Ansiedade: Pode Causar Infarto?

Em este artigo vamos falar sobre se a ansiedade causa infarto. Leia atentamente, eu te conto tudo!

Sumário de "Ansiedade: Pode Causar Infarto?"

Capa do artigo sobre a ansiedade - causa infarto
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Thais Barbi

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Empresas e instituicoes que confiam na neuropsicologa Thais Barbi

Se você está lendo isso com o coração apertado (literalmente), eu quero começar do jeito mais responsável possível: dor no peito nova, diferente, persistente, ou acompanhada de falta de ar, sudorese fria, náusea, desmaio, irradiação para braço/mandíbula/costas precisa de avaliação médica imediata. Mesmo quando a pessoa “tem certeza” de que é ansiedade, a regra de ouro é: na dúvida, procure pronto-socorro e acione o SAMU 192. (Para entender a base do quadro: o que é ansiedade.) Em protocolos de síndromes coronarianas agudas, a prioridade é reconhecer e tratar rápido, com ECG em até 10 minutos da admissão e avaliação clínica direcionada.

Eu atendo há anos pessoas que chegam com a mesma frase, quase sempre engasgada: “Doutora, eu achei que ia morrer… era um infarto?” O que me impressiona não é a repetição — é o detalhe. Elas descrevem o corpo com uma precisão quase poética: a mão apertando o peito, o suor frio escorrendo na nuca, a respiração curta como se o ar tivesse ficado “fino”. E quando eu pergunto o que passou na cabeça no auge, a resposta é rápida: “acabou, é agora”. Esse “agora” é o que a ansiedade sabe fabricar como ninguém: um presente urgente, catastrófico e convincente.

Ao longo deste artigo, eu vou te explicar — com linguagem simples e clínica ao mesmo tempo — o que é mito, o que é risco real, e principalmente como saber se é infarto ou ansiedade sem cair na armadilha do “8 ou 80”.

🧠 Ansiedade pode causar infarto: o que é mito, o que é risco real

Quando alguém digita ansiedade pode causar infarto, quase sempre está tentando responder duas perguntas escondidas:

  • “Eu posso morrer numa crise de ansiedade?”
  • “E se não for ansiedade e eu estiver ignorando um infarto?”

A crise de ansiedade (ou pânico) pode ser assustadora e produzir sintomas intensos — e isso é real. Ao mesmo tempo, existem cenários em que estresse agudo pode, sim, estar associado a eventos cardíacos em pessoas vulneráveis. Por exemplo, há materiais de cardiologia que descrevem que uma parcela de casos pode ser desencadeada por estresse repentino muito forte, com sintomas que se parecem com infarto.

O ponto aqui é o equilíbrio: não é correto dizer que “ansiedade sempre causa infarto”. Mas também não é correto tratar toda dor no peito como “só ansiedade” sem avaliação, principalmente quando é a primeira vez ou quando há fatores de risco.

❤️ Ansiedade causa infarto? Entenda o papel do estresse e do corpo

Cerca de 15% dos casos de infarto, segundo um conteúdo institucional de cardiologia, são associados a situações de estresse repentino e muito forte, com liberação de hormônios como adrenalina e noradrenalina, aumentando pressão e frequência cardíaca e podendo gerar sintomas parecidos com infarto.

Isso conversa com o que eu vejo na clínica: quando o corpo liga o “modo sobrevivência”, ele muda batimento, respiração, suor, tensão muscular. E aí entra o grande divisor de águas: sensação não é diagnóstico. Sensação é sinal. Diagnóstico vem de avaliação clínica e exames quando indicado.

Teve uma paciente, vou chamar de Marina, que me disse que a primeira crise aconteceu no caixa do supermercado. Ela sentiu o coração acelerar, ficou tonta, o peito apertou e a visão deu uma “estreitada”. Marina largou as compras, saiu correndo e pediu para chamarem o SAMU. No hospital, eletrocardiograma e exames não confirmaram infarto. Ela voltou para casa aliviada por algumas horas… até o cérebro repetir a cena no dia seguinte. O que fez o quadro piorar não foi “a crise em si”, e sim a tentativa desesperada de nunca mais senti-la: ela começou a evitar filas, calor, exercícios, café, discussões e até alegria. A vida ficou estreita para caber num corpo “seguro”.

Quando a vida estreita, a ansiedade cresce. E quanto mais a ansiedade cresce, mais o corpo parece “perigoso”. É um ciclo.

🩺 Infarto ou ansiedade: por que os sintomas se parecem tanto

Falta de ar, dor no peito, tontura, palpitações: essa sobreposição é o que confunde — especialmente na primeira crise. Textos médicos de divulgação lembram que, diante da dúvida, a recomendação é procurar atendimento para avaliação, e que uma boa anamnese, exame físico e, quando necessário, exames como ECG e troponina ajudam a afastar infarto.

Em avaliação neuropsicológica, eu observo muito a combinação de atenção capturada pelo corpo e interpretação catastrófica. Não é que a pessoa esteja “inventando” sintomas: ela está percebendo sinais reais (batimento, tensão muscular, respiração) com um volume aumentado. Quando aplico tarefas de atenção sustentada e flexibilidade cognitiva, alguns pacientes vão bem em condições neutras, mas “despencam” quando inserimos um estímulo interno (por exemplo, perceber a própria respiração por 60 segundos). O que muda é o foco: a mente sai do mundo e entra numa vigilância corporal que lembra um alarme de incêndio sensível demais.

Ansiedade e infarto podem compartilhar sinais físicos, mas costumam diferir em padrão, contexto, duração, irradiação e associação com sintomas psíquicos. O detalhe é importante — e é por isso que eu vou te dar um mapa prático a seguir.

🧪 Infarto ou ansiedade teste: o que realmente diferencia (e o que não)

Eu entendo a busca por “infarto ou ansiedade teste”. A mente ansiosa quer uma chave mágica: um sinal que diga “é só ansiedade, pode relaxar”. Mas o teste real, quando existe suspeita, é clínico e médico.

Em protocolos de síndrome coronariana aguda, alguns pontos aparecem com consistência:

  • ECG em até 10 minutos na suspeita, e repetição se o primeiro não for diagnóstico e a suspeita persistir.
  • Avaliação da dor: desconforto torácico significativo, com duração maior que 15 minutos, e atenção a irradiações (pescoço, braços, dorso, abdome superior).
  • Uso de marcadores de necrose miocárdica, com troponina como marcador de escolha, conforme contexto.

Ou seja: o “teste” que resolve dúvida de risco não é um quiz da internet — é história clínica + exame físico + ECG + exames laboratoriais quando indicados.

Agora vem uma parte delicada: mesmo com exame normal, a mente pode continuar duvidando. E aí a pergunta muda de “qual exame falta?” para “o que está alimentando essa necessidade de certeza?”

Também lembro do Caio, que tinha medo de infarto porque o pai infartou jovem. Ele fazia check-up, mas não acreditava em nenhum resultado. Caio dizia: “Se eu me mexo, sinto; se eu paro, sinto; se eu respiro fundo, sinto.” O ponto não era a falta de informação — era a falta de confiança na própria leitura do corpo. No consultório, ele aprendeu um padrão: sensação → pensamento automático (“é infarto”) → busca de certeza (Google, oxímetro, pressão, ida ao pronto-socorro) → alívio curto → mais vigilância → mais sensação. A ansiedade vira um sistema de prova infinita: quanto mais você “testa”, mais dúvida você cria.

🔎 Como diferenciar ansiedade de infarto na prática (sem se colocar em risco)

Eu gosto de ensinar isso como um semáforo, porque tira a pessoa do “tudo ou nada”.

🟥 Vermelho: trate como emergência (vá ao pronto-socorro / acione 192)

  • Dor/desconforto torácico novo e significativo, especialmente se durar >15–20 minutos.
  • Irradiação para braço (muitas vezes esquerdo), mandíbula, pescoço, costas ou “boca do estômago”.
  • Sudorese fria, náusea/vômitos, palidez, desmaio ou sensação de desmaio.
  • Falta de ar importante, fraqueza intensa, confusão.
  • Presença de fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo, histórico familiar, etc.).

🟨 Amarelo: dúvida real — vale avaliação

  • É a primeira vez que acontece.
  • Os sintomas são diferentes do seu padrão habitual.
  • Você tem risco cardiovascular e não sabe “ler” o corpo com segurança ainda.

🟩 Verde: padrão de ansiedade reconhecido (mas ainda merece tratamento)

  • Sensação de pico rápido, com muitos sintomas psíquicos (medo de morrer, perder o controle), e queda progressiva.
  • Histórico de crises semelhantes já avaliadas e com orientação médica prévia.

Critérios descritivos de ataque de pânico incluem uma onda abrupta de medo/desconforto que atinge pico em minutos, com 4 ou mais sintomas (palpitações, sudorese, tremores, falta de ar, dor no peito, náusea, tontura, parestesias, medo de morrer, etc.). Isso ajuda a pessoa a reconhecer o padrão — mas não substitui avaliação quando há sinais de risco.

🚨 Como saber se é infarto ou ansiedade: sinais de alerta para agir rápido

Tem uma frase que eu repito muito em consultório: “a decisão não é sobre acertar o diagnóstico sozinho; é sobre não perder tempo quando minutos importam.”

Organizações de cardiologia reforçam que, se houver sintomas de infarto, o correto é acionar emergência (em alguns países, 911; no Brasil, SAMU 192). Entre os sinais comuns estão desconforto no peito, dor em braço/pescoço/mandíbula, falta de ar e outros como náusea e suor frio.

Eu sei que a mente ansiosa pensa: “Vou passar vergonha se for crise.” E eu devolvo: vergonha passa; risco não espera. Quando a pessoa aprende essa hierarquia, ela fica mais segura até para lidar com a ansiedade, porque para de carregar sozinha uma responsabilidade impossível.

🧩 Como saber se é ansiedade ou infarto: sinais de pânico e ansiedade

A ansiedade costuma trazer, além do corpo, uma assinatura mental. Alguns sinais muito frequentes são:

  • Medo de morrer ou de enlouquecer, mesmo sem evidência concreta no momento.
  • Sensação de irrealidade (“parece um sonho”) ou desconexão de si.
  • Urgência de escapar, pedir ajuda, ligar para alguém, ir “correndo” para um lugar seguro.

Na psicoterapia individual, o que mais funciona é psicoeducação bem concreta e treino de tolerância ao desconforto. Eu explico que a crise de pânico tem um pico e tende a cair, e que o corpo não aguenta ficar no máximo para sempre. Mas eu não fico só na teoria: a gente faz experimentos. Em alguns casos, usamos exposição interoceptiva (de forma segura): girar na cadeira para provocar tontura, subir escadas para acelerar o coração, segurar o ar por alguns segundos para simular falta de ar. A ideia não é “forçar” a pessoa — é ensinar o cérebro que sensação não é sentença.

😰 Porque crise de ansiedade parece infarto: cérebro, corpo e interpretação

A crise parece infarto porque o corpo ativa o mesmo “kit emergência”: acelera batimento, muda respiração, aumenta suor, tensiona musculatura. E aí o cérebro tenta explicar: se você tem histórico familiar, notícias na cabeça, ou já ouviu “dor no peito = infarto”, ele fecha a interpretação mais assustadora.

Em grupo, é lindo ver a virada acontecer quando alguém diz: “Eu também achei que era infarto.” O grupo reduz vergonha e devolve proporção. Já vi gente que vivia no pronto atendimento começar a distinguir “aperto difuso + medo de morrer + tremor” de “dor irradiando + suor frio + mal-estar estranho e persistente”. Mais do que diferenciar sintomas, elas aprendem a diferenciar histórias: a história do alarme falso e a história do risco real. O grupo cria linguagem, e linguagem cria chão.

🧠 Infarto ou ansiedade: o que costuma piorar (e o que ajuda de verdade)

O que não funciona — e eu falo isso com carinho — é buscar certeza absoluta. Tem paciente que quer um “sinal definitivo” para nunca mais ir ao hospital e, ao mesmo tempo, nunca mais sentir medo. Só que o corpo humano não dá esse tipo de garantia. Outra coisa que costuma piorar é a estratégia de “respirar para não sentir nada”. Respirar ajuda, sim, mas quando vira uma tentativa de apagar qualquer sensação, a pessoa fica monitorando o próprio ar como se estivesse fazendo uma prova. E aí o peito aperta mais.

O que ajuda de verdade, na prática:

  • Plano de ação (vermelho/amarelo/verde) combinado com seu médico.
  • Redução de checagens (Google, oxímetro, pressão) como “muleta emocional”.
  • Exposição gradual ao que você evitou (fila, calor, exercício), com estratégia.
  • Psicoterapia (TCC, ACT e outras abordagens baseadas em evidência) e, quando indicado, avaliação psiquiátrica.

🤝 Ansiedade pode causar infarto: quando eu uno cardiologia e psicologia

Eu trabalho muito em parceria com cardiologistas, porque saúde mental não compete com saúde do coração. Eu gosto quando o paciente entende que duas coisas podem ser verdade: (1) é possível ter crise de ansiedade com sintomas intensos; (2) dor no peito nova, diferente, persistente ou com fatores de risco precisa ser avaliada. A maturidade clínica é sair do 8 ou 80. Nem tudo é infarto. Nem tudo é “só ansiedade”. A gente aprende a tomar decisões melhores no meio.

Essa parceria costuma ser especialmente importante em:

  • Pessoas com histórico familiar forte, ou múltiplos fatores de risco.
  • Pessoas que já tiveram evento cardíaco e passaram a viver em hipervigilância corporal.
  • Pessoas com crises recorrentes e idas frequentes ao pronto-socorro.

🌿 Ansiedade causa infarto? O que dá para prevenir no dia a dia

Uma parte importante do tratamento é reduzir a “cafeína emocional” do dia a dia: excesso de telas, sono picado, alimentação irregular, conflitos engolidos, sedentarismo ou exercício usado como punição. Eu já vi paciente melhorar muito quando começou a caminhar por prazer, ajustar sono e aprender a dizer “não” sem pedir desculpa vinte vezes. E também já vi paciente travar quando achou que precisava virar uma pessoa zen de uma semana para outra. O corpo gosta de mudança possível, não de perfeição.

O básico que parece simples, mas é profundamente terapêutico:

  • Sono com horário mais estável.
  • Movimento regular (preferencialmente prazeroso).
  • Rotina alimentar menos caótica.
  • Redução de estimulantes quando eles alimentam o ciclo (cafeína, nicotina).
  • Habilidades emocionais: nomear sentimento, pedir ajuda, colocar limite.

Fechando com honestidade: segurança primeiro, autonomia depois

No fim, eu sempre volto a uma imagem: ansiedade é um sistema de proteção que ficou hiperativo; infarto é um evento cardíaco que precisa de urgência real. Quando a pessoa aprende a respeitar os dois — sem pânico, sem negligência — ela ganha liberdade. E liberdade, para mim, é conseguir ir ao supermercado e voltar para casa com as compras… e com o coração em paz, no sentido literal e no sentido simbólico.

📚 Referências e leituras confiáveis

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Thais Barbi

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