Eu trabalho há anos com pessoas com transtorno de personalidade borderline (TPB) — tanto em atendimento individual quanto em grupos terapêuticos. E, se eu tivesse que resumir o que aprendi em uma frase, seria isto: a dor do TPB é real, intensa e, ao mesmo tempo, profundamente tratável quando existe um caminho claro, consistente e humano. 
Quando alguém procura um Grupo de Apoio borderline, quase nunca está buscando “apenas conversar”. Na maioria das vezes, está buscando um lugar onde a dor não seja ridicularizada, onde a emoção não seja tratada como exagero, e onde exista um caminho possível para sair do ciclo de crise, culpa e isolamento.
No consultório, eu vejo um padrão que se repete com pequenas variações: pessoas brilhantes, sensíveis, frequentemente com histórico de invalidação emocional (“você é dramática”, “isso é coisa da sua cabeça”), carregando um medo crônico de abandono. Por fora, podem parecer “instáveis”. Por dentro, muitas vezes, é como se vivessem com o alarme de incêndio ligado o tempo todo. 
Eu gosto de falar isso logo no começo porque muda o olhar: a pessoa não é “um problema”. Ela está tentando sobreviver com um sistema emocional que dispara rápido, alto e forte. E isso pode ser trabalhado.
O que é (de verdade) um grupo de apoio borderline
Na prática, eu vejo três formatos de grupo que as pessoas chamam de “grupo de apoio” — e entender essa diferença evita frustração:
- Grupo de apoio: acolhimento, pertencimento, troca de experiências, menos isolamento.

- Grupo terapêutico: além do acolhimento, há condução clínica e objetivos terapêuticos definidos (temas, intervenções, manejo de dinâmica).
- Grupo de habilidades (TCD/DBT): é estruturado e prático. Ensina habilidades específicas para regulação emocional, tolerância ao mal-estar, atenção plena e efetividade interpessoal.

Meu trabalho se apoia muito na Terapia Comportamental Dialética (TCD), que é uma abordagem estruturada criada para ajudar pessoas com alta intensidade emocional, impulsividade e crises relacionais. “Dialética” significa sustentar duas verdades ao mesmo tempo: “você está fazendo o melhor que consegue” e “você precisa aprender habilidades novas para sofrer menos”. 
Eu repito isso porque é libertador: não é culpa, é aprendizado. E grupo é um dos lugares onde esse aprendizado fica mais vivo — porque ele acontece no contato, no vínculo e na prática.
Por que grupo ajuda tanto no TPB (o que o consultório sozinho nem sempre consegue)
A parte que mais me marca, ao longo dos anos, é ver o momento em que alguém percebe — não só com a cabeça, mas com o corpo — que a emoção passa. Que não é infinita. E que existe um espaço entre o impulso e a ação.
Esse “espaço” muitas vezes nasce de algo que o grupo oferece como poucos lugares oferecem: testemunho. Quando uma pessoa ouve outra descrevendo a mesma vergonha, o mesmo medo, a mesma sensação de “eu sou demais”, algo relaxa por dentro. E é nesse relaxamento que a habilidade entra.
Eu vi isso com clareza no caso que mais me emocionou (e ainda me emociona quando lembro): uma paciente que vou chamar de Camila.
Camila chegou aos 28 anos, com um currículo impecável e uma vida afetiva em ruínas. Era comum ela me dizer: “Eu sei o que eu deveria fazer. Eu só não consigo fazer”. Ela alternava entre idealizar e odiar pessoas muito rápido, especialmente parceiros e amigas. Em semanas boas, descrevia um amor “finalmente verdadeiro”; em semanas ruins, a mesma relação virava “a prova de que ninguém fica”.
E, quando a sensação de abandono surgia — às vezes por um atraso de 20 minutos, às vezes por uma mensagem não respondida — o corpo dela entrava em pânico. Ela não chamava isso de pânico. Chamava de “certeza”.
A “certeza” de Camila era: “Eu vou ser deixada, e eu não vou sobreviver a isso”.
Como reconhecer um grupo seguro (e por que limites são parte do cuidado)
Se tem uma coisa que eu aprendi trabalhando com TPB é que limites consistentes não são punição; são segurança. Por isso, um grupo bom precisa de regras claras. Não é rigidez; é proteção.
Procure sinais como:
- Regras explícitas de confidencialidade (o que é dito ali não vira assunto fora do grupo).

- Combinados sobre crise (o que fazer quando alguém está “no limite”, quais recursos usar, quais limites de contato).
- Moderação presente (facilitador que intervém quando há escalada, invalidação, agressões ou gatilhos).
- Contrato de convivência: respeito, turnos de fala, linguagem, proibição de assédio, e orientação clara contra “conselhos médicos”.
No começo do tratamento da Camila, eu tive que ser firme de um jeito que muita gente confunde com frieza. Mas não era frieza. Era contenção. Eu expliquei que nós construiríamos duas coisas ao mesmo tempo: 1) uma relação terapêutica confiável e previsível; 2) um conjunto de habilidades para que ela não precisasse usar a crise como linguagem.
O poder de um plano de crise (passos pequenos, corpo primeiro)
Nós fizemos um acordo explícito: quando a urgência emocional aparecesse, antes de qualquer decisão impulsiva, Camila usaria um “plano de crise” simples e concreto. Esse plano tinha etapas curtas: respirar e aterrar o corpo, nomear a emoção, reduzir vulnerabilidades básicas (sono, fome, álcool, isolamento), e só então escolher uma ação.
Eu insisto nisso porque o “alarme” não negocia com lógica. Ele negocia com corpo e com passos curtos.
Grupo de apoio borderline online
Muita gente busca grupo de apoio borderline online por motivos reais: falta de opção na cidade, vergonha, rotina difícil, distância, ou porque o remoto facilita começar. Eu gosto do online quando é bem conduzido, porque ele amplia acesso.
Se você está buscando exatamente esse formato, aqui você encontra um Grupo de Apoio Online.
Antes de entrar, observe:
- Privacidade: fone, ambiente reservado, orientação contra gravações.

- Estrutura do encontro: abertura, tema, prática, fechamento — ou vira só “tempestade sem bússola”?
- Regras de gatilho: como o grupo lida com detalhes que podem disparar outros membros?
- Contato fora do grupo: existe limite? existe moderação? existe regra para evitar dependência e escalada?
O ponto não é proibir emoção. É organizar emoção para que ela não destrua vínculo.
A cena que me emocionou — de verdade — aconteceu por volta do quinto mês. Num domingo à noite, Camila me enviou uma mensagem breve (dentro das regras combinadas para crises): “Ele não respondeu. Eu tô no limite.”
Eu respondi dentro do combinado: “Use o plano. Faça duas habilidades e me diga o resultado.” Ela fez.
Na sessão seguinte, Camila entrou com os olhos vermelhos, mas sentou diferente. Postura diferente. Voz diferente. E disse algo que eu nunca esqueço, porque não foi uma frase bonita: foi um marco de autonomia.
“Eu queria que você tivesse me salvado. Eu queria que você me dissesse o que fazer. Mas eu fiz. Eu me salvei por uma hora. Depois por mais uma. Depois eu dormi.”
Ela descreveu que a vontade de “explodir” vinha em ondas. E que, pela primeira vez, ela tinha surfado uma onda sem se afogar. Ela não estava eufórica. Estava cansada. E estava orgulhosa — um orgulho quieto, sólido, adulto.
Grupo de apoio borderline WhatsApp
Quando alguém procura grupo de apoio borderline WhatsApp, geralmente está buscando acesso rápido e sensação de companhia imediata. Isso é compreensível — principalmente quando a pessoa vive com medo de abandono e com o “alarme” sempre pronto para tocar.
Mas eu preciso ser muito honesto aqui: WhatsApp pode ajudar… e pode piorar, dependendo do tipo de grupo. O risco não é “o aplicativo”. O risco é um grupo sem regra, sem moderação, com escaladas emocionais, invasões de privacidade e “conselhos” impulsivos no meio de crise.
Se você for entrar (ou criar) um grupo no WhatsApp, eu recomendo estes critérios de segurança:
- Moderação ativa: alguém responsável por lembrar regras, conter conflitos e intervir quando necessário.

- Regras claras: respeito, turnos, proibição de humilhação/ameaça, nada de exposição de terceiros, nada de “testes” de lealdade.
- Limites de horário: grupos 24h podem virar “ambulância emocional” e aumentar dependência e desgaste.
- Plano para crise: o grupo não substitui urgência. Defina recursos (CVV 188, emergência, contato de confiança).
- Confidencialidade: combinado explícito + orientação para não compartilhar prints.
- Conteúdo gatilho: evitar detalhes que possam disparar outras pessoas; foco em “o que estou sentindo + o que vou fazer agora”.
O que eu mais busco é que a pessoa não use a crise como linguagem. Eu vi isso acontecer com a Camila: no grupo, ela viu outras pessoas descrevendo a mesma vergonha que ela achava “exclusiva” dela. E também viu pessoas que, meses antes, estavam quebradas, começando a reconstruir vida social, trabalho, limites e autoestima. A vergonha é um combustível silencioso do TPB. Quando ela encontra um ambiente seguro, ela perde força.
E vale um cuidado extra: quando a dor fica muito alta, algumas pessoas podem tentar “anestesiar” a emoção com comportamentos de escape (incluindo impulsos com apostas e jogos). Se isso estiver acontecendo com você, pode ajudar buscar um suporte direcionado como um grupo de apoio para viciados em jogos de azar.
Habilidades que mudam o jogo (e por que eu aposto nelas)
Quando eu falo de TCD, eu estou falando de quatro pilares que aparecem repetidamente como alavancas de mudança:
- Atenção plena: notar a emoção sem virar a emoção.

- Tolerância ao mal-estar: atravessar a onda sem implodir relações.
- Regulação emocional: reduzir vulnerabilidades (sono, fome, álcool, isolamento) e aumentar repertório.
- Efetividade interpessoal: pedir, dizer não, negociar, reparar danos — sem “testar” o outro até quebrar.

Camila terminou o tratamento um ano depois com menos crises, menos comportamentos impulsivos, e — o mais importante — com linguagem. Ela conseguia dizer: “Estou com medo”, em vez de atacar. Conseguia pedir: “Você pode me confirmar que estamos bem?”, em vez de testar o outro até quebrar. E, quando recaía, ela não usava a recaída como prova de fracasso. Usava como sinal de ajuste.
E, como TPB frequentemente caminha junto com sofrimento depressivo e ansioso, algumas pessoas se beneficiam de espaços complementares de acolhimento — como um Grupo de Apoio – Depressão e um Grupo de Apoio para Ansiedade — especialmente quando a pessoa está reconstruindo rotina e rede.
Quando procurar ajuda imediata (segurança acima de qualquer teoria)
Se você está em risco de se machucar, ou sentindo que não vai aguentar, isso não é “fraqueza”. É sinal de que você precisa de suporte agora. 
- Procure um serviço de urgência da sua cidade ou alguém de confiança para ficar com você.
- No Brasil, existe apoio emocional gratuito 24h pelo telefone 188 (CVV).
Eu digo isso com toda clareza: um grupo ajuda muito, mas não substitui cuidado intensivo em crise aguda. Em momentos de perda recente, por exemplo, um espaço de suporte como o Grupo de Apoio ao Luto pode ser um complemento importante (sem substituir urgência quando necessário).
Fechamento
No nosso último encontro, Camila disse uma frase simples: “Eu ainda sinto tudo. Mas agora eu sei o que fazer com o que eu sinto.” E, para mim, isso é a definição prática de liberdade.
Se existe algo que eu levo para sempre desses anos trabalhando com TPB, é isto: ninguém escolhe sentir essa dor, mas muita gente pode aprender a viver sem ser governada por ela. E quando uma pessoa aprende isso, ela não muda só a própria vida. Ela muda, discretamente, a vida de quem está ao redor — porque relações melhores começam quando alguém decide parar de sangrar em cima dos outros e aprende, finalmente, a cuidar da própria ferida. 
E, se parte da sua dor tem relação com identidade, pertencimento e medo de rejeição, um ambiente afirmativo e seguro pode fazer diferença. Nesse caso, você pode considerar também um Grupo de Apoio LGBT Online ou Grupo de apoio Bipolaridade como suporte complementar.
Referências e leituras recomendadas