Como puxar assunto com a pessoa que você gosta
Muitos pacientes chegam com um padrão bem parecido.
Como eles eram antes do treino (o que eu vejo na prática)
- Travavam no começo: ficavam presos no “oi, tudo bem?” e, depois disso, a mente apagava.
- Revisavam demais: no WhatsApp, escreviam e apagavam 10 vezes. No presencial, saíam se culpando por qualquer detalhe.
- Tentavam “impressionar”: faziam perguntas como se fosse entrevista, contavam uma história longa demais, ou usavam humor como armadura.
- Interpretavam silêncio como rejeição: se o crush demorava para responder, vinham com pensamentos automáticos (“não gostou”, “falei errado”, “sou sem graça”).
- Evitavam iniciativa: esperavam o outro puxar, porque iniciar parecia “se expor demais”.
O ponto é: não é falta de assunto. É o seu sistema de ameaça dizendo “cuidado, isso aqui é arriscado”. E é arriscado mesmo — porque você se importa.
Então a primeira virada é trocar a meta de “impressionar” por uma meta muito mais inteligente: “conectar com leveza”. Quando você faz isso, você não precisa atuar. Você precisa aparecer.
Eu costumo usar um “mapa” bem simples pra começar com segurança:
- Abertura leve (algo real do momento)
- Ponte (um detalhe em comum ou algo do contexto)
- Troca (pergunta + comentário seu)
- Próximo passo (um convite pequeno, quando fizer sentido)
Guarda isso: quando você tem um plano, você para de depender da coragem.
Aberturas simples (sem parecer forçado)
Eu ensino a parar de procurar a frase perfeita e usar entradas leves, que cabem em qualquer contexto. Por exemplo:
- Comentar algo real do momento (ambiente, situação, rotina)
- Puxar por um ponto em comum (música, série, academia, trabalho)
- Fazer uma pergunta fácil de responder (que não pareça entrevista)
Exemplos prontos (pra você adaptar):
- “Eu vi você falando de [tema] e fiquei curioso(a)… como você começou a gostar disso?”
- “Ok, dúvida honesta: você é mais [opção A] ou [opção B]?”
- “Isso aqui me lembrou [algo leve]. Você já passou por uma situação parecida?”
Quando a abertura é natural, a ansiedade cai porque o objetivo deixa de ser “impressionar” e vira “conectar”.
Sustentar conversa sem “virar interrogatório”
Muita gente tímida até pergunta, mas não comenta. A conversa fica desigual. No treino, a pessoa aprende a alternar:
pergunta curta → comentário curto → pergunta
Isso dá ritmo e cria sensação de troca. Exemplo:
- Você: “Você curte mais séries ou filmes?”
- Você (comentário curto): “Eu sou do time ‘série’, porque gosto de acompanhar a história por mais tempo.”
- Você: “Qual foi a última coisa que você viu e pensou ‘ok, isso é muito bom’?”
Percebe? Você não está “colhendo respostas”. Você está construindo uma conversa.
Flertar com respeito e clareza (sem jogos)
Um paciente (exemplo clínico) me disse: “eu não sei mostrar interesse sem parecer carente”. No treino, trabalhamos “sinais pequenos e consistentes”:
- Elogio específico (não genérico)
- Lembrar de algo que a pessoa falou
- Sugerir um próximo passo simples (“bora tomar um café tal dia?”)
A mudança é que ele parou de depender de “indiretas” e começou a agir com gentileza e objetividade.
Modelos de elogio específico (sem exagero):
- “Eu gosto do jeito que você fala de [tema]. Dá pra ver que você curte de verdade.”
- “Seu [detalhe: corte, sorriso, estilo] ficou muito legal. Combinou com você.”
- “Achei massa você ter feito [algo que ela postou/contou]. Passa uma vibe bem [qualidade].”
Como puxar assunto com alguém que você gosta
Quando você gosta de alguém, seu cérebro tenta te proteger. E aí nasce o padrão clássico: ou você fala pouco e trava, ou você fala demais tentando “garantir” que a conversa vai dar certo.
Eu gosto de ensinar um caminho do meio: 1) leve → 2) pessoal → 3) intenção. Sem pular etapas.
Nível 1: leve (quebra-gelo sem pressão)
- Rotina: “Como foi seu dia?” (mas com um detalhe: “me conta uma coisa legal/curiosa de hoje”)
- Contexto: “Esse lugar é sempre assim ou hoje tá diferente?”
- Preferências simples: “Você é mais café ou chá?”
Nível 2: pessoal (sem ficar intenso demais)
- “O que você anda curtindo fazer quando tem um tempo livre?”
- “Qual foi uma coisa que você aprendeu recentemente e achou interessante?”
- “Qual tipo de rolê te recarrega?”
Nível 3: intenção (flertar com clareza)
- “Curti conversar com você. A gente pode continuar isso outro dia?”
- “Você topa tomar um café comigo [dia]?”
- “Bora fazer [programa simples] esse fim de semana?”
Repara como isso reduz improviso. Você não está “inventando assunto”. Você está seguindo um roteiro humano.
O antídoto para o “vácuo” emocional
Essa é a parte mais importante: tolerar incerteza. Conversa com crush envolve risco. No treino, a pessoa aprende a:
- Lidar com demora de resposta sem catastrofizar
- Entender que “não” não é humilhação; é filtro
- Manter autoestima estável durante o processo
Eu vejo isso o tempo todo: quando a pessoa para de se punir por cada detalhe, ela fica mais calma e autêntica — e isso, por si só, melhora a presença e a atratividade.
Como puxar assunto com o crush pessoalmente
No presencial, muita gente acha que precisa chegar com uma grande abertura. E aí trava. Eu prefiro ensinar “microaberturas”: pequenas frases que cabem no momento e não exigem performance.
O que eu observo (e ensino a observar) no presencial
- Receptividade: a pessoa sustenta o olhar? sorri? responde com algo além de “aham”?
- Ritmo: ela devolve pergunta? acrescenta detalhes?
- Corpo: postura aberta e atenção costumam indicar conforto (sem transformar isso em “leitura mágica”)
Eu gosto de lembrar: cada pessoa é única e não existem regras absolutas. Mas existe algo que quase sempre funciona: respeitar o ritmo e não insistir quando o outro não engata.
Aberturas que funcionam em quase qualquer lugar
- “Eu vou ser direto(a): eu tava pensando em falar com você faz um tempinho.”
- “Você pareceu gente boa. Posso te perguntar uma coisa?”
- “Isso aqui tá com uma energia meio [leve], né? Você também sentiu?”
E aqui entra uma coisa que eu repito muito: quando a abertura é natural, a ansiedade cai. Você não precisa ganhar um Oscar. Você só precisa começar.
Se você travar na hora, use o “modo humano”
Quando alguém trava, eu prefiro não fingir que não travou. Eu ensino frases honestas e leves:
- “Eu fiquei um pouco nervoso(a) agora, mas eu queria te dizer oi.”
- “Minha mente deu uma apagada, mas eu queria puxar papo com você.”
O curioso é que isso costuma aproximar, porque você sai da atuação e entra na presença.
Como puxar assunto com o garoto que você gosta
Essa seção serve tanto se o seu crush é um garoto quanto se você só quer exemplos mais direcionados. O princípio é o mesmo: leveza + troca + sinal de interesse.
Exemplos de mensagens e falas que não soam “entrevista”
- “Vi que você curte [time/jogo/série]. O que te prendeu nisso?”
- “Você é mais do time [ficar em casa] ou [rolê]?”
- “Me indica uma música que você coloca quando quer ficar de boa.”
Como elogiar sem parecer exagerado(a)
- “Curti seu estilo. Ficou bem em você.”
- “Achei muito massa sua energia quando você falou de [tema].”
E aqui eu volto naquele ponto que eu vejo na prática: muita gente tenta impressionar e vira performance. Eu prefiro ensinar a pessoa a ser consistente, com sinais pequenos e reais.
Como puxar assunto no Instagram com o crush
No Instagram, o erro mais comum é mandar um “oi” solto e ficar esperando um milagre. O caminho mais fácil é usar o que já está ali: stories, legenda, música, lugar, hábito.
5 jeitos de puxar assunto no direct sem ficar genérico
- Reagir e comentar com detalhe: “Eu reparei no [detalhe]… onde é isso?”
- Elogio específico: “Curti a energia dessa foto. Foi em [lugar]?”
- Conexão com você: “Isso me lembrou [algo do seu cotidiano].”
- Pergunta fácil: “Você recomenda [restaurante/livro/série] mesmo?”
- Humor leve: “Ok, eu ri alto com isso. Você é sempre assim?”
Eu sempre prefiro “pergunta + comentário seu” do que só pergunta. Porque senão vira entrevista, e você perde a parte mais importante: se mostrar.
O que eu evito ensinar (porque costuma dar ruim)
- Mensagens gigantes logo no início
- “Cantadas” agressivas ou invasivas
- Testes e joguinhos (“vou sumir pra ele sentir falta”)
Se você quer vínculo, você precisa de clareza + respeito. Isso é mais atraente do que estratégia.
Como puxar assunto com o crush no WhatsApp
No WhatsApp, eu vejo um fenômeno muito comum: a pessoa escreve e apaga 10 vezes. Ela não está revisando gramática — ela está tentando controlar o risco.
Quando eu digo “o treino funciona — ele dá estrutura e reduz o improviso”, é disso que eu estou falando. Se você sabe o que fazer depois da primeira mensagem, você para de depender do “timing perfeito”.
Um roteiro simples de WhatsApp (que eu uso muito)
- 1) Gancho real: algo do perfil, do dia, de uma conversa anterior
- 2) Uma frase sua: um comentário curto
- 3) Pergunta fácil: que abre espaço, não encurrala
Modelos prontos:
- “Eu vi [tal coisa] e lembrei de você. Eu ri disso porque [seu motivo]. Você curte esse tipo de humor?”
- “Hoje aconteceu uma coisa engraçada: [mini-história 1-2 linhas]. E seu dia, teve algum momento ‘plot twist’?”
- “Pergunta rápida: você prefere [A] ou [B]? Eu tô numa dúvida real aqui.”
Como não sofrer com a demora de resposta
Eu vejo isso direto: interpretavam silêncio como rejeição. A pessoa manda mensagem, o crush demora, e a mente cria um filme: “não gostou”, “sou sem graça”, “falei errado”.
O que eu ensino é uma checagem rápida:
- Fato: “a pessoa não respondeu ainda.”
- História que minha mente contou: “ela me rejeitou.”
- Outras hipóteses: “está ocupada”, “não viu”, “não sabe o que responder”, “não está a fim (e isso é ok)”.
Isso não é “autoengano”. É parar de catastrofizar um dado incompleto.
Quando (e como) propor um encontro
Um erro comum é esperar “certeza total” pra convidar. Só que certeza total não existe. Conversa com crush envolve risco. Então eu ensino um convite simples, de baixo peso, que não constrange:
- “Curti falar com você. Bora tomar um café [dia/horário]?”
- “Eu pensei em ir em [lugar] essa semana. Você topa?”
- “Se você animar, a gente podia fazer [programa curto] no fim de semana.”
Isso é flerte com respeito e clareza (sem jogos). E se vier um “não”, eu repito o que eu vejo acontecer quando a autoestima está mais estável: “não” não é humilhação; é filtro.
Como puxar assunto com a pessoa que você gosta (quando bate a insegurança)
Eu volto aqui porque esse ponto é o coração do tema: o objetivo não é virar extrovertido. É conseguir se aproximar sem se diminuir.
Depois de algumas semanas, eu escuto coisas como:
- “Eu consigo começar sem travar.”
- “Eu paro de me punir pelo que eu disse.”
- “Eu consigo conduzir a conversa e também propor um encontro.”
- “Mesmo nervoso, eu tenho um plano.”
Repara: não é sobre virar outra pessoa. É sobre ter estrutura para aparecer com calma.
Um mini-treino de 7 dias (pra você sentir diferença)
- Dia 1: mandar 1 mensagem com gancho real + pergunta fácil
- Dia 2: praticar “pergunta curta → comentário curto → pergunta” em 1 conversa
- Dia 3: fazer 1 elogio específico (pequeno, verdadeiro)
- Dia 4: puxar papo presencial com microabertura (em qualquer pessoa, não só crush)
- Dia 5: sustentar 5 minutos de conversa sem virar entrevista
- Dia 6: sugerir um próximo passo simples (mesmo que seja só “vamos continuar isso depois?”)
- Dia 7: revisar: o que funcionou? onde você catastrofizou? o que você faria diferente?
O segredo é repetir em doses pequenas. O cérebro muda com prática, não com “força de vontade”.
Perguntas frequentes
“E se eu parecer bobo(a)?”
Você provavelmente vai parecer normal. E isso é bom. O que derruba a conexão é tentar ser perfeito(a) e virar performance.
“E se eu levar vácuo?”
Vácuo não define seu valor. Ele só diz algo sobre disponibilidade, momento ou interesse do outro. E você merece reciprocidade.
“Eu travo no ‘oi, tudo bem?’… o que eu faço?”
Tenha sempre um gancho pronto: rotina + detalhe, ou uma pergunta de escolha (A/B). Isso te tira do improviso.
“Como eu sei se a conversa virou interrogatório?”
Se você só pergunta e quase não se mostra, vira entrevista. Volta pro ritmo: pergunta curta → comentário curto → pergunta.
Se você quiser treinar isso com estrutura
Se você quiser entender melhor como eu conduzo esse processo, está aqui a página principal do treino de habilidades sociais:
Treino de habilidades sociais (visão geral)
E se você sente que aprende melhor praticando com acompanhamento, exercícios e feedback (porque é isso que faz o cérebro mudar), existe o grupo de habilidades sociais — com um formato pensado para treinar na prática, com segurança:
Grupo de habilidades sociais (treino na prática)
Referências e leituras
- Aron et al. (1997) — Procedimento experimental para gerar proximidade (autorrevelação recíproca)
- Downey & Feldman (1996) — Rejection Sensitivity e relacionamentos íntimos
- Turner et al. (2017) — Meta-análise sobre treino de habilidades sociais (ensaios randomizados)
- Curtiss et al. (2021) — Tratamentos cognitivo-comportamentais para ansiedade e estresse
- American Psychological Association — Entendendo a terapia de exposição
- Greater Good (UC Berkeley) — Perguntas para aumentar proximidade (baseado em pesquisa)