Grupo de Apoio: O que é e como funciona

Um grupo de apoio é um espaço de apoio emocional e apoio psicológico onde pessoas com vivências parecidas se reúnem para acolher, compartilhar e criar rede. Aqui você vai entender grupo de apoio: o que é, como funciona um grupo de apoio, seus benefícios e a diferença entre grupo de apoio vs terapia em grupo, incluindo opções como o meu Grupo de Apoio Online.

Sumário de "Grupo de apoio: o que é, como funciona e benefícios"

Capa do artigo sobre os Grupos de Apoio
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Thais Barbi

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Introdução sobre Grupo de Apoio

Se eu pudesse resumir o que é um grupo de apoio em uma frase bem honesta, eu diria assim: é um espaço onde a gente para de carregar tudo sozinho. 💛

E eu não falo isso só por teoria. Quando eu fui contratada como psicóloga para trabalhar no Núcleo de Apoio à Saúde da Família, que é um programa criado pelo Ministério da Saúde para apoiar a equipe das unidades básicas de saúde — médico de família, enfermeira, odonto, técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde, toda essa equipe da atenção básica — eu entendi, na prática, que o grupo não é “menos” do que o individual. É outra potência.

Ali, no dia a dia, a demanda é enorme. E dependendo da demanda existente na comunidade, se torna muito difícil dar conta desse sofrimento se eu ficar presa na ideia de que psicologia é só atendimento individualizado e de longo prazo. Foi aí que o “grupo” deixou de ser um conceito e virou ferramenta real de cuidado — com ética, sigilo e acolhimento.

Grupo de apoio psicológico

Um grupo de apoio psicológico é um encontro (presencial ou online) em que pessoas com vivências parecidas se reúnem para acolher, compartilhar, trocar estratégias e criar uma rede de suporte. 🧠✨

Na prática, ele pode ser conduzido por um profissional (como psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional) ou ser organizado como ajuda mútua (mais “de pares”, com regras combinadas). A grande chave é que existe um objetivo comum: lidar melhor com um sofrimento, uma fase difícil ou uma condição de vida.

No meu trabalho, era uma equipe multiprofissional — psiquiatra, fisioterapeuta, nutricionista, educadora física, médico veterinário — e uma das propostas era justamente fortalecer o cuidado no território. E aí vem uma verdade: foi desafiador, porque as pessoas têm muito preconceito e acham que o psicólogo vai fazer aquele atendimento individualizado, psicoterapia a longo prazo, como se todo mundo tivesse tempo, agenda, privacidade e acesso para isso do jeito ideal.

O grupo não apaga a importância do individual. Mas ele faz algo que, muitas vezes, o individual não consegue fazer do mesmo jeito: ele mostra ao vivo que você não é o único vivendo aquilo.

O que um grupo de apoio psicológico não é

  • Não é um lugar para exposição sem regras (grupo bom tem contrato, combinados e limites).
  • Não é “fofoca” ou “conversa aleatória” (até os mais livres têm um fio condutor e um propósito).
  • Não é substituto automático para psicoterapia individual quando há necessidade de cuidado intensivo.

Tipos comuns de grupo (para você se localizar)

  • Grupo de apoio / ajuda mútua: foco em acolhimento, troca, pertencimento e sustentação do dia a dia.
  • Grupo psicoeducativo: além do apoio, há ensino de habilidades (por exemplo: ansiedade, sono, manejo de pensamentos, comunicação).
  • Terapia em grupo (psicoterapia em grupo): é tratamento estruturado, conduzido por profissional, com objetivos terapêuticos e método.
  • Roda comunitária / prática integrativa: formato de cuidado coletivo (muito presente em territórios, UBS e comunidades)

Você gostaria de saber como funcionam os meus grupos de terapia?

Grupo de apoio emocional

Quando a pessoa busca um grupo de apoio emocional, geralmente ela está procurando algo muito humano: um lugar onde dá para sentir sem ser julgada🫂

Eu lembro de ouvir no grupo falas que se repetiam de um jeito que apertava o coração: “poxa, eu não sou sozinha”. E vinha junto outra frase, quase como um desabafo: “eu tenho uma família, mas eu me sinto tão sozinha na minha família”. Só que ali, naquele encontro, com gente que às vezes era “estranha”, a pessoa dizia que se sentia acolhida e, mais forte ainda, que se sentia ajudando as outras pessoas.

Isso é um dos grandes poderes do grupo: ele não te coloca só no papel de quem recebe ajuda. Ele também te devolve um senso de valor — “eu também tenho algo a oferecer”. 💛

Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo emocional

  • Quando a pessoa está em luto e precisa de companhia afetiva para atravessar.
  • Quando há ansiedade e isolamento (“eu não consigo falar com ninguém sobre isso”).
  • Quando existe vergonha e medo de julgamento, mas ao mesmo tempo uma vontade de se conectar.
  • Quando a comunidade é o contexto do sofrimento (território, família, relações) e faz sentido trabalhar isso no coletivo.

E eu vou ser bem direta: às vezes a pessoa acha que “grupo é fraco”, mas é justamente o contrário. Grupo exige coragem — e também exige estrutura.

Grupo para borderline (TPB: quando a emoção vira tempestade) 🌊

Muita gente com TPB (Transtorno de Personalidade Borderline) não procura grupo porque “quer drama” — procura porque vive no limite por dentro: emoções muito intensas, medo de abandono, relações que oscilam entre grande aproximação e grande afastamento, e uma dor que às vezes vira impulsividade (mensagens, decisões, compras, sexo, brigas) ou autossabotagem. E depois vem o pós: culpa, vergonha e a sensação de “eu estraguei tudo de novo”.

Eu já ouvi no grupo falas que se repetem: “eu sinto demais”, “ninguém aguenta”, “eu amo e odeio na mesma hora”, “quando eu acho que vão me deixar, eu viro outra pessoa”. O Grupo de Apoio Borderline vira um lugar para colocar nome no que acontece, desacelerar e aprender a atravessar a onda sem se destruir — e sem destruir vínculos. 🫂

Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para TPB

  • Quando há medo de abandono e padrões repetidos de “testar” o outro (cobrança, ciúme, controle, sumiço).
  • Quando a pessoa vive explosões seguidas de arrependimento (“eu perdi a mão e depois me odiei”).
  • Quando existe vazio, instabilidade de identidade e dificuldade de se regular sem depender do outro.
  • Quando há impulsividade (brigas, álcool/drogas, sexo, gastos) como tentativa de aliviar dor rápida.
  • Quando a pessoa quer habilidades práticas para lidar com emoção forte e manter relações mais seguras.

O ponto-chave é que grupo para TPB precisa de estrutura: combinados claros, foco em habilidades (autorregulação, comunicação, limites, tolerância ao desconforto) e um jeito firme e acolhedor de conduzir conflitos — porque eles aparecem. E quando aparecem, viram matéria-prima terapêutica, não “prova” de fracasso. 🧩

Importante: se houver risco atual de autoagressão ou ideação suicida, a prioridade é segurança e suporte intensivo. No Brasil, em emergência: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h). 🚨

Como funciona um grupo de apoio

O funcionamento muda bastante conforme a proposta, mas existe um “esqueleto” que aparece nos grupos que dão certo:

  • Encontros regulares: semanais, quinzenais ou mensais (consistência é meio caminho para vínculo).
  • Facilitação: pode ser de um profissional ou de pares (mas precisa de alguém segurando o “campo”).
  • Combinados claros: regras simples, repetidas, respeitadas.
  • Participação voluntária: falar é convite, não obrigação.
  • Objetivo comum: o grupo não precisa ser “perfeito”, mas precisa saber por que existe.

O ponto que mais trava as pessoas: medo de se expor 😥

Eu vivi isso com intensidade. Tanto a equipe quanto os administradores diziam que não acreditavam que daria certo a psicologia trazer trabalho em grupo para a comunidade. O argumento era sempre parecido: “as pessoas têm vergonha, medo de se expor, porque o vizinho pode estar ali, um familiar, alguém da equipe de saúde…”

E eu entendo. Só que aí vem uma virada: mas esse é um trabalho de formiguinha. E, com formiguinha, a gente não começa correndo. A gente começa combinando o básico.

Regras básicas que eu sempre trago (simples e firmes)

  • Sigilo: o que é compartilhado aqui, fica aqui. Eu reforço que sigilo e ética não são só do psicólogo — o grupo inteiro protege.
  • Respeito: sem julgamento, sem ironia, sem “você tinha que…”
  • Fala na primeira pessoa: “eu sinto”, “eu vivi”, “eu penso” (evita virar conselho invasivo).
  • Direito de ficar em silêncio: você pode ir no seu tempo.
  • Não é espaço de exposição de terceiros: cuidado com nomes, detalhes e acusações.

Quando eu tentei “separar por transtornos” (e quase desisti)

No começo, como eu trabalho com terapia cognitivo-comportamental, eu tentei organizar os encaminhamentos por “caixinhas”: transtorno depressivo, luto, ansiedade, criança, adolescente, idosos… Eu tinha cinquenta encaminhamentos do médico e separava os bolinhos. Aí eu ligava, me apresentava, dizia que estava organizando um grupo e queria saber se a pessoa tinha interesse.

E aí vinha a realidade: dos cinquenta, apareciam três, dois. O de luto até começou um pouco melhor… mas ainda assim não tinha adesão.

Foi aí que eu pensei: se o Ministério da Saúde diz que dá para fazer esse trabalho, por que que eu não vou conseguir?

A virada: quando eu descobri a Terapia Comunitária Integrativa (e adaptei)

Eu fui pesquisando e descobri a terapia comunitária integrativa. E, sendo muito sincera, isso também me ajudou porque, naquela comunidade, alguns pacientes não se conectavam com o jeito mais “TCC raiz”. E conexão importa.

Então eu fui adaptando: um pouco de terapia comunitária com um pouco da TCC. Eu mantinha a ideia de que cada um tem seu conhecimento e, quando fazia sentido, eu trazia psicoeducação — um conceito, uma explicação simples, uma prática de respiração, um jeito de olhar para pensamentos automáticos.

Com o tempo, isso deu muito certo. Eram 21 equipes de saúde da família. Eu ia em cada UBS, fazia reunião com a equipe, explicava o que era, como estava sendo feita no Brasil, e pedia apoio para divulgação. Porque, na prática, quando o médico, a enfermeira ou o agente comunitário convidavam, tocava mais no coração: as pessoas confiam mais.

E aí aconteceu o que antes diziam que era impossível: os grupos começaram pequenininhos… e de repente foram ficando enormes. Eu lembro de até umas 50 pessoas.

Presencial vs online: qual é “melhor”?

Eu gosto de pensar assim: não é melhor, é diferente📱🏠

  • Online facilita acesso (tempo, deslocamento, mobilidade), mas exige regras claras de privacidade (fone, ambiente reservado, câmera opcional, etc.).
  • Presencial fortalece vínculo e linguagem não verbal, mas pode aumentar o medo de “ser visto”.

Se a pessoa tem muito receio, eu costumo sugerir um começo “leve”: entrar, ouvir, não se obrigar a falar e observar se o ambiente é seguro.

Benefícios do grupo de apoio

Eu já vi benefícios que são quase imediatos e outros que aparecem com o tempo. E eu gosto de dizer que o grupo faz duas coisas ao mesmo tempo: acolhe e treina vida🌱

Benefícios emocionais (o que mais aparece na fala das pessoas)

  • Redução da solidão: “tem mais gente que me entende”.
  • Esperança real: não é frase motivacional; é ver alguém atravessando e seguindo.
  • Pertencimento: a sensação de “eu caberia aqui”.
  • Alívio emocional: compartilhar tira o peso do peito.

Benefícios práticos (o lado “mão na massa”)

  • Troca de estratégias: o que funcionou para um pode inspirar outro.
  • Modelagem social: eu aprendo vendo como alguém fala, pede ajuda, coloca limite.
  • Consciência de padrões: às vezes eu só percebo meu ciclo quando escuto outra pessoa narrar algo parecido.
  • Rede de apoio: vínculos se formam, amizades se constroem.

Eu tenho isso muito vivo: até hoje encontro alguns pacientes ou eles me mandam mensagem dizendo que sentem saudade, que vínculos foram formados. Já teve pessoa que me encontrou e chorou, dizendo que foi tão boa aquela época, que estava precisando muito de ajuda e que se sentiu acolhida.

Um exemplo simples que explica o que o grupo faz com a gente (o “sarau”) 🎶

No grupo, eu comecei a trazer uma proposta de “sarau”: cada um podia levar algo que ajudou durante a semana, em alguma situação difícil. E isso virava um ritual bonito, porque a gente não se reunia só para falar de dor — a gente também aprendia a identificar recursos.

Teve uma senhora que, numa semana, lembrou que a mãe tinha falecido. Ela estava triste, claro. Mas ela disse que a mãe fazia uma receita de bolo muito gostoso, e que aquela era uma memória boa. Então ela fez o bolo com a receita da mãe e levou para o grupo. Ela compartilhou a dor e compartilhou o carinho, a memória afetiva. E ali a gente viveu junto um pedaço do luto: tristeza, angústia, mas também amor e história.

É por isso que eu me apaixonei por esse modelo: o grupo ajuda a atravessar o difícil sem perder o humano.

Por que isso funciona tão bem para ansiedade social (e afins)?

Tem pacientes que têm o perfil para grupo realmente. Por exemplo: transtorno de ansiedade social, transtorno de ansiedade, treinamento de habilidades sociais… Eu via que a pessoa tinha melhor resultado trabalhando em grupo do que sozinha, porque ela precisa enfrentar medo e dificuldade. E eu sempre penso: nada melhor do que você realmente estar ali no grupo e trabalhar isso junto com os pacientes.

O grupo vira um laboratório seguro: eu pratico fala, olho, presença, limite, discordância respeitosa. E tudo isso com acolhimento.

Grupo de apoio vs terapia em grupo

Essa dúvida aparece o tempo todo — e ela é importante porque as duas coisas podem ser ótimas, mas têm propostas diferentes. 🧩

Aspecto Grupo de apoio Terapia em grupo
Objetivo Acolher, sustentar, trocar vivências e estratégias Tratar (psicoterapia), com metas terapêuticas
Condução Pode ser por pares ou por facilitador; formato varia Conduzida por profissional habilitado (psicólogo/psiquiatra etc.)
Estrutura Mais flexível (mas precisa de regras) Mais estruturada (método, técnica, planejamento clínico)
Foco Suporte e pertencimento Processo terapêutico (mudança, insight, habilidades)
Para quem Quem quer apoio e rede (muito útil em fases difíceis) Quem busca psicoterapia e consegue sustentar o processo em grupo

E aqui vai minha posição, bem prática: muitas vezes, o melhor caminho é combinar. Grupo para pertencimento e treino de vida, e individual para aprofundar temas específicos. Não é disputa — é repertório.

Quando eu fico atenta e recomendo cuidado extra

  • Quando há risco de autoagressão ou suicídio (a prioridade é segurança e atendimento imediato).
  • Quando a pessoa está em crise intensa e precisa de suporte individual estruturado primeiro.
  • Quando o grupo não tem regras e vira um espaço que aumenta ansiedade ou vergonha.

Se você estiver em risco ou pensando em se machucar, procure ajuda imediatamente: emergência (192/193), CAPS/UPA/PS, e no Brasil o CVV atende pelo 188 (24h).

Como escolher um grupo de apoio (checklist rápido) ✅

  • Qual é o foco? (luto, ansiedade, familiares, dependência, depressão…)
  • É aberto ou fechado? (entra gente nova toda hora ou começa e termina com a mesma turma?)
  • Tem combinados claros? (sigilo, respeito, direito de silêncio)
  • Como a facilitação lida com conflitos? (isso diz muito sobre segurança do espaço)
  • Você pode ir para conhecer sem obrigação de falar? (isso aumenta adesão)

Eu aprendi, na prática, que adesão não é “mágica” — é construção. No começo eu via pouca gente aparecer. Depois, com divulgação certa, com vínculo da equipe, com regras claras e um formato que fazia sentido para o território, o grupo virou referência.

E para mim, como psicóloga, foi muito importante ver esse resultado e a adesão. Eu me emocionava. Porque no final, é isso que eu mais desejo: fazer diferença na vida das pessoas. Não importa a abordagem — claro que eu tenho a minha — mas eu pude também misturar um pouquinho com a terapia integrativa, a terapia comunitária integrativa. E funcionou.

Tipos de Grupos de Apoio

Grupo de apoio para depressão (quando tudo perde cor e o corpo vira peso) 😔

A depressão não é só tristeza — muitas vezes é apagamento: falta de energia, perda de prazer, dificuldade de levantar da cama, culpa, irritação, pensamentos duros sobre si mesmo e a sensação de que você está “atrasando a vida de todo mundo”. O mundo segue, mas por dentro parece que algo travou. 🧱

No grupo, eu já ouvi frases que se repetem: “eu não vejo saída”, “eu não sinto nada”, “eu me isolei de todo mundo”, “eu tô cansado(a) de existir”. O grupo não é para “se animar à força” — é para ter um espaço seguro onde dá para falar do que dói, ser acolhido(a) e reconstruir, aos poucos, rotina, vínculo e sentido. 🫂

Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para depressão.

Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para depressão

  • Quando há isolamento e a pessoa sente que “sumiu do mundo”.
  • Quando existe apatia e perda de prazer (“nada me anima”).
  • Quando a rotina colapsa (sono, alimentação, autocuidado, trabalho/estudos).
  • Quando aparecem culpa, autocrítica e sensação de inutilidade.
  • Quando a pessoa precisa de estrutura e companhia para retomar pequenos passos.

O grupo funciona bem quando combina acolhimento com estratégias práticas: psicoeducação, ativação comportamental (retomar atividades com sentido), construção de rotina mínima, identificação de pensamentos automáticos e treino de habilidades para pedir ajuda e se reconectar — sem pressão, mas com direção. 🧩

Importante: se houver ideação suicida, autoagressão ou risco atual, a prioridade é segurança e atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h). 🚨

Grupo de apoio para ansiedade (quando a mente não desliga e o corpo vive em alerta) 😰

A ansiedade não é “frescura” — muitas vezes é um modo de sobrevivência que ficou ligado o tempo todo. A mente corre, antecipa, cria cenários, e o corpo responde: aperto no peito, falta de ar, tensão, insônia, taquicardia, enjoo. E por trás disso costuma existir um medo muito comum: “e se eu perder o controle?”

No grupo, eu já ouvi frases que se repetem: “eu penso demais”, “eu não consigo relaxar”, “eu evito tudo porque tenho medo de passar mal”, “ninguém entende o que eu sinto”. O grupo ajuda a diminuir a solidão, organizar o que está acontecendo e construir estratégias reais para atravessar crises sem se isolar. 🫂

Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para ansiedade.

Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para ansiedade

  • Quando há crises (pânico, falta de ar, taquicardia) e medo de “ter outra” a qualquer momento.
  • Quando existe ruminação e preocupação constante (“minha cabeça não para”).
  • Quando a pessoa vive em evitação (lugares, pessoas, reuniões, trabalho) e a vida vai encolhendo.
  • Quando há insônia, tensão corporal e cansaço por hiperalerta.
  • Quando a ansiedade está ligada a autocobrança, perfeccionismo e medo de julgamento.

O grupo funciona bem porque combina acolhimento e mão na massa: psicoeducação (entender o ciclo ansiedade-corpo-pensamentos), técnicas de respiração e grounding, estratégias de enfrentamento gradual, habilidades de comunicação e limites — para a pessoa voltar a se mover no mundo com mais segurança, um passo de cada vez. 🧩

Importante: se houver risco de autoagressão, ideação suicida, ou incapacidade importante de se manter em segurança, a prioridade é atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h). 🚨

Grupo de apoio para vício em jogos (quando “só mais uma partida” vira prisão) 🎮

Para muita gente, jogar começa como lazer — e, aos poucos, vira refúgio. Quando o jogo passa a ser a principal forma de aliviar ansiedade, vazio, estresse ou solidão, a linha entre hobby e dependência fica confusa. A pessoa tenta parar e não consegue; promete “só uma hora” e perde a noite; e depois vem culpa, vergonha e a sensação de estar perdendo o controle.

No grupo, eu já ouvi frases que se repetem: “eu desconecto da vida real”, “eu minto sobre o tempo que eu jogo”, “eu só me sinto bem quando tô online”, “minha família não entende e eu só brigo”. O grupo ajuda a pessoa a sair do isolamento, construir estratégias e recuperar rotina, sem moralismo e sem humilhação — com acolhimento e estrutura. 🫂

Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para vício em jogos.

Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para vício em jogos

  • Quando há perda de controle do tempo (virar noites, faltar compromissos, “não consegui parar”).
  • Quando o jogo vira escape de ansiedade, tristeza, estresse ou sensação de vazio.
  • Quando aparecem prejuízos (estudos, trabalho, sono, higiene, alimentação, finanças).
  • Quando existe isolamento e conflitos familiares/relacionais (“só briga”, “eu me fecho”).
  • Quando há irritação ou abstinência ao tentar reduzir (agitação, raiva, inquietação, fissura).

O ponto forte do grupo é aprender a lidar com gatilhos (tédio, estresse, solidão), construir rotina e recuperar prazer fora da tela. Trabalhamos também estratégias práticas: limites de acesso, planejamento de horários, substituições saudáveis, habilidades de autorregulação e comunicação — para a pessoa conseguir pedir ajuda e sustentar mudanças no mundo real. 🧩

Importante: se houver risco de autoagressão, ideação suicida, ou uso de substâncias associado, a prioridade é segurança e atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h). 🚨

Grupo de apoio para luto (quando a dor precisa de companhia para atravessar) 🕊️

O luto não é só tristeza — muitas vezes é um choque no corpo: aperto no peito, falta de ar, insônia, falta de apetite, cansaço extremo, lapsos de memória e uma sensação de que a vida ficou “sem chão”. E junto disso pode vir culpa (“eu devia ter feito mais”), raiva, confusão e medo de “nunca mais ser como antes”.

No grupo, eu já ouvi frases que doem de um jeito parecido: “eu não consigo falar disso em casa”, “todo mundo já seguiu e eu fiquei”, “parece que ninguém entende”. O grupo não apaga a saudade — mas ajuda a pessoa a não carregar a dor sozinha, a organizar sentimentos e a encontrar um jeito possível de continuar. 🫂

Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para luto.

Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo de luto

  • Quando existe solidão e a pessoa sente que “não tem espaço” para falar sem ser interrompida ou apressada.
  • Quando o luto vem com ansiedade, insônia e sensação de alerta constante.
  • Quando há culpa e ruminação (“e se eu tivesse…?”) que não dão trégua.
  • Quando a pessoa está isolando e perdendo rotina, autocuidado e rede.
  • Quando o sofrimento é intensificado por conflitos familiares, perdas múltiplas ou falta de rituais de despedida.

O ponto forte do grupo é que ele combina acolhimento com estrutura: regras de respeito e sigilo, espaço para falar (ou ficar em silêncio) e, quando cabe, psicoeducação sobre o processo do luto — para a pessoa entender que não está “ficando louca”, e sim atravessando algo humano e profundo. 🔒

Importante: se houver risco de autoagressão, ideação suicida, ou incapacidade importante de se manter em segurança, a prioridade é atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h). 🚨

Grupo para transtorno bipolar (quando o humor oscila e a vida perde previsibilidade) 📈

Muita gente com transtorno bipolar vive uma sensação desgastante: nunca saber “como vai estar amanhã”. Em fases de alta (hipomania/mania), pode surgir energia demais, menos sono, aceleração, irritabilidade, impulsividade (gastos, decisões, brigas, projetos), e uma confiança que parece “resolver tudo” — até a conta chegar. Em fases de baixa, vem queda de energia, desesperança, lentidão, culpa e a sensação de que nada faz sentido.

No grupo, eu já ouvi frases que se repetem: “eu não confio em mim”, “minha família acha que é falta de força”, “quando eu tô bem, eu exagero; quando eu caio, eu desapareço”. Ter um espaço com gente que entende por dentro diminui a solidão e ajuda a construir previsibilidade onde antes só havia caos. 🫂

Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para bipolares.

Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para bipolaridade?

  • Quando a pessoa precisa aprender a identificar sinais precoces de oscilação (sono, energia, irritação, fala acelerada, impulsos).
  • Quando há estigma e vergonha (“eu não conto para ninguém”, “vão me achar instável”).
  • Quando a vida fica marcada por consequências de episódios (gastos, conflitos, trabalho, relacionamentos).
  • Quando existe dificuldade em manter rotina e autocuidado (sono, alimentação, limites, substâncias).
  • Quando a família/pares entram em ciclos de cobrança, controle ou desconfiança e a pessoa precisa de estratégias para se posicionar.

O grupo funciona muito bem quando tem estrutura e foco prático: psicoeducação (entender o transtorno), construção de rotina, monitoramento de humor, manejo de gatilhos e plano de prevenção de recaída — além de habilidades de comunicação para pedir ajuda cedo, antes de virar crise. 🧩

Importante: transtorno bipolar costuma exigir acompanhamento médico (psiquiatria) e, em alguns casos, medicação. Se houver sinais de crise (mania intensa, risco, ideação suicida), a prioridade é segurança e atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h). 🚨

Grupo de apoio LGBT+ (quando o sofrimento vem do preconceito, não de “quem você é”) 🏳️‍🌈

Muita gente LGBT+ procura grupo de apoio não porque “falta força”, mas porque vive cansada de se proteger: medo de rejeição, silêncio em casa, piadas, olhares, culpa, vergonha e aquela sensação de estar sempre se explicando. E isso pesa. Pesa na ansiedade, no sono, no corpo — e, às vezes, vira depressão.

Eu já ouvi no grupo frases que atravessam: “eu achei que era só comigo”, “eu me acostumei a fingir”, “eu tenho medo de ser eu”. O grupo muda quando a pessoa encontra um lugar onde pode existir com mais verdade — sem precisar “performar normalidade” o tempo todo. 🫂

Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um Grupo de Apoio LGBT+?

  • Quando há ansiedade social e medo constante de julgamento (“eu travo, eu evito, eu sumo”).
  • Quando existe isolamento (“eu não tenho com quem falar disso”) ou perda de rede.
  • Quando a pessoa vive conflito familiar (aceitação, limites, expulsão, chantagem, “não conte para ninguém”).
  • Quando há baixa autoestima, autocobrança e comparação, e o grupo pode devolver pertencimento.
  • Quando o sofrimento vem de discriminação (trabalho, escola, igreja, rua) e faz sentido reconstruir proteção e apoio no coletivo.

E aqui eu sempre faço um combinado claro: grupo não é “debate” sobre identidade. É cuidado. Com sigilo, respeito e espaço para cada um ir no próprio tempo — porque, para muita gente, falar já foi perigoso por tempo demais. 🔒

Referências e leituras recomendadas

Capa do artigo sobre o grupo de apoio lgbt

Grupo de Apoio LGBT Online

Um grupo de apoio LGBT online pode reduzir solidão e vergonha — desde que tenha moderação, regras claras e plano de crise. Neste guia, eu explico como escolher um grupo seguro (incluindo WhatsApp), o que esperar de apoio vs. terapia em grupo e quais sinais indicam que é hora de sair.

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Grupo de Apoio – Borderline

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Grupo de Apoio Online

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