Introdução à Terapia em grupo para ansiedade
Ao longo dos anos, uma das queixas que eu mais escutei no consultório, tanto na psicoterapia quanto nas avaliações neuropsicológicas, é a mesma, dita de jeitos diferentes: “Eu não aguento mais a minha mente”, “Eu penso demais”, “Meu corpo não desliga”. A ansiedade raramente chega “pequena”. Ela chega ocupando espaço: no sono, no estômago, na respiração, na pele, na produtividade, nos relacionamentos. E, muitas vezes, chega acompanhada de vergonha, como se a pessoa estivesse falhando em algo básico: viver.
Se você está aqui porque quer entender como funciona a terapia em grupo para ansiedade, se vale a pena, se dá certo, se é melhor que individual, ou como escolher um grupo bom, eu vou te explicar com a clareza de quem vive isso na prática e com a honestidade de não te prometer “ansiedade zero”.
O que é terapia em grupo para ansiedade (na prática, sem mistério)
Terapia em grupo é uma modalidade de psicoterapia conduzida por um(a) profissional de saúde mental, em que várias pessoas se reúnem com um objetivo terapêutico comum e, no nosso caso, esse objetivo gira em torno de reduzir sofrimento ansioso e construir habilidades para lidar com ele.
O grupo não é “uma roda de desabafo sem direção”. Um bom grupo tem estrutura, regras, confidencialidade, manejo clínico e uma lógica de processo: ele cria um ambiente seguro o suficiente para a pessoa se expor, aprender, treinar e, com o tempo, recuperar autonomia.
Eu vivi essa prática em dois contextos que se complementam muito: na clínica privada e também no SUS. No SUS, eu aprendi na pele como a ansiedade aparece misturada com realidade social: filas, insegurança financeira, sobrecarga de cuidado com filhos e familiares, violência, luto, falta de rede de apoio. Muitas vezes, a pessoa não chegava dizendo “tenho ansiedade”; chegava dizendo “não durmo”, “minha pressão sobe”, “minha cabeça não para”, “não consigo sair de casa”. E o nosso trabalho era organizar o sofrimento com o que havia disponível, com estratégia, acolhimento e muita psicoeducação.
Por que a ansiedade parece “tomar tudo” (corpo, mente e vida)
Tem uma parte da ansiedade que é muito injusta: ela não fica só na cabeça. Ela se infiltra no corpo e vira sintoma físico. E isso assusta. Muita gente chega com a sensação de que tem algo grave acontecendo porque, na experiência subjetiva, parece grave mesmo.
Na prática clínica, eu aprendi que tratar ansiedade é, antes de tudo, devolver previsibilidade. A pessoa ansiosa vive em um terreno instável: o cérebro tenta prever e controlar o que não dá para controlar; o corpo interpreta perigo onde há incerteza; e a vida vira uma sequência de “e se…”. Em atendimento individual, eu costumo começar ajudando a pessoa a diferenciar três coisas: preocupação, medo e ameaça real. Parece simples, mas essa distinção muda tudo. Porque quando o cérebro confunde “possibilidade” com “probabilidade”, qualquer cenário vira alarme.
Em grupo, essa mesma lógica funciona muito bem com um bônus enorme: você vê outras pessoas atravessando o mesmo tipo de alarme interno e percebe, por dentro, que aquilo tem nome, tem ciclo e tem manejo.
Por que o grupo funciona para ansiedade (e por que isso não é “autoajuda”)
Nos grupos terapêuticos com pessoas com ansiedade, eu vejo uma potência diferente. O grupo reduz um veneno silencioso: a sensação de ser “o único”. A ansiedade isola. A pessoa acha que ninguém entenderia a intensidade do que ela sente, ou que seria julgada. No grupo, ela escuta outra pessoa descrever exatamente o mesmo aperto no peito, a mesma ruminação, o mesmo medo de enlouquecer. E algo relaxa por dentro: pertencimento.
Quando o grupo está bem conduzido, ele ativa fatores terapêuticos muito sólidos: esperança (“se essa pessoa melhorou, talvez eu consiga”), universalidade (não sou o único), aprendizado interpessoal (eu aprendo sobre mim no contato com o outro), altruísmo (ajudar também cura), e coesão (o vínculo vira um recurso).
E não: isso não substitui técnica. O grupo bom não vive só de identificação. Ele vira uma espécie de “laboratório” de vida real com treino, feedback e prática contínua.
Como a terapia em grupo para ansiedade costuma ser estruturada
Eu gosto de estruturar o grupo com psicoeducação e treino de habilidades. A psicoeducação é o alicerce: entender o ciclo ansiedade–evitação–alívio–reforço, entender sintomas físicos (taquicardia, falta de ar, tontura) e por que eles não significam necessariamente perigo real.
Depois vem o treino: identificar gatilhos, registrar pensamentos automáticos, praticar exposição gradual, trabalhar tolerância ao desconforto, desenvolver autocompaixão prática (não aquela frase bonita, mas um jeito diferente de se tratar quando erra). E, no grupo, há um elemento extra: ver alguém enfrentando algo que você ainda não consegue. Isso vira esperança concreta.
Na rotina, isso pode aparecer assim:
- Check-in rápido (como cada um chegou, sinais de alerta da semana, pequenos progressos).
- Psicoeducação (um tema por encontro: ansiedade no corpo, ruminação, evitação, pensamentos automáticos, etc.).
- Exercício guiado (respiração/aterramento, registro de pensamento, planejamento de exposição).
- Discussão clínica (compartilhamento com mediação: sem conselho mágico, com perguntas boas).
- Tarefa de vida real (pequenas práticas para a semana, ajustadas ao nível de cada pessoa).
Confidencialidade não é detalhe. É base. E isso precisa ser combinado de forma clara desde o início: o que é dito no grupo, fica no grupo.
O ciclo ansiedade–evitação: por que “evitar” alivia agora e piora depois
Na psicoterapia, o primeiro movimento é reduzir o sofrimento agudo sem cair na armadilha do “vamos eliminar toda ansiedade”. Eu explico: ansiedade é uma emoção humana, útil, protetora, o problema é quando ela fica desproporcional e passa a governar decisões trazendo sofrimento. Então o trabalho é aprender a reconhecer sinais precoces, interromper a escalada e construir um repertório de regulação. Isso inclui técnicas de respiração e aterramento, sim, mas também inclui algo que dá mais resultado no longo prazo: reorganizar a relação com pensamentos.
E aqui entra um ponto-chave que eu repito muito porque ele muda a vida: “a evitação é a gasolina da ansiedade: alivia agora, piora depois.” Evitar lugares, conversas, decisões, sensações físicas… tudo isso comunica ao cérebro: “realmente era perigoso”. E o cérebro aprende rápido.
Em grupo, a evitação fica mais visível, porque você escuta o padrão em várias histórias. E isso ajuda a pessoa a parar de achar que “é só comigo” e começar a enxergar: isso é um circuito. E circuito se interrompe com método.
“Meus pensamentos são meu inimigo”: como eu trabalho isso (e como o grupo ajuda)
Muita gente chega dizendo “meus pensamentos são meu inimigo”. E eu respondo com cuidado: pensamentos são eventos mentais, não ordens. Na terapia, eu treino a pessoa a observar o pensamento ansioso como uma hipótese “meu cérebro está tentando me proteger”, não significa que o que eu penso, seja a realidade. Isso abre espaço para intervenções como reestruturação cognitiva, exposição gradual e prevenção de evitação.
O grupo ajuda muito porque ele “quebra o feitiço” do pensamento automático. Quando alguém verbaliza “eu tenho certeza que vai dar errado” e o grupo, com condução clínica, aprende a perguntar “certeza baseada em quê?”, o cérebro vai entendendo que existe um meio-termo entre acreditar em tudo e lutar contra tudo.
Uma frase que costuma encaixar bem: meu cérebro é ótimo em imaginar cenários, isso não significa que ele seja ótimo em prever o futuro.
Exposição gradual: o passo a passo para retomar vida (com segurança)
Um fenômeno comum é o “medo do medo”: a pessoa passa a temer as sensações de ansiedade. No grupo, quando trabalhamos isso com exercícios graduais e compartilhamento de experiências, a pessoa aprende que pode sentir e, ainda assim, seguir. Isso não elimina ansiedade do dia para a noite. Mas devolve autonomia.
Um exemplo: uma mulher na casa dos 30 anos chegou no serviço público dizendo que “estava infartando”. Tinha ido ao pronto atendimento duas vezes com sensação de falta de ar, dor no peito e coração disparado. Ela jurava que era problema cardíaco, mas os exames davam normal. No acolhimento, ela contou que trabalhava o dia inteiro, cuidava de dois filhos sozinha e, à noite, quando finalmente deitava, a mente “passava um filme” de tudo o que podia dar errado.
Na psicoterapia, fizemos três movimentos: 1) psicoeducação sobre sintomas físicos de ansiedade, 2) identificação do ciclo de evitação (ela evitava dormir por medo de “passar mal dormindo”, e isso piorava ainda mais), e 3) um plano prático de exposição gradual: retomar pequenas rotinas, reduzir checagens corporais e treinar respiração. Em poucas semanas, ela não “zerou” a ansiedade, mas parou de correr para o hospital, voltou a dormir melhor e começou a recuperar a sensação de controle.
O que eu quero que você repare nesse exemplo: o objetivo não foi “nunca mais sentir”. Foi parar de obedecer o alarme como se ele fosse uma sentença.
Sintomas físicos de ansiedade: o corpo não é seu inimigo (mas ele está em alerta)
Quando alguém me diz “Meu corpo não desliga”, eu escuto duas coisas ao mesmo tempo: o sofrimento real e a tentativa do organismo de se proteger. Na ansiedade, o sistema de ameaça pode ficar “sensível demais”, interpretando incerteza como perigo. Daí vem taquicardia, tensão muscular, falta de ar, suor, formigamento, nó no estômago.
Por isso eu oriento com a psicoeducação somática: entender o corpo reduz pânico do corpo. E reduzir pânico do corpo reduz o “medo do medo”.
No grupo, isso fica muito potente quando uma pessoa descreve “aperto no peito” e outra diz “eu também”. Não é romantizar; é organizar a experiência com um mapa.
Ansiedade e neuropsicologia: quando parece “memória ruim” ou “déficit de atenção”
Nas avaliações neuropsicológicas, a ansiedade aparece de uma forma muito particular. Às vezes, a pessoa procura avaliação porque acha que está com “memória ruim” ou “déficit de atenção”. E, de fato, ela pode estar com lapsos, mas não por um transtorno neurodegenerativo, e sim porque está em hipervigilância. A mente ansiosa está sempre varrendo o ambiente interno e externo: “estou bem?”, “e se der errado?”, “e se eu travar?”. Isso consome recursos atencionais.
Na avaliação, eu observo padrões: queda de desempenho em tarefas sob tempo, muita autocobrança, dificuldade em inibir respostas impulsivas quando há pressão, variação grande entre potencial e execução. E eu sempre interpreto com cautela: ansiedade pode mascarar habilidades e “imitar” dificuldades cognitivas.
Um ponto importante: avaliação neuropsicológica não é “carimbo”. É mapa. Eu uso a avaliação para entender como aquela pessoa funciona, não só em testes, mas na vida. Como ela dorme, como lida com imprevistos, como toma decisões, como se recupera de estresse, como se organiza. E isso orienta o plano terapêutico.
Na prática, isso conversa muito com terapia em grupo: quando a pessoa aprende a reconhecer o próprio padrão (hipervigilância, ruminação, esquiva), ela ganha repertório para agir diferente e não só “se culpar por travar”.
Para quem a terapia em grupo para ansiedade é indicada (e quando eu tenho cautela)
Em geral, terapia em grupo pode ajudar muito quando a pessoa tem ansiedade e quer:
- aprender a lidar com sintomas físicos e “medo do medo”;
- reduzir ruminação (“eu penso demais”) e preocupação constante;
- parar de evitar situações (lugares, conversas, tarefas, sensações);
- treinar habilidades sociais (especialmente em ansiedade social);
- construir rede de apoio e sensação de pertencimento;
- ter uma rotina de prática (o grupo ajuda a manter consistência).
Eu costumo ter cautela (ou combinar com atendimento individual) quando existe:
- risco atual importante (ideação suicida ativa com plano, autoagressão sem manejo, crise sem rede);
- psicose descompensada ou confusão importante de realidade;
- uso de substâncias que esteja inviabilizando aderência e segurança;
- violência atual grave sem suporte, quando o foco inicial precisa ser estabilização e proteção;
- dificuldade grande de confidencialidade/limites (o que pode ser trabalhado, mas exige cuidado).
Terapia em grupo: por que faz tanto sentido (e o que eu vejo na prática)
A ansiedade muitas vezes vem junto com contexto: “não durmo”, “minha pressão sobe”, “minha cabeça não para”, “não consigo sair de casa”. E o nosso trabalho é organizar o sofrimento com estratégia, acolhimento e muita psicoeducação.
Quando há alta demanda e pouco recurso, o grupo pode ser um cuidado muito alinhado com saúde pública: ele amplia acesso, cria rede, organiza informação, e dá ferramentas que a pessoa leva para a vida.
E tem uma coisa que eu vejo acontecer com frequência: quando o grupo ensina a pessoa a nomear o ciclo ansiedade–evitação, ela começa a recuperar dignidade. Porque, de repente, aquilo deixa de ser “fraqueza” e passa a ser um circuito tratável.
Grupo online ou presencial: o que muda para ansiedade
Online funciona muito bem, especialmente quando o objetivo é psicoeducação e treino de habilidades. Para muita gente com ansiedade, inclusive, o online é a porta de entrada (menos barreiras, menos deslocamento, menos “exposição” logo de cara).
Presencial, por outro lado, pode ser uma intervenção poderosa quando a ansiedade envolve medo social, evitação de sair de casa ou dificuldades interpessoais — porque o próprio deslocamento e a presença já fazem parte do treino, com suporte.
Na prática, eu penso assim: não é “qual é melhor”. É “qual formato aumenta aderência, segurança e prática de vida real para essa pessoa agora”.
Como escolher um bom grupo para ansiedade (checklist sem enrolação)
Eu gosto de orientar a escolha com perguntas simples e muito objetivas:
- Qual é o foco do grupo? (ansiedade geral, pânico, ansiedade social, manejo do estresse, etc.)
- Qual abordagem? TCC para Grupos, psicoeducação baseada em DBT, mindfulness/MBCT, Terapia Comunitária Integrativa.
- Estrutura e duração: quantos encontros, frequência semanal/quinzenal, existe tarefa para casa?
- Tamanho do grupo: pequeno costuma facilitar participação e vínculo.
- Regras e confidencialidade: está claro o combinado?
- Triagem: há uma entrevista inicial para entender se o grupo é adequado?
Uma dica prática: se o grupo te promete “curar ansiedade em 2 encontros” ou “nunca mais sentir medo”, eu fico com o pé atrás. Ansiedade melhora com método, vínculo e prática, não com fórmula.
Ferramentas que eu ensino (e que costumam mudar o jogo)
Quando a pessoa chega dizendo “Eu não aguento mais a minha mente”, eu não tento discutir com a mente. Eu tento organizar a relação com ela.
1) A tríade: preocupação × medo × ameaça real
Na clínica, eu costumo começar ajudando a pessoa a diferenciar três coisas: preocupação, medo e ameaça real. Parece simples, mas essa distinção muda tudo.
- Preocupação: pensamento antecipatório (“e se…?”).
- Medo: emoção de alerta (pode existir mesmo sem perigo concreto).
- Ameaça real: perigo concreto, aqui-agora, que pede ação objetiva.
2) Registro do pensamento: hipótese, não sentença
Eu treino a pessoa a observar o pensamento ansioso como uma hipótese, “meu cérebro está tentando me proteger”, e não como um fato. Um jeito simples:
- Situação: o que aconteceu?
- Pensamento automático: o que a mente disse?
- Emoção e corpo: o que eu senti?
- Evidências pró/contra: o que sustenta e o que não sustenta?
- Resposta alternativa: o que eu diria se fosse com alguém que eu gosto?
3) Escada de exposição: voltar a viver em doses possíveis
Exposição não é “se jogar no trauma”. É construir uma escada de passos pequenos, repetidos, até o cérebro aprender que dá para atravessar desconforto sem colapsar.
E aqui eu volto ao ponto: evitação é gasolina da ansiedade. O treino é parar de alimentar essa gasolina, com cuidado, estratégia e consistência.
4) Autocompaixão prática (a que funciona, não a que enfeita)
Eu vejo muito a pessoa ansiosa se tratar como se estivesse sempre “devendo”. E, muitas vezes, por trás de muita ansiedade, tem autocobrança alta e pouca permissão de errar.
Autocompaixão prática, para mim, é perguntar: o que eu faria hoje para me ajudar a atravessar isso, sem me humilhar no processo?
O que esperar de resultados (sem fantasia, com esperança real)
Eu não vendo a promessa de “nunca mais sentir ansiedade”. Eu explico: ansiedade é uma emoção, útil, protetora, o problema é quando ela fica desproporcional e passa a governar decisões, trazendo sofrimento.
O que eu espero ver, ao longo das semanas, é a pessoa:
- reconhecer sinais precoces e interromper escalada;
- reduzir medo do corpo e “medo do medo”;
- diminuir ruminação e aumentar ação prática;
- retomar rotinas e decisões que estavam paradas;
- se sentir menos sozinha e com mais rede;
- recuperar autonomia (mesmo com ansiedade presente).
Se eu tivesse que resumir minha experiência em uma frase, eu diria: ansiedade melhora quando a pessoa reaprende a confiar no próprio corpo e no próprio julgamento. E isso exige método, vínculo e prática. Não é “pensar positivo”. É construir habilidades. É olhar para a história, para o contexto, para hábitos, para crenças. É, muitas vezes, reorganizar a vida para que ela seja menos um campo de batalha e mais um lugar possível.
Perguntas frequentes sobre terapia em grupo para ansiedade
“Eu sou tímido(a). Grupo vai piorar minha ansiedade?”
Pode dar medo no começo, sim. Mas timidez e ansiedade social costumam melhorar quando existe um ambiente seguro para praticar, com condução profissional e passos graduais. A ideia não é te forçar a falar; é te ajudar a ganhar espaço interno para existir sem pedir desculpa.
“Quantas sessões eu preciso?”
Depende do modelo: há grupos mais breves (psicoeducação e habilidades) e outros contínuos. Eu gosto de pensar em “tempo suficiente para treinar”: repetir habilidades até virar repertório, não só entender intelectualmente. Cada pessoa tem o seu ritmo.
“Grupo substitui medicação?”
Não é uma regra fixa. Há pessoas que melhoram sem medicação; outras se beneficiam de uma combinação. O ponto é: decisão de medicação é médica, e psicoterapia (em grupo ou individual) ajuda a pessoa a lidar com o ciclo ansioso e com a vida prática.
Fechando: ansiedade não precisa ser a diretora da sua vida
E o que mais me emociona é ver que, por trás de muitas ansiedades, existe uma pessoa extremamente capaz, sensível, inteligente, apenas exausta de carregar o mundo na cabeça. Quando ela aprende a soltar um pouco, a respirar sem pedir desculpa, a dizer “não”, a se expor ao que teme com cuidado, a ansiedade deixa de ser a diretora da vida e volta ao lugar dela: um sinal. Um sinal que pode ser ouvido, interpretado e, quando necessário, acolhido, sem comandar tudo.
Referências e leituras científicas
- Diretriz NICE (CG113): manejo do transtorno de ansiedade generalizada e pânico em adultos (modelo escalonado e grupos psicoeducacionais)
- OMS/WHO mhGAP: formatos de entrega (individual e/ou em grupo) para intervenções psicológicas estruturadas baseadas em princípios de CBT
- Guia de Prática Clínica (2025): recomendações baseadas em evidências para TAG, incluindo modalidade de CBT (individual/grupo) conforme recursos e preferências
- Meta-análise (PLOS ONE): terapias cognitivo-comportamentais em grupo para ansiedade social (SAD)
- Ensaio clínico: CBT em grupo para TAG (inclui acompanhamento de longo prazo)
- Ensaio randomizado: MBCT vs psicoeducação baseada em CBT em formato de grupo para TAG
- Ensaio pragmático: CBT transdiagnóstica em grupo para transtornos de ansiedade em serviços comunitários
- Revisão e meta-análise (Nature Human Behaviour): CBT transdiagnóstica (inclui formato em grupo) para transtornos emocionais
- Revisão sistemática e network meta-análise: psicoterapias para ansiedade social em adultos (comparação entre abordagens)
Perguntas sobre a Terapia em grupo para ansiedade?
Qual é a terapia mais indicada para ansiedade?
A terapia mais indicada para ansiedade, de forma geral, é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
Por quê?
É a abordagem mais estudada cientificamente para transtornos de ansiedade.
Atua em pensamentos, emoções e comportamentos que mantêm a ansiedade.
Ensina técnicas práticas (ex.: reestruturação cognitiva, exposição gradual, regulação emocional).
Funciona bem individualmente e em grupo.
Outras terapias indicadas (dependendo do perfil)
Terapia de Aceitação e Compromisso (TAC)
(em inglês ACT – Acceptance and Commitment Therapy)
Indicação: quando a pessoa luta excessivamente contra os sintomas.
Foco: aceitação da experiência interna + ação guiada por valores.Terapias baseadas em Mindfulness
(atenção plena)
Indicação: ansiedade generalizada, ruminação, estresse crônico.
Foco: relação diferente com pensamentos e sensações.Terapia Psicodinâmica
Indicação: quando a ansiedade está ligada a conflitos emocionais profundos e padrões relacionais repetitivos.
Foco: compreensão das origens emocionais.
Como funciona a técnica 5 4 3 2 1?
A técnica 5-4-3-2-1 é um exercício de ancoragem no presente (grounding), muito usada para ansiedade intensa, crises de ansiedade e pânico.
Como funciona (um passo de cada vez)
Passo 1 – Visão (5)
Olhe ao redor e identifique 5 coisas que você consegue ver.
Não precisa analisar, apenas nomear.
Passo 2 – Tato (4)
Perceba 4 coisas que você consegue sentir com o corpo.
Ex.: pés no chão, roupa na pele, apoio da cadeira.
Passo 3 – Audição (3)
Identifique 3 sons que você consegue ouvir.
Podem ser próximos ou distantes.
Passo 4 – Olfato (2)
Note 2 cheiros.
Se não houver, lembre-se de odores familiares.
Passo 5 – Paladar (1)
Perceba 1 gosto na boca ou imagine um sabor conhecido.
Por que funciona?
Redireciona o foco da mente do medo interno para o ambiente externo.
Reduz a ativação do sistema de alerta do corpo.
Interrompe o ciclo de pensamentos catastróficos.
Quando usar
Crise de ansiedade ou pânico.
Ansiedade social.
Dissociação leve.
Situações de estresse agudo.
Dica clínica
Funciona melhor quando combinada com respiração lenta (ex.: inspirar 4 segundos, expirar 6).
Se quiser, posso seguir para o próximo passo e explicar como ensinar essa técnica em grupo ou para crianças.
Quantas sessões de terapia são necessárias para ansiedade?
Depende do tipo de ansiedade, da gravidade e da abordagem terapêutica.
Ainda assim, existem faixas médias bem estabelecidas.
Em média, quantas sessões?
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Ansiedade leve: 8–12 sessões
Ansiedade moderada: 12–20 sessões
Ansiedade grave ou crônica: 20–30+ sessões
Muitas pessoas percebem melhora já nas primeiras 4–6 sessões.
Por tipo de ansiedade (estimativa)
Ansiedade Generalizada (TAG): 12–20 sessões
Ansiedade social: 12–20 sessões
Transtorno do pânico: 10–15 sessões
Fobias específicas: 6–10 sessões (às vezes menos)
Ansiedade com comorbidades (depressão, TEA, TDAH): 20+ sessões
Terapia em grupo
Geralmente 8–16 sessões estruturadas.
Pode reduzir tempo total quando combinada com terapia individual.
Fatores que encurtam o tratamento
Frequência semanal regular.
Adesão às tarefas entre sessões.
Psicoeducação clara + técnicas práticas.
Fatores que prolongam
Evitação intensa.
História de trauma.
Falta de continuidade ou alta precoce.
Regra prática clínica
Curto prazo: redução dos sintomas.
Médio prazo: mudança de padrões.
Longo prazo: prevenção de recaídas.
Qual é a regra 3-3-3 para ansiedade?
A regra 3-3-3 para ansiedade é uma técnica simples de ancoragem no presente (grounding) usada para reduzir ansiedade aguda e ansiedade social.
Como funciona (passo a passo)
Passo 1 – Ver (3)
Olhe ao redor e identifique 3 coisas que você consegue ver.
Passo 2 – Ouvir (3)
Preste atenção em 3 sons que você consegue ouvir.
Passo 3 – Mover (3)
Mova 3 partes do corpo.
Ex.: dedos das mãos, ombros, pés.
Por que funciona?
Quebra o foco nos pensamentos ansiosos.
Ativa os sentidos e o corpo, trazendo a atenção para o aqui e agora.
Reduz a ativação fisiológica da ansiedade.
Quando usar
Início de crise de ansiedade.
Ansiedade social (antes ou durante interações).
Situações de estresse imediato.
Diferença para a técnica 5-4-3-2-1
3-3-3: mais rápida, discreta, ideal para uso em público.
5-4-3-2-1: mais completa, indicada para ansiedade mais intensa.
O que é a técnica de grounding?
A técnica de grounding é um conjunto de exercícios usados para ancorar a atenção no momento presente, ajudando a reduzir ansiedade, pânico, dissociação e sobrecarga emocional.
Para que serve
Diminuir ansiedade intensa ou crises de pânico.
Interromper pensamentos acelerados ou catastróficos.
Ajudar quando a pessoa se sente “fora do corpo” ou desconectada.
Como funciona (em termos simples)
O grounding tira o foco da mente (medo, antecipação, ruminação)
e traz para o corpo e para os sentidos, ativando o aqui-e-agora.
Principais tipos de grounding
1) Grounding sensorial
Usa os 5 sentidos.
Exemplo clássico: 5-4-3-2-1 (ver, tocar, ouvir, cheirar, saborear).
2) Grounding corporal
Envolve movimento ou percepção física.
Ex.: pressionar os pés no chão, alongar, segurar um objeto frio.
3) Grounding cognitivo
Usa atenção dirigida e linguagem.
Ex.: nomear objetos, contar de trás para frente, descrever o ambiente.
Por que funciona?
Reduz a ativação do sistema de alerta do corpo.
Aumenta a sensação de controle.
Interrompe o ciclo ansiedade → pensamento → medo.
Quando usar
Início de crise de ansiedade.
Ansiedade social.
Estresse agudo.
Dissociação leve.
Observação clínica
Grounding não elimina a causa da ansiedade,
mas é uma ferramenta imediata para estabilizar o paciente e permitir outras intervenções.