Grupo de Apoio: O que é e como funciona
Um grupo de apoio é um espaço de apoio emocional e apoio psicológico onde pessoas com vivências parecidas se reúnem para acolher, compartilhar e criar rede. Aqui você vai entender grupo de apoio: o que é, como funciona um grupo de apoio, seus benefícios e a diferença entre grupo de apoio vs terapia em grupo, incluindo opções como o meu Grupo de Apoio Online.
- 📅 Publicado: 27, dezembro, 2025
- ✏️ Última atualização: 1, janeiro, 2026
Sumário de "Grupo de apoio: o que é, como funciona e benefícios"
Thais Barbi
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Introdução sobre Grupo de Apoio
Se eu pudesse resumir o que é um grupo de apoio em uma frase bem honesta, eu diria assim: é um espaço onde a gente para de carregar tudo sozinho.
E eu não falo isso só por teoria. Quando eu fui contratada como psicóloga para trabalhar no Núcleo de Apoio à Saúde da Família, que é um programa criado pelo Ministério da Saúde para apoiar a equipe das unidades básicas de saúde — médico de família, enfermeira, odonto, técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde, toda essa equipe da atenção básica — eu entendi, na prática, que o grupo não é “menos” do que o individual. É outra potência.
Ali, no dia a dia, a demanda é enorme. E dependendo da demanda existente na comunidade, se torna muito difícil dar conta desse sofrimento se eu ficar presa na ideia de que psicologia é só atendimento individualizado e de longo prazo. Foi aí que o “grupo” deixou de ser um conceito e virou ferramenta real de cuidado — com ética, sigilo e acolhimento.
Grupo de apoio psicológico
Um grupo de apoio psicológico é um encontro (presencial ou online) em que pessoas com vivências parecidas se reúnem para acolher, compartilhar, trocar estratégias e criar uma rede de suporte.
Na prática, ele pode ser conduzido por um profissional (como psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional) ou ser organizado como ajuda mútua (mais “de pares”, com regras combinadas). A grande chave é que existe um objetivo comum: lidar melhor com um sofrimento, uma fase difícil ou uma condição de vida.
No meu trabalho, era uma equipe multiprofissional — psiquiatra, fisioterapeuta, nutricionista, educadora física, médico veterinário — e uma das propostas era justamente fortalecer o cuidado no território. E aí vem uma verdade: foi desafiador, porque as pessoas têm muito preconceito e acham que o psicólogo vai fazer aquele atendimento individualizado, psicoterapia a longo prazo, como se todo mundo tivesse tempo, agenda, privacidade e acesso para isso do jeito ideal.
O grupo não apaga a importância do individual. Mas ele faz algo que, muitas vezes, o individual não consegue fazer do mesmo jeito: ele mostra ao vivo que você não é o único vivendo aquilo.
O que um grupo de apoio psicológico não é
- Não é um lugar para exposição sem regras (grupo bom tem contrato, combinados e limites).
- Não é “fofoca” ou “conversa aleatória” (até os mais livres têm um fio condutor e um propósito).
- Não é substituto automático para psicoterapia individual quando há necessidade de cuidado intensivo.
Tipos comuns de grupo (para você se localizar)
- Grupo de apoio / ajuda mútua: foco em acolhimento, troca, pertencimento e sustentação do dia a dia.
- Grupo psicoeducativo: além do apoio, há ensino de habilidades (por exemplo: ansiedade, sono, manejo de pensamentos, comunicação).
- Terapia em grupo (psicoterapia em grupo): é tratamento estruturado, conduzido por profissional, com objetivos terapêuticos e método.
- Roda comunitária / prática integrativa: formato de cuidado coletivo (muito presente em territórios, UBS e comunidades)
Você gostaria de saber como funcionam os meus grupos de terapia?
Grupo de apoio emocional
Quando a pessoa busca um grupo de apoio emocional, geralmente ela está procurando algo muito humano: um lugar onde dá para sentir sem ser julgada.
Eu lembro de ouvir no grupo falas que se repetiam de um jeito que apertava o coração: “poxa, eu não sou sozinha”. E vinha junto outra frase, quase como um desabafo: “eu tenho uma família, mas eu me sinto tão sozinha na minha família”. Só que ali, naquele encontro, com gente que às vezes era “estranha”, a pessoa dizia que se sentia acolhida e, mais forte ainda, que se sentia ajudando as outras pessoas.
Isso é um dos grandes poderes do grupo: ele não te coloca só no papel de quem recebe ajuda. Ele também te devolve um senso de valor — “eu também tenho algo a oferecer”.
Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo emocional
- Quando a pessoa está em luto e precisa de companhia afetiva para atravessar.
- Quando há ansiedade e isolamento (“eu não consigo falar com ninguém sobre isso”).
- Quando existe vergonha e medo de julgamento, mas ao mesmo tempo uma vontade de se conectar.
- Quando a comunidade é o contexto do sofrimento (território, família, relações) e faz sentido trabalhar isso no coletivo.
E eu vou ser bem direta: às vezes a pessoa acha que “grupo é fraco”, mas é justamente o contrário. Grupo exige coragem — e também exige estrutura.
Grupo para borderline (TPB: quando a emoção vira tempestade) 
Muita gente com TPB (Transtorno de Personalidade Borderline) não procura grupo porque “quer drama” — procura porque vive no limite por dentro: emoções muito intensas, medo de abandono, relações que oscilam entre grande aproximação e grande afastamento, e uma dor que às vezes vira impulsividade (mensagens, decisões, compras, sexo, brigas) ou autossabotagem. E depois vem o pós: culpa, vergonha e a sensação de “eu estraguei tudo de novo”.
Eu já ouvi no grupo falas que se repetem: “eu sinto demais”, “ninguém aguenta”, “eu amo e odeio na mesma hora”, “quando eu acho que vão me deixar, eu viro outra pessoa”. O Grupo de Apoio Borderline vira um lugar para colocar nome no que acontece, desacelerar e aprender a atravessar a onda sem se destruir — e sem destruir vínculos.
Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para TPB
- Quando há medo de abandono e padrões repetidos de “testar” o outro (cobrança, ciúme, controle, sumiço).
- Quando a pessoa vive explosões seguidas de arrependimento (“eu perdi a mão e depois me odiei”).
- Quando existe vazio, instabilidade de identidade e dificuldade de se regular sem depender do outro.
- Quando há impulsividade (brigas, álcool/drogas, sexo, gastos) como tentativa de aliviar dor rápida.
- Quando a pessoa quer habilidades práticas para lidar com emoção forte e manter relações mais seguras.
O ponto-chave é que grupo para TPB precisa de estrutura: combinados claros, foco em habilidades (autorregulação, comunicação, limites, tolerância ao desconforto) e um jeito firme e acolhedor de conduzir conflitos — porque eles aparecem. E quando aparecem, viram matéria-prima terapêutica, não “prova” de fracasso.
Importante: se houver risco atual de autoagressão ou ideação suicida, a prioridade é segurança e suporte intensivo. No Brasil, em emergência: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h).
Como funciona um grupo de apoio
O funcionamento muda bastante conforme a proposta, mas existe um “esqueleto” que aparece nos grupos que dão certo:
- Encontros regulares: semanais, quinzenais ou mensais (consistência é meio caminho para vínculo).
- Facilitação: pode ser de um profissional ou de pares (mas precisa de alguém segurando o “campo”).
- Combinados claros: regras simples, repetidas, respeitadas.
- Participação voluntária: falar é convite, não obrigação.
- Objetivo comum: o grupo não precisa ser “perfeito”, mas precisa saber por que existe.
O ponto que mais trava as pessoas: medo de se expor 
Eu vivi isso com intensidade. Tanto a equipe quanto os administradores diziam que não acreditavam que daria certo a psicologia trazer trabalho em grupo para a comunidade. O argumento era sempre parecido: “as pessoas têm vergonha, medo de se expor, porque o vizinho pode estar ali, um familiar, alguém da equipe de saúde…”
E eu entendo. Só que aí vem uma virada: mas esse é um trabalho de formiguinha. E, com formiguinha, a gente não começa correndo. A gente começa combinando o básico.
Regras básicas que eu sempre trago (simples e firmes)
- Sigilo: o que é compartilhado aqui, fica aqui. Eu reforço que sigilo e ética não são só do psicólogo — o grupo inteiro protege.
- Respeito: sem julgamento, sem ironia, sem “você tinha que…”
- Fala na primeira pessoa: “eu sinto”, “eu vivi”, “eu penso” (evita virar conselho invasivo).
- Direito de ficar em silêncio: você pode ir no seu tempo.
- Não é espaço de exposição de terceiros: cuidado com nomes, detalhes e acusações.
Quando eu tentei “separar por transtornos” (e quase desisti)
No começo, como eu trabalho com terapia cognitivo-comportamental, eu tentei organizar os encaminhamentos por “caixinhas”: transtorno depressivo, luto, ansiedade, criança, adolescente, idosos… Eu tinha cinquenta encaminhamentos do médico e separava os bolinhos. Aí eu ligava, me apresentava, dizia que estava organizando um grupo e queria saber se a pessoa tinha interesse.
E aí vinha a realidade: dos cinquenta, apareciam três, dois. O de luto até começou um pouco melhor… mas ainda assim não tinha adesão.
Foi aí que eu pensei: se o Ministério da Saúde diz que dá para fazer esse trabalho, por que que eu não vou conseguir?
A virada: quando eu descobri a Terapia Comunitária Integrativa (e adaptei)
Eu fui pesquisando e descobri a terapia comunitária integrativa. E, sendo muito sincera, isso também me ajudou porque, naquela comunidade, alguns pacientes não se conectavam com o jeito mais “TCC raiz”. E conexão importa.
Então eu fui adaptando: um pouco de terapia comunitária com um pouco da TCC. Eu mantinha a ideia de que cada um tem seu conhecimento e, quando fazia sentido, eu trazia psicoeducação — um conceito, uma explicação simples, uma prática de respiração, um jeito de olhar para pensamentos automáticos.
Com o tempo, isso deu muito certo. Eram 21 equipes de saúde da família. Eu ia em cada UBS, fazia reunião com a equipe, explicava o que era, como estava sendo feita no Brasil, e pedia apoio para divulgação. Porque, na prática, quando o médico, a enfermeira ou o agente comunitário convidavam, tocava mais no coração: as pessoas confiam mais.
E aí aconteceu o que antes diziam que era impossível: os grupos começaram pequenininhos… e de repente foram ficando enormes. Eu lembro de até umas 50 pessoas.
Presencial vs online: qual é “melhor”?
Eu gosto de pensar assim: não é melhor, é diferente.
- Online facilita acesso (tempo, deslocamento, mobilidade), mas exige regras claras de privacidade (fone, ambiente reservado, câmera opcional, etc.).
- Presencial fortalece vínculo e linguagem não verbal, mas pode aumentar o medo de “ser visto”.
Se a pessoa tem muito receio, eu costumo sugerir um começo “leve”: entrar, ouvir, não se obrigar a falar e observar se o ambiente é seguro.
Benefícios do grupo de apoio
Eu já vi benefícios que são quase imediatos e outros que aparecem com o tempo. E eu gosto de dizer que o grupo faz duas coisas ao mesmo tempo: acolhe e treina vida.
Benefícios emocionais (o que mais aparece na fala das pessoas)
- Redução da solidão: “tem mais gente que me entende”.
- Esperança real: não é frase motivacional; é ver alguém atravessando e seguindo.
- Pertencimento: a sensação de “eu caberia aqui”.
- Alívio emocional: compartilhar tira o peso do peito.
Benefícios práticos (o lado “mão na massa”)
- Troca de estratégias: o que funcionou para um pode inspirar outro.
- Modelagem social: eu aprendo vendo como alguém fala, pede ajuda, coloca limite.
- Consciência de padrões: às vezes eu só percebo meu ciclo quando escuto outra pessoa narrar algo parecido.
- Rede de apoio: vínculos se formam, amizades se constroem.
Eu tenho isso muito vivo: até hoje encontro alguns pacientes ou eles me mandam mensagem dizendo que sentem saudade, que vínculos foram formados. Já teve pessoa que me encontrou e chorou, dizendo que foi tão boa aquela época, que estava precisando muito de ajuda e que se sentiu acolhida.
Um exemplo simples que explica o que o grupo faz com a gente (o “sarau”) 
No grupo, eu comecei a trazer uma proposta de “sarau”: cada um podia levar algo que ajudou durante a semana, em alguma situação difícil. E isso virava um ritual bonito, porque a gente não se reunia só para falar de dor — a gente também aprendia a identificar recursos.
Teve uma senhora que, numa semana, lembrou que a mãe tinha falecido. Ela estava triste, claro. Mas ela disse que a mãe fazia uma receita de bolo muito gostoso, e que aquela era uma memória boa. Então ela fez o bolo com a receita da mãe e levou para o grupo. Ela compartilhou a dor e compartilhou o carinho, a memória afetiva. E ali a gente viveu junto um pedaço do luto: tristeza, angústia, mas também amor e história.
É por isso que eu me apaixonei por esse modelo: o grupo ajuda a atravessar o difícil sem perder o humano.
Por que isso funciona tão bem para ansiedade social (e afins)?
Tem pacientes que têm o perfil para grupo realmente. Por exemplo: transtorno de ansiedade social, transtorno de ansiedade, treinamento de habilidades sociais… Eu via que a pessoa tinha melhor resultado trabalhando em grupo do que sozinha, porque ela precisa enfrentar medo e dificuldade. E eu sempre penso: nada melhor do que você realmente estar ali no grupo e trabalhar isso junto com os pacientes.
O grupo vira um laboratório seguro: eu pratico fala, olho, presença, limite, discordância respeitosa. E tudo isso com acolhimento.
Grupo de apoio vs terapia em grupo
Essa dúvida aparece o tempo todo — e ela é importante porque as duas coisas podem ser ótimas, mas têm propostas diferentes.
| Aspecto | Grupo de apoio | Terapia em grupo |
|---|---|---|
| Objetivo | Acolher, sustentar, trocar vivências e estratégias | Tratar (psicoterapia), com metas terapêuticas |
| Condução | Pode ser por pares ou por facilitador; formato varia | Conduzida por profissional habilitado (psicólogo/psiquiatra etc.) |
| Estrutura | Mais flexível (mas precisa de regras) | Mais estruturada (método, técnica, planejamento clínico) |
| Foco | Suporte e pertencimento | Processo terapêutico (mudança, insight, habilidades) |
| Para quem | Quem quer apoio e rede (muito útil em fases difíceis) | Quem busca psicoterapia e consegue sustentar o processo em grupo |
E aqui vai minha posição, bem prática: muitas vezes, o melhor caminho é combinar. Grupo para pertencimento e treino de vida, e individual para aprofundar temas específicos. Não é disputa — é repertório.
Quando eu fico atenta e recomendo cuidado extra
- Quando há risco de autoagressão ou suicídio (a prioridade é segurança e atendimento imediato).
- Quando a pessoa está em crise intensa e precisa de suporte individual estruturado primeiro.
- Quando o grupo não tem regras e vira um espaço que aumenta ansiedade ou vergonha.
Se você estiver em risco ou pensando em se machucar, procure ajuda imediatamente: emergência (192/193), CAPS/UPA/PS, e no Brasil o CVV atende pelo 188 (24h).
Como escolher um grupo de apoio (checklist rápido) 
- Qual é o foco? (luto, ansiedade, familiares, dependência, depressão…)
- É aberto ou fechado? (entra gente nova toda hora ou começa e termina com a mesma turma?)
- Tem combinados claros? (sigilo, respeito, direito de silêncio)
- Como a facilitação lida com conflitos? (isso diz muito sobre segurança do espaço)
- Você pode ir para conhecer sem obrigação de falar? (isso aumenta adesão)
Eu aprendi, na prática, que adesão não é “mágica” — é construção. No começo eu via pouca gente aparecer. Depois, com divulgação certa, com vínculo da equipe, com regras claras e um formato que fazia sentido para o território, o grupo virou referência.
E para mim, como psicóloga, foi muito importante ver esse resultado e a adesão. Eu me emocionava. Porque no final, é isso que eu mais desejo: fazer diferença na vida das pessoas. Não importa a abordagem — claro que eu tenho a minha — mas eu pude também misturar um pouquinho com a terapia integrativa, a terapia comunitária integrativa. E funcionou.
Tipos de Grupos de Apoio
Grupo de apoio para depressão (quando tudo perde cor e o corpo vira peso) 
A depressão não é só tristeza — muitas vezes é apagamento: falta de energia, perda de prazer, dificuldade de levantar da cama, culpa, irritação, pensamentos duros sobre si mesmo e a sensação de que você está “atrasando a vida de todo mundo”. O mundo segue, mas por dentro parece que algo travou.
No grupo, eu já ouvi frases que se repetem: “eu não vejo saída”, “eu não sinto nada”, “eu me isolei de todo mundo”, “eu tô cansado(a) de existir”. O grupo não é para “se animar à força” — é para ter um espaço seguro onde dá para falar do que dói, ser acolhido(a) e reconstruir, aos poucos, rotina, vínculo e sentido.
Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para depressão.
Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para depressão
- Quando há isolamento e a pessoa sente que “sumiu do mundo”.
- Quando existe apatia e perda de prazer (“nada me anima”).
- Quando a rotina colapsa (sono, alimentação, autocuidado, trabalho/estudos).
- Quando aparecem culpa, autocrítica e sensação de inutilidade.
- Quando a pessoa precisa de estrutura e companhia para retomar pequenos passos.
O grupo funciona bem quando combina acolhimento com estratégias práticas: psicoeducação, ativação comportamental (retomar atividades com sentido), construção de rotina mínima, identificação de pensamentos automáticos e treino de habilidades para pedir ajuda e se reconectar — sem pressão, mas com direção.
Importante: se houver ideação suicida, autoagressão ou risco atual, a prioridade é segurança e atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h).
Grupo de apoio para ansiedade (quando a mente não desliga e o corpo vive em alerta) 
A ansiedade não é “frescura” — muitas vezes é um modo de sobrevivência que ficou ligado o tempo todo. A mente corre, antecipa, cria cenários, e o corpo responde: aperto no peito, falta de ar, tensão, insônia, taquicardia, enjoo. E por trás disso costuma existir um medo muito comum: “e se eu perder o controle?”
No grupo, eu já ouvi frases que se repetem: “eu penso demais”, “eu não consigo relaxar”, “eu evito tudo porque tenho medo de passar mal”, “ninguém entende o que eu sinto”. O grupo ajuda a diminuir a solidão, organizar o que está acontecendo e construir estratégias reais para atravessar crises sem se isolar.
Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para ansiedade.
Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para ansiedade
- Quando há crises (pânico, falta de ar, taquicardia) e medo de “ter outra” a qualquer momento.
- Quando existe ruminação e preocupação constante (“minha cabeça não para”).
- Quando a pessoa vive em evitação (lugares, pessoas, reuniões, trabalho) e a vida vai encolhendo.
- Quando há insônia, tensão corporal e cansaço por hiperalerta.
- Quando a ansiedade está ligada a autocobrança, perfeccionismo e medo de julgamento.
O grupo funciona bem porque combina acolhimento e mão na massa: psicoeducação (entender o ciclo ansiedade-corpo-pensamentos), técnicas de respiração e grounding, estratégias de enfrentamento gradual, habilidades de comunicação e limites — para a pessoa voltar a se mover no mundo com mais segurança, um passo de cada vez.
Importante: se houver risco de autoagressão, ideação suicida, ou incapacidade importante de se manter em segurança, a prioridade é atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h).
Grupo de apoio para vício em jogos (quando “só mais uma partida” vira prisão) 
Para muita gente, jogar começa como lazer — e, aos poucos, vira refúgio. Quando o jogo passa a ser a principal forma de aliviar ansiedade, vazio, estresse ou solidão, a linha entre hobby e dependência fica confusa. A pessoa tenta parar e não consegue; promete “só uma hora” e perde a noite; e depois vem culpa, vergonha e a sensação de estar perdendo o controle.
No grupo, eu já ouvi frases que se repetem: “eu desconecto da vida real”, “eu minto sobre o tempo que eu jogo”, “eu só me sinto bem quando tô online”, “minha família não entende e eu só brigo”. O grupo ajuda a pessoa a sair do isolamento, construir estratégias e recuperar rotina, sem moralismo e sem humilhação — com acolhimento e estrutura.
Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para vício em jogos.
Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para vício em jogos
- Quando há perda de controle do tempo (virar noites, faltar compromissos, “não consegui parar”).
- Quando o jogo vira escape de ansiedade, tristeza, estresse ou sensação de vazio.
- Quando aparecem prejuízos (estudos, trabalho, sono, higiene, alimentação, finanças).
- Quando existe isolamento e conflitos familiares/relacionais (“só briga”, “eu me fecho”).
- Quando há irritação ou abstinência ao tentar reduzir (agitação, raiva, inquietação, fissura).
O ponto forte do grupo é aprender a lidar com gatilhos (tédio, estresse, solidão), construir rotina e recuperar prazer fora da tela. Trabalhamos também estratégias práticas: limites de acesso, planejamento de horários, substituições saudáveis, habilidades de autorregulação e comunicação — para a pessoa conseguir pedir ajuda e sustentar mudanças no mundo real.
Importante: se houver risco de autoagressão, ideação suicida, ou uso de substâncias associado, a prioridade é segurança e atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h).
Grupo de apoio para luto (quando a dor precisa de companhia para atravessar) 
O luto não é só tristeza — muitas vezes é um choque no corpo: aperto no peito, falta de ar, insônia, falta de apetite, cansaço extremo, lapsos de memória e uma sensação de que a vida ficou “sem chão”. E junto disso pode vir culpa (“eu devia ter feito mais”), raiva, confusão e medo de “nunca mais ser como antes”.
No grupo, eu já ouvi frases que doem de um jeito parecido: “eu não consigo falar disso em casa”, “todo mundo já seguiu e eu fiquei”, “parece que ninguém entende”. O grupo não apaga a saudade — mas ajuda a pessoa a não carregar a dor sozinha, a organizar sentimentos e a encontrar um jeito possível de continuar.
Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para luto.
Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo de luto
- Quando existe solidão e a pessoa sente que “não tem espaço” para falar sem ser interrompida ou apressada.
- Quando o luto vem com ansiedade, insônia e sensação de alerta constante.
- Quando há culpa e ruminação (“e se eu tivesse…?”) que não dão trégua.
- Quando a pessoa está isolando e perdendo rotina, autocuidado e rede.
- Quando o sofrimento é intensificado por conflitos familiares, perdas múltiplas ou falta de rituais de despedida.
O ponto forte do grupo é que ele combina acolhimento com estrutura: regras de respeito e sigilo, espaço para falar (ou ficar em silêncio) e, quando cabe, psicoeducação sobre o processo do luto — para a pessoa entender que não está “ficando louca”, e sim atravessando algo humano e profundo.
Importante: se houver risco de autoagressão, ideação suicida, ou incapacidade importante de se manter em segurança, a prioridade é atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h).
Grupo para transtorno bipolar (quando o humor oscila e a vida perde previsibilidade) 
Muita gente com transtorno bipolar vive uma sensação desgastante: nunca saber “como vai estar amanhã”. Em fases de alta (hipomania/mania), pode surgir energia demais, menos sono, aceleração, irritabilidade, impulsividade (gastos, decisões, brigas, projetos), e uma confiança que parece “resolver tudo” — até a conta chegar. Em fases de baixa, vem queda de energia, desesperança, lentidão, culpa e a sensação de que nada faz sentido.
No grupo, eu já ouvi frases que se repetem: “eu não confio em mim”, “minha família acha que é falta de força”, “quando eu tô bem, eu exagero; quando eu caio, eu desapareço”. Ter um espaço com gente que entende por dentro diminui a solidão e ajuda a construir previsibilidade onde antes só havia caos.
Se você quer entender melhor como funciona, veja a página do grupo de apoio para bipolares.
Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um grupo para bipolaridade?
- Quando a pessoa precisa aprender a identificar sinais precoces de oscilação (sono, energia, irritação, fala acelerada, impulsos).
- Quando há estigma e vergonha (“eu não conto para ninguém”, “vão me achar instável”).
- Quando a vida fica marcada por consequências de episódios (gastos, conflitos, trabalho, relacionamentos).
- Quando existe dificuldade em manter rotina e autocuidado (sono, alimentação, limites, substâncias).
- Quando a família/pares entram em ciclos de cobrança, controle ou desconfiança e a pessoa precisa de estratégias para se posicionar.
O grupo funciona muito bem quando tem estrutura e foco prático: psicoeducação (entender o transtorno), construção de rotina, monitoramento de humor, manejo de gatilhos e plano de prevenção de recaída — além de habilidades de comunicação para pedir ajuda cedo, antes de virar crise.
Importante: transtorno bipolar costuma exigir acompanhamento médico (psiquiatria) e, em alguns casos, medicação. Se houver sinais de crise (mania intensa, risco, ideação suicida), a prioridade é segurança e atendimento imediato. No Brasil: 192/193; e o CVV atende pelo 188 (24h).
Grupo de apoio LGBT+ (quando o sofrimento vem do preconceito, não de “quem você é”) 
Muita gente LGBT+ procura grupo de apoio não porque “falta força”, mas porque vive cansada de se proteger: medo de rejeição, silêncio em casa, piadas, olhares, culpa, vergonha e aquela sensação de estar sempre se explicando. E isso pesa. Pesa na ansiedade, no sono, no corpo — e, às vezes, vira depressão.
Eu já ouvi no grupo frases que atravessam: “eu achei que era só comigo”, “eu me acostumei a fingir”, “eu tenho medo de ser eu”. O grupo muda quando a pessoa encontra um lugar onde pode existir com mais verdade — sem precisar “performar normalidade” o tempo todo.
Quando eu costumo indicar (ou pelo menos considerar) um Grupo de Apoio LGBT+?
- Quando há ansiedade social e medo constante de julgamento (“eu travo, eu evito, eu sumo”).
- Quando existe isolamento (“eu não tenho com quem falar disso”) ou perda de rede.
- Quando a pessoa vive conflito familiar (aceitação, limites, expulsão, chantagem, “não conte para ninguém”).
- Quando há baixa autoestima, autocobrança e comparação, e o grupo pode devolver pertencimento.
- Quando o sofrimento vem de discriminação (trabalho, escola, igreja, rua) e faz sentido reconstruir proteção e apoio no coletivo.
E aqui eu sempre faço um combinado claro: grupo não é “debate” sobre identidade. É cuidado. Com sigilo, respeito e espaço para cada um ir no próprio tempo — porque, para muita gente, falar já foi perigoso por tempo demais.
Referências e leituras recomendadas
- Diretrizes do NASF (Ministério da Saúde) — base para trabalho em equipe e ações no território
- Caderno de Atenção Básica: Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) — ferramentas para gestão e trabalho cotidiano
- Guia prático de Matriciamento em Saúde Mental (MS) — apoio matricial e rede
- Legislação PNPIC (MS) — Portaria nº 849/2017 e inclusão da Terapia Comunitária Integrativa
- APA — Understanding group therapy (visão geral de terapia em grupo)
- Revisão sistemática/meta-análise: efetividade de intervenções de apoio de pares em saúde mental
- Revisão sistemática/meta-análise: grupos de apoio de pares e desfechos de recovery em saúde mental
- SciELO — fatores terapêuticos em grupo de suporte (baseado em Yalom)
- Mind (UK) — peer support groups (o que são e como ajudam)
- NHS (UK) — suporte e grupos (incluindo opções online)

Grupo de Apoio LGBT Online
Um grupo de apoio LGBT online pode reduzir solidão e vergonha — desde que tenha moderação, regras claras e plano de crise. Neste guia, eu explico como escolher um grupo seguro (incluindo WhatsApp), o que esperar de apoio vs. terapia em grupo e quais sinais indicam que é hora de sair.

Grupo de Apoio – Borderline
Guia completo para encontrar um grupo de apoio borderline (TPB) online ou no WhatsApp, com critérios de segurança, regras, moderação e habilidades da TCD para lidar com crises e emoções intensas.

Grupo de Apoio para Bipolares
Um grupo de apoio para bipolares pode ser o ponto de virada na adesão ao tratamento. Entenda como funcionam os encontros, o que esperar no primeiro dia, como monitorar sono e humor e quando buscar ajuda urgente.

Grupo de Apoio ao Luto
Guia prático sobre grupo de apoio ao luto (online ou presencial): como funciona, benefícios, segurança, e quando procurar psicoterapia para luto prolongado.

Grupo de Apoio – Viciados em Jogo
Se o jogo virou uma “anestesia” para aliviar ansiedade, vergonha ou estresse, você não está sozinho(a). Aqui eu mostro como funciona um grupo de apoio (online ou presencial), o que esperar das reuniões, como prevenir recaídas com barreiras práticas e por que pertencimento e suporte mudam o rumo da recuperação.

Grupo de Apoio para Ansiedade
Grupo de apoio para ansiedade é um espaço sem julgamentos para acolher, aprender técnicas e recuperar autonomia. Veja como funciona (online ou presencial), para quem é indicado e quando buscar ajuda imediata.

Grupo de Apoio para Depressão
Um grupo de apoio para depressão pode reduzir o isolamento, fortalecer a rede de apoio e ajudar no tratamento. Veja como escolher um grupo seguro, o que esperar dos encontros e quando combinar com terapia e psiquiatr

Grupo de Apoio Online
Um guia prático e humano sobre grupo de apoio online e acolhimento online: como funciona, para quem é, regras de sigilo, como escolher um grupo confiável e como melhorar a adesão — com estratégias reais de condução e dinâmica comunitária.