, essa perda… não tem como eu fugir, me esquivar.”
Enfrentar aqui não é “forçar”. É ter um lugar seguro para olhar para a perda em doses humanas, no seu tempo, com suporte. E, quando junto do luto aparecem sintomas como ansiedade persistente (tensão, aperto no peito, insônia, ruminação), um cuidado complementar como um Grupo de Apoio para Ansiedade pode ajudar a sustentar o processo.
O que acontece num encontro de grupo (na prática)
Para reduzir a ansiedade do “não sei o que esperar”, eu descrevo um encontro típico:
- Boas-vindas e checagem breve (como cada um chega hoje).
- Compartilhamento (livre, sem obrigação de falar).
- Validação do que aparece (dor, saudade, raiva, culpa, alívio, ambivalência).
- Temas que costumam surgir: datas marcantes, lembranças, rituais, conflitos familiares, mudanças de identidade.
- Fechamento com combinados de autocuidado para a semana (pequenos passos).
Em muitos casos, o grupo também ajuda em algo fundamental: dar um lugar para a memória. Porque “memória” não é o oposto de “seguir em frente”. Memória é vínculo transformado.
Se você está sem rede de apoio (ou sentindo que ninguém entende)
Eu sei o quanto isso pesa. E eu lembro de ver isso acontecer: as pessoas achavam que estavam “protegendo” evitando o assunto, mas, por trás, era dificuldade delas com a finitude.
É por isso que eu valorizo tanto grupo: ele pode virar um pedaço de rede onde antes havia silêncio. E, aos poucos, você vai se reencontrando, se reorganizando, caminhando na direção daquela palavra que todo mundo fala, mas quase ninguém explica direito: aceitação.
E eu gosto da forma como você colocou:
“Até chegar na aceitação é um caminho… que não é rápido. E cada paciente tem o seu tempo.” 
Cuidados importantes: quando buscar ajuda imediatamente
Se, além do luto, você perceber algum destes sinais, não carregue isso sozinho(a):
- ideias de morte, vontade de sumir, ou pensamentos de se machucar;
- uso de álcool/drogas como única forma de anestesiar;
- insônia total por dias, crises de pânico recorrentes;
- isolamento completo + incapacidade de fazer o mínimo da rotina por semanas;
- desespero que parece “sem saída”.
Você merece apoio agora. Se estiver em risco, busque emergência (SAMU 192) e apoio emocional imediato.
Conclusão: o luto precisa de lugar — e o grupo pode ser esse lugar
Eu sempre volto ao que me move desde aquela cena antiga, eu pequena, e minha mãe tentando sobreviver ao impensável.
Eu vi o quanto que foi difícil e sofrido… e foi ali o meu despertar, pro olhar da psicologia pra ajudar o outro.
Então, se você está procurando um grupo de apoio ao luto (principalmente um grupo de apoio ao luto online), eu deixo uma mensagem simples:
Você não está “fraco(a)”. Você está enlutado(a).
E o luto, quando encontra escuta, encontra caminho. 
E, se junto do luto vier uma tristeza profunda que não passa (apatia, culpa intensa, perda de sentido), pode ser importante ter um espaço específico de acolhimento — como um Grupo de Apoio – Depressão — para não atravessar essa fase sozinho(a). Da mesma forma, se você perceber que está usando jogos/apostas como forma de “anestesiar” a dor, um grupo de apoio para viciados em jogo pode ser um suporte complementar, com foco e segurança.
Referências e leituras confiáveis